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O incentivo à pesquisa no Brasil - Parte II


“A burocracia é o maior entrave da pesquisa científica no Brasil e ainda diz que a pesquisa científica nunca foi prioridade para nenhum governo”

Redação Fatos & Notícias 

Texto: Haroldo Cordeiro Filho

Professora e doutora Glória Maria de Farias Viégas (Foto: Arquivo pessoal)

Dando continuidade ao artigo publicado na edição da semana passada, entrevistamos professores, doutores e doutorandos para termos uma visão panorâmica da real situação em que se encontra a pesquisa científica no nosso País.
Conversamos com a professora e doutora Glória Maria de Farias Viégas Aquile, graduada em ciências Biológicas pela Ufes, Mestre em Botânica pela UFRJ/MN, doutora em Biotecnologia pela Renorbio/Ufes e professora do Ifes desde 2004, que abordou a importância e o dever de as instituições de ensino fundamental procurar, no processo de aprendizagem, despertar em nossas crianças e jovens o gosto pela ciência.
Para ela, difundir o conhecimento e incentivar seus estudos significa oferecer uma nova perspectiva de encarar o cotidiano, despertar a resiliência ou até mesmo encontrar soluções para os problemas do dia a dia. “Atividades como oficinas, visitas a laboratórios, participação em feiras e eventos científicos vêm colaborando para a difusão das ciências e suas tecnologias, abrindo espaços para novos temas, fazendo desses uma conversa com as disciplinas que são ministradas em sala de aula. Desta forma, o encontro com as ciências pode ser um catalisador para definir o futuro das crianças e jovens, buscando indicar possíveis caminhos a serem percorridos na sua vida pessoal e profissional. Quiçá, ao desenvolver programas que provoquem nas crianças e jovens as curiosidades pelas ciências e suas tecnologias, as instituições profissionais passem a se localizar na rota do conhecimento científico nas várias áreas do conhecimento, despertando o interesse pelas pesquisas e inovações tecnológicas”.

Diretor do Centro de Ciências Exatas, da Ufes, o pós-doutor e professor, Eustáquio Vinícius Ribeiro de Castro (Foto: Haroldo Cordeiro Filho)

Com um olhar direcionado à gestão, o diretor do Centro de Ciências Exatas (CCE), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o pós-doutor e professor, Eustáquio Vinícius Ribeiro de Castro, diz que a burocracia é o maior entrave da pesquisa científica no Brasil e ainda diz que a pesquisa científica nunca foi prioridade para nenhum governo. “Os governos investem naquilo que é previsto constitucionalmente, não existe uma regulamentação para a pesquisa científica no Brasil e, por isso, toda vez que entramos numa crise mais profunda eles tiram de onde não têm obrigação de investir”.
“Saiu na semana passada os cortes, contingenciamento do governo federal. A Educação, em termos numéricos, ficou em terceiro ou segundo lugar em valor, mas a pesquisa científica foi a segunda a sofrer o maior corte proporcional, onde vai ser mais contingenciado no orçamento. O Conselho Nacional de Pesquisa Científica (CNPq), nosso maior fomentador, só tem recurso para custear pesquisas até setembro, inclusive, para pagamento de bolsas. O Edital Universal, este ano não vai ter, com esse corte no Ministério de Ciência e Tecnologia, o CNPq terá uma redução de 1,2 bilhão para 900 milhões, o cenário não é favorável. O governo está mais preocupado com as exportações e com as commodities, do que agregar valor do conhecimento através da pesquisa. Nós temos alguns alentos, na verdade, que são de iniciativas de pessoas ou de instituições, como por exemplo, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que fechou uma grande parceria com uma indústria de medicamentos, é um alento, é uma forma de driblar os compromissos, pela falta de cultura que os governos têm com a pesquisa”.
“O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Marcos pontes, teve uma fala interessante, quando disse que o presidente da República se comprometeu em mais do que dobrar o orçamento da pesquisa no Brasil, a partir de 2020, e, através de regulamentações, facilitar às instituições a captação de recursos em parcerias. Às vezes, temos empresas querendo investir em ciência e tecnologia, mas a burocracia é tão grande que acaba desestimulando o pesquisador. Nossos órgãos de controle não têm a sensibilidade para tratar dos projetos que envolvem a pesquisa científica de forma diferenciada de um projeto de uma obra, por exemplo, pois a pesquisa tem suas especificidades”.
“O dinheiro do tesouro é extremamente importante para a pesquisa científica, mas, se fizesse uma ação de forma a desregulamentar, tornar mais fácil, a vida do pesquisador e das instituições na captação de recursos, acho que seria um grande avanço. As empresas então doidas para investir em pesquisas científicas. Há uma mudança de cultura por parte de alguns setores empresariais, que entendem que pesquisa científica não é gasto, é investimento e o retorno é líquido e certo”, sintetizou.

Na próxima edição entrevista com Bruna e Jefferson

Haroldo Cordeiro Filho
Jornalista – DRT 003818/2018 
Microempresário e Coordenador-geral da ONG Educar para Crescer

Haroldo Cordeiro Filho

Haroldo Cordeiro Filho

Jornalista haroldojornalfatosenoticias .es@gmail.com
Luzimara Fernandes

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Jornalista redacaojornalfatosenoticias .es@gmail.com
Rafaela Rangel

Rafaela Rangel

Nutricionista CRN-ES 08100271-rafaelarangel. nutricionista@gmail.com
Jorge Pacheco

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Advogado, Radialista e Jornalista redacaojornalfatosenoticias .es@gmail.com

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