28 de novembro de 2017

Sobre o medo, a superproteção e os resultados de nossos atos no futuro de nossos filhos um olhar maternal e psicológico da animação Frozen - Uma Aventura Congelante

Redação Fatos & Notícias
Por Karin Alessandra Pereira

Embora Elsa seja a estrela, é Anna o maior exemplo do filme (Fotos: Divulgação/Disney)

Se você é mãe, especialmente de uma menina, certamente assistiu à animação “Frozen - Uma Aventura Congelante”. 
O filme, lançado no Brasil em janeiro de 2014, tornou-se uma febre entre as meninas, que se apaixonaram por Elsa, a princesa com poderes sobre a neve. Mesmo em 2017 é comum ver festinhas de aniversário com o tema Frozen e pessoas de todas as idades cantando as músicas da animação.
Cheio de magia e aventura, o filme conta a história de amor entre duas irmãs, mas vai muito além disso. É possível tirar profundas lições sobre o medo, a superproteção, a aceitação, a superação e o amor. 
Constantemente me vejo ruminando sobre os motivos que fazem alguns assuntos (reais ou da ficção) terem mais repercussão que os outros, certamente há muitas variáveis envolvidas nessa questão, mas como psicóloga, sempre me debruço sobre o aspecto emocional mobilizado. Penso que esse filme é extremamente tocante porque Elsa consegue se libertar de seus medos e sentir-se livre.
Entretanto, só o amor de sua irmã é capaz de curar sua alma e permitir sua autoaceitação completa.  E aí me vem a pergunta, o que será que isso tudo tem a ver conosco? Por que nos mobiliza tanto? Não sei ao certo, mas, certamente, diz alguma coisa sobre quem somos e como vivemos, não é?
Vamos ao filme? A história começa com as irmãs brincando no grande salão do palácio real no meio da madrugada felizes e unidas. Elsa faz magias e cria um verdadeiro parque de diversões gelado até que ocorre um acidente que fere Anna, a família corre para socorrer a menina, todos assustados... A cura é alcançada, mas apagam-se as memórias de Anna sobre a magia da irmã e alerta-se Elsa sobre a beleza e o perigo de seus poderes, especialmente se ela for dominada pelo medo. A história toda se desenrola a partir daí, e o medo dá o tom do que passa a acontecer. 
Amedrontados, os pais, ainda que muito amorosos e com instinto superprotetor, isolam a família, fecham o castelo, e um novo mantra é ensinado a Elsa: “encobrir, não sentir, não deixar saber”. Todas as escolhas são feitas sob o domínio do medo, com intuito de esconder e negar aquilo que ela tem de mais especial, seus poderes, aquilo que ela é. Ocorre que, quanto mais medo os pais têm, mais medo a menina tem e menos controle sob sua magia demonstra, a culpa cresce, o instinto protetor cresce e o isolamento do castelo já não é suficiente, Elsa se isola em seu quarto, afasta-se da irmã para protegê-la de si mesma, ambas perdem a infância.


Diferente do que alguns pensam Elsa não cresce fria e, sim, no frio, cresce com medo e culpa, a tristeza o horror de si mesma, de sua “maldição”, ela não perde o amor e a bondade que tem dentro si, eles apenas ficam sufocados pelo medo. Anna, por outro lado, cresce uma moça carente, sonhadora e ingênua. Ela é amor puro, mas sente uma dor profunda por ter sido “abandonada” pela irmã. Apenas quando ela descobre os poderes da irmã é que tudo passa a ter sentido e ela percebe que não foi abandonada, e, sim, protegida de algo que preferia não ter sido protegida. 
Embora Elsa seja a estrela, é Anna o maior exemplo do filme, é dela que vem a maior lição de todas, aquilo que deveríamos aprender a ser: AMOR VERDADEIRO, GENTILEZA, ACEITAÇÃO, DETERMINAÇÃO, CONFIANÇA, CORAGEM! Essa é Anna, obrigada Anna! Você é a verdadeira heroína do filme!
De toda essa história, se eu pudesse dar apenas uma dica aos papais e mamães de plantão, seria: “Se seu filho tem algo diferente, alguma característica, algum comportamento, algum interesse, e isso te assusta ou você não entende, estude, busque, conheça, se aproxime, aceite antes de negar, de tentar controlar, de tentar esconder. Você tem o poder de mudar o destino de seu filho, você tem o poder de fazê-lo sentir-se bem consigo mesmo, acredite!
Evitemos que nossos filhos precisem fugir de nós para sentirem-se livres, pra que possam ser eles mesmos, evitemos que eles carreguem a dor e o frio em suas vidas, evitemos que eles precisem estar sós para serem felizes. Evitemos que seu hino seja o LIVRE ESTOU de Elsa”:

Livre Estou
Taryn Szpilman

A tempestade vem chegando e já não sei
Não consegui conter, bem que eu tentei
Não podem vir, não podem ver
Sempre a boa menina deve ser
Encobrir, não sentir
Nunca saberão
Mas agora vão
Livre estou, livre estou
Não posso mais segurar
Livre estou, livre estou
Eu saí para não voltar
Não me importa o que vão falar
Tempestade vem
O frio não vai mesmo me incomodar
De longe tudo muda
Parece ser bem menor
Os medos que me controlavam
Não vejo ao meu redor
É hora de experimentar
Os meus limites vou testar
A liberdade veio enfim
Pra mim
Livre estou, livre estou
Com o céu e o vento andar
Livre estou, livre estou
Não vão me ver chorar

Beijo e até a próxima!

Karin Alessandra Pereira
CRP 16/1164
Psicóloga formada pela PUC/SP
Especialista em Avaliação Psicológica - IPOG 
Mãe de Maria Beatriz



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