07 de fevereiro de 2018

O combate que exterminou Hitler

Em "A Batalha das Ardenas", o historiador Antony Beevor conta como recrutas despreparados rechaçaram o poderio do exército alemão, num dos episódios mais sangrentos da Segunda Guerra Mundial

 

Redação Fatos & Notícias

Ataque aéreo no céu aberto nas Ardenas permite o avanço letal dos aviões americanos (Foto: Divulgação)
 

O  historiador inglês Antony Beevor, de 71 anos, é famoso por pesquisas que mudaram e até subverteram a visão sobre a Segunda Guerra Mundial. Em livros como “Stalingrado” (1998) e “Berlim 1945 – A Queda”, ele forneceu detalhes de documentos não pesquisados que demonstraram a força do acaso nas campanhas militares, tão importante quanto o planejamento dos generais. Assim, um fato improvável é capaz de mudar o destino de uma guerra e de uma nação. Foi com a abordagem relativista que Beevor escreveu o livro “A Batalha das Ardenas — A Cartada Final de Hitler”, publicado em 2015 e lançado na semana passada no Brasil pela editora Planeta. Com base em arquivos militares e nas memórias de testemunhas, ele demonstra que a também chamada Ofensiva das Ardenas consistiu na causa essencial para a vitória aliada na Segunda Guerra Mundial. Também o acaso fez o papel de protagonista.
Em entrevista à IstoÉ, Beevor explica que escolheu o assunto para corrigir um erro histórico: a afirmação de Josef Stalin de que ele salvou os americanos quando invadiu Berlim. “Os russos reivindicam até hoje que derrotaram sozinhos os alemães. Isso não é verdade”, diz.

Vladimir Putin adora repetir isso. Mas a vitória americana nas Ardenas aniquilou a retaguarda alemã e permitiu que o Exército Vermelho logo depois atacasse o rio Vístula e alcançasse o rio Oder em apenas duas semanas”.

Outra lacuna que ele preenche é a da descrição dos crimes de guerra. Até então, os historiadores tentavam absolver os Aliados. Mas ambos os lados foram arrastados à barbárie. Beevor revela ainda a rivalidade entre os comandantes.
“O general britânico Montgomery se portou com tamanha arrogância perante os generais americanos que as relações entre Grã-Bretanha e Estados Unidos azedaram por algum tempo”, diz. O anátema do chanceler alemão Adolf Hitler quase se realizou: ele profetizou que a coalizão dos Aliados imploridiria por causa de velhos rancores entre regimes diferentes — e até opostos.
A Batalha das Ardenas constituiu o episódio mais brutal, dramático e decisivo no front ocidental durante a Segunda Guerra. Hitler se mostrava desnorteado — “como por efeito de drogas”, diz Beevor — por causa do atentado que sofrera em 20 de julho de 1944 e precisava mostrar força. Ordenou então um ataque surpresa que desmoralizasse as tropas estacionadas na fronteira com a Bélgica, sabidamente formada por soldados novatos. Dali, os alemães partiriam para a reconquista do porto de Antuérpia. Mas eles penetraram num vórtice de violência e confusão.

“Os russos reivindicam até hoje que derrotaram sozinhos os alemães. Isso não é verdade”, Antony Beevor, historiador (Foto: Divulgação)

Entre 16 de dezembro de 1944 e 29 de janeiro de 1945, sucederam-se fuzilamentos sumários de prisioneiros, tentativas de assassinato de generais e cenas de pânico e massacre de civis. Houve até combates corpo a corpo em meio à névoa e às nevascas, como não acontecia desde a Primeira Guerra Mundial. A Valônia — região montanhosa da floresta das Ardenas, na fronteira entre Bélgica, França e Luxemburgo — serviu como cenário de lances sensacionais. Pela primeira vez, soldados negros combateram e foram condecorados. Houve missões arriscadas, como a tentativa alemã de penetrar a linha inimiga com soldados disfarçados de americanos. As baixas aliadas e alemãs se equivaleram, segundo Beevor: 80 mil alemães e 75.482 americanos e 10 mil britânicos, entre mortos, feridos e desaparecidos.
Além de ter desencadeado eventos sangrentos, a batalha definiu a Segunda Guerra. A ofensiva alemã sobre o inimigo aparentemente desprotegido abalou a estrutura do exército alemão, esgotou seus recursos e enterrou o projeto de Hitler de conquistar o mundo . A partir das Ardenas, a Alemanha desmoronou: as fronteiras se desguarneceram, o que facilitou o ataque final.
“O maior erro da liderança nazista foi a soberba”, diz Beevor. Os estrategistas alemães subestimaram o valor de milhares de recrutas que resistiram à morte para permitir que os Aliados trouxessem reforços e pudessem finalmente conquistar a Alemanha.

Fonte: IstoÉ



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