01 de dezembro de 2017

Dados de estudo indicam que desigualdade no Brasil é machista e racista

Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios mostra que, apesar dos avanços sociais em relação a décadas passadas, ainda temos um dos maiores abismos sociais do mundo

 

Redação Fatos & Notícias

Mulheres recebem, em média, 22,9% menos que os homens (Foto: Creative Commons/Saulo Cruz)

A desigualdade e a pobreza no Brasil caíram de forma vertiginosa se comparado com as décadas anteriores. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) a renda dos 20% mais pobres cresceu quatro vezes mais rápido que a dos 20% mais ricos entre os anos de 2002 e 2015.
A pobreza extrema também caiu de 8,2% da população em 2003 para 3,1% em 2015. Também houve redução na pobreza crônica multidimensional — que são as pessoas que ficam abaixo da linha da pobreza e não têm acesso aos bens e serviços básicos, como geladeira e saneamento básico. De 9,3%, essa parcela da população caiu para 1%.

(Foto: Reprodução/Faces da Desigualdade do Brasil)

Consideradas somente as pessoas que se declaram negras, a pobreza crônica, que atingiu 14,9% do total em 2002, chegou a 2015 impactando 1,5% desse recorte populacional. Esses dados foram compilados pela economista Tereza Campello, ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, no trabalho chamado “Faces da Desigualdade no Brasil: Um olhar sobre os que ficam para trás”.
A melhora dos números, no entanto, não significa que a desigualdade está encerrada. Pelo contrário. Ainda existe um abismo social gigantesco no Brasil, com ampla desvantagem para mulheres, negros e pardos. É o que mostra o mesmo Pnad, com informações divulgadas pelo IBGE, em relação a 2016. Enquanto os 10% mais pobres ficaram com 0,8% dos rendimentos mensais per capita, os 10% mais ricos ficaram com 43,4% desse bolo.

(Foto: Reprodução/Faces da Desigualdade do Brasil)

1% dos trabalhadores com maiores salários recebe 36,3 vezes mais — R$ 21.085 em média — do que a metade mais pobre da população, que recebe R$ 747 na média.
O índice de Gini, que varia de 0 (perfeita igualdade) até 1 (desigualdade máxima), do rendimento mensal real domiciliar per capita foi de 0,549 em 2016, contra 0,515 de 2015. Com isso, o País deve subir no ranking da desigualdade, superando Colômbia, Paraguai e Lesoto e ocupando a nada honrosa posição como o sétimo país mais desigual do mundo.
Apesar de representarem mais da metade dos 88,9 milhões de trabalhadores brasileiros, as mulheres são preteridas pelos homens em 57,5% dos postos. Seu trabalho também vale menos, já que receberam R$ 1.836, em média, contra R$ 2.380 dos homens. Um prejuízo de 22,9%.

Rendimento médio mensal real, efetivamente recebido no mês de referência, de todos os trabalhos, a preços médios de 2016, segundo o sexo (Foto: IBGE)

Quando a comparação é entre quem se declara negro e pardo e os brancos, a distância é ainda mais gritante. Brancos têm rendimento médio de R$ 2.810 por mês, enquanto negros ficam com R$ 1.547 e pardos com R$ 1.524.
De acordo com os dados do Pnad referentes ao terceiro trimestre de 2017, negros e pardos são 63,7% da população sem trabalho (ou 8,3 milhões de pessoas). No total, são 13 milhões de brasileiros desocupados: trabalhadores informais, ambulantes e empregados domésticos são os mais afetados. 

Quem trabalha onde (Foto: IBGE)

 

Entre os diversos fatores estão a falta de experiência, de escolarização e de formação de grande parte da população de cor negra ou parda. Isso é um processo histórico, que vem desde a época da colonização", afirma Cimar Azeredo, coordenador de trabalho e rendimento do IBGE. "Claro que se avançou muito, mais ainda tem que se avançar bastante, no sentido de dar à população de cor negra ou parda igualdade em relação ao que temos hoje na população de cor branca”. Temos um longo caminho pela frente.

Fonte: Galileu.com



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