30 de janeiro de 2018

É só uma brincadeira! Será?

São elas, as gozações, essas mesmas que nós insistimos em dizer que são só brincadeiras, especialmente quando o outro perde controle emocional, e aí a gente ainda piora o quadro ridicularizando o descontrole

 

Redação Fatos & Notícias
Texto: *Karin Alessandra Pereira

Bullying não é brincadeira, pelo contrário, é coisa muito séria (Foto: Reprodução)

Ah o brincar! Essa maravilha que vivemos na infância vai muito além de divertir e entreter, é através das brincadeiras que nos desenvolvemos cognitiva e emocionalmente, não há mais dúvidas sobre isso entre os psicólogos.
Brincando desenvolvemos nossa motricidade, nosso raciocínio, aprendemos regras e desenvolvemos nossas habilidades para viver em grupo. Vivenciamos as emoções de alegria, expectativa, frustração e tantas outras. Aprendemos sobre competição e cooperação, sobre empatia, justiça, moral e ética.
Aprendemos a como cuidar dos outros, vivenciamos os personagens do mundo adulto e também do mundo da ficção, podemos ser mamães, papais, médicos, aeromoças, presidentes, bruxas, super-heróis.
Eu poderia escrever horas e horas sobre a importância do brincar para o desenvolvimento infantil e ainda assim não creio que esgotaria o assunto, mas hoje eu gostaria de refletir sobre outro tipo de “brincadeira”, aquele tipo de brincar que machuca.
São elas, as gozações, essas mesmas que nós insistimos em dizer que são só brincadeiras, especialmente quando o outro perde controle emocional, e aí a gente ainda piora o quadro ridicularizando o descontrole.

Os adultos são mestres em fazer isso com crianças, eles gostam de provocar a ira dos pequenos, e isso é tão triste, porque depois que o fazem, são os primeiros a querer resolver as coisas com tapas, broncas e castigos, justamente porque não sabem o que fazer com um sentimento genuíno e fruto daquilo que provocaram.

Não, elas não são brincadeiras, são pequenas violências cotidianas que marcam e podem trazer muitas sequelas para o desenvolvimento de nossos pequenos. Somos nós, em primeira instância, que ensinamos aos nossos filhos como praticar o bullying e como ser vitimado por ele. Sim, porque como em qualquer outra brincadeira eles aprendem a fazer o mesmo e reproduzem isso em outros contextos, tanto como algozes como potenciais vítimas fragilizadas por uma autoestima bombardeada.
Não se trata de fazer o politicamente correto ou de tornar o mundo chato, mas de refletir sobre porque lançamos mão desse tipo de ação com nossos filhos e com outras crianças. Para que? Com qual objetivo? Diversão?
Eu diria que não há brincar se ambos não se divertem e, nesses casos, é evidente que alguém não está se divertindo, o pior de tudo é quando o outro não se diverte e ainda é julgado e culpado por não se divertir. Ora bolas, e quem acha divertido ser inferiorizado e ridicularizado?
As gozações não são brincadeiras, as gozações nascem de nosso ímpeto de ter poder sobre o outro, de ter o outro em nossas mãos, de mostrar ao outro que somos mais fortes, e que podemos tirá-los do sério se quisermos, de mostrarmos para o outro que ele é fraco, incapaz e descontrolado.
É isso que defendemos diariamente quando falamos é só uma brincadeira. Fizeram comigo e eu não morri. Talvez você não tenha morrido amigo, mas também não se tornou um ser humano melhor por isso.
Milhares de crianças apresentam transtornos de ansiedade, depressão e até suicídio por conta dessas e de outras defesas que fazemos sobre pequenos atos de violência cotidiana.
Lutar por um mundo menos violento, é necessário, mas não basta polícia na rua, precisamos urgentemente repensar nossos atos, nossos conceitos e mudar o nosso comportamento, a violência só acaba quando somos capazes de alterar o rumo das coisas a partir de nós mesmos.
Que possamos contribuir para um mundo melhor, especialmente através do verdadeiro brincar.
Grande abraço e até a próxima!

*Karin Alessandra Pereira
CRP 16/1164 - Psicóloga formada pela PUC/SP
Especialista em Avaliação Psicológica - IPOG
Mãe de Maria Beatriz



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