28 de novembro de 2017

Em se plantando tudo dá... Será?

Redação Fatos & Notícias
Texto: Haroldo Cordeiro Filho

O Espírito Santo tem exemplos bem-sucedidos de municípios que desenvolvem essas atividades como é o caso de Santa Leopoldina, de Alfredo Chaves, de Domingos Martins, entre outros (Fotos: Haroldo Filho/Luzimara Fernandes)

Diretamente, a agricultura responde por 5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e indiretamente chega a 22%, agregando setores como transporte, produção de máquinas e equipamento e insumos. Na exportação, dos 10 produtos mandados para fora, 7 são agrícolas.
No Estado – conforme Censo Agropecuário de 2006 – 79,9% dos estabelecimentos rurais são de agricultores familiares. O Espírito Santo tem exemplos bem-sucedidos de municípios que desenvolvem essas atividades como é o caso de Santa Leopoldina, de Alfredo Chaves, de Domingos Martins, entre outros, todos com foco na agricultura familiar. 
São associações e cooperativas que recebem o suporte necessário da municipalidade como fornecimento de máquinas e equipamentos, insumos, suporte técnico e, o mais importante, a capacitação. Em Iconha, Sul do Estado, sob a administração do prefeito João Paganini, os funcionários municipais recebem tíquetes mensais para serem utilizados na feira de produtores familiares, que funciona no centro da cidade, resultando no fomento à renda familiar dos produtores rurais do município. 
Na contramão dos exemplos citados acima, o município da Serra parece que parou no tempo e, pior, deteriorou o que tinha na agricultura. Outrora destaque na produção do abacaxi no Estado, o município perdeu espaço no setor. Atualmente, o Abacaxi Vitória está plantado nas comunidades de Calogi, Muribeca, Itaiobaia, Independência, Putiri, Santiago da Serra e Chapada Grande, mas sem o glamour e a importância de antes.
Para termos conhecimento da real situação no município, a coluna entrevistou o presidente da Associação dos Produtores Rurais da Serra, Joel Falqueto, para falar sobre as dificuldades enfrentadas pelos associados.  

Joel Falqueto

O grande problema da Serra é que, aqui, o produtor não vive da terra. Quantos municípios queriam ter o que a Serra tem? Mas ninguém quer fazer nada. O agroturismo poderia ser melhor, mas não é bem aproveitado, falta união e incentivo do poder público municipal. A burocracia do poder público é grande, pessoas que estão à frente do negócio e que não entendem do ofício. Tem estrutura para crescer, mas não tem quem assuma e entenda do assunto.  A pasta da agricultura no município está mal administrada. Os governos acordaram muito tarde para a questão das represas, os órgãos públicos precisam ouvir mais a gente, nós nascemos e vivemos da agricultura”, frisou Joel.

Já Teodoro Bitencourt, presidente do Sindicato do Trabalhadores Rurais, diz que, embora seja considerada um município industrial, a Serra possui uma vasta área rural. 

Temos uma secretaria muito fraca, se comparada à importância da zona rural do município. A agricultura não dá voto, imagino que, por isso, não somos olhados com carinho pelos governantes. O poder público municipal precisa pensar no bem-estar do trabalhador rural. Hoje não temos nenhum incentivo na zona rural. Não há nenhuma prática educacional voltada para a permanência do jovem no campo. Já Passou da hora de o município ter uma escola agrícola, falta incentivo. Temos um problema sério no setor público, os cargos são ocupados por indicações políticas. Pessoas que estão lá e não têm o menor conhecimento na área. Como pode nomear um médico como secretário de agricultura? A burocracia é tanta que o pequeno agricultor não consegue se regularizar. Alguns produtores não participam de reuniões por falta do dinheiro da passagem. O mais grave é a merenda escolar do município, que não é fornecida pelo produtor local. Produzimos feijão, banana, queijo, café, leite, laranja, manga, cupuaçu, jaca e temos o direito de abastecer nossa rede de ensino. Fornecemos apenas 5% da demanda do município, os outros 95% vêm de fora, isso podia fomentar a renda familiar dos nossos pequenos produtores”, desabafa Teodoro. 

Teodoro Bittencourt

Para esclarecer os questionamentos feitos pelos agricultores e falar sobre as ações que o poder público municipal tem desenvolvido na área, fomos até o secretário de Agricultura, Agroturismo, Aquicultura e Pesca, Gustavo de Biase. Formado em Serviço Social pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o secretário diz que a pasta está remodelando a estrutura com projetos que vão dar resultados, mas que não será de uma hora para outra. “Este ano, foram destinados apenas R$ 200 mil para a pasta, porém o prefeito precisou realocar o orçamento para outras necessidades”, explicou de Biase.
Analisando o contexto precário da agricultura no município hoje, podemos extrair desses depoimentos o que já sabemos. Falta responsabilidade do gestor que mais parece o personagem animado “O fantástico mundo de Bobby”, ou seja, vivendo de sonhos, anunciando construções faraônicas, que demandam recursos bilionários e que ficarão apenas no papel. Enquanto isso, quem realmente precisa só tem a reclamar e assistir a uma gestão fraca e ilusória. 
A população está saturada desses elementos enganadores.  Conforme disse o secretário, “estamos elaborando projetos”. Como???  Isso só pode ser uma brincadeira de mal gosto, é o quarto mandato, o segundo consecutivo da atual administração e só agora estão elaborando projetos?
Finalizo minha indignação citando a célebre frase de Pero Vaz de Caminha, escrita em 1º de maio de 1500, destinada ao Rei Dom Manoel que diz:
“... Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem...”
Até a próxima com o Meio Ambiente!

Haroldo Cordeiro Filho
Produtor-executivo do Jornal Fatos & Notícias
Coordenador-geral da ONG Educar para Crescer


 



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