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É Isso Aí – Falência de um país

É difícil entender que um país seja passível de ir à bancarrota. A verdade é que ao longo da história existem vários exemplos de países que atingiram a lona, inclusive o Brasil, há cerca de 30 anos, no apagar das luzes de seu regime militar

Redação Fatos & Notícias
Texto: Jorge Pacheco

Aqui no nosso “É Isso Aí” volto a focalizar a visita feita pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, ao Congresso na última terça-feira (14) enfrentando os membros da Comissão Mista do Orçamento.
Paulo Guedes deitou falação exasperada para tentar convencer os parlamentares de que eles teriam que aceitar que – se não aprovarem o que estava sendo mostrado – o Brasil vai simplesmente FALIR!
O Brasil falir ministro? Vossa excelência não está exagerando?
Vamos tentar entender juntos o que é ou pode ser a falência de um país. É entendida como falência de um país o momento em que este, tal qual uma empresa, fica sem recursos para poder satisfazer os compromissos econômicos contraídos no plano externo, comprometendo, por conseguinte, a integridade do poder público no plano interno.

Ministro participou da Comissão Mista do Orçamento no Congresso (Foto: Adriano Machado/Reuters)

A atual crise financeira global tornou quase costumeiro o fato de que um banco, mesmo um dos grandes e famosos, possa falir. Entretanto, é difícil entender que um país seja passível de ir à bancarrota. A verdade é que ao longo da história existem vários exemplos de países que atingiram a lona, inclusive o Brasil, há cerca de 30 anos, no apagar das luzes de seu regime militar.
Uma verdade tem que ser dita: os problemas financeiros de qualquer país ocorrem geralmente quando há desvio de dinheiro por motivos estritamente políticos, que visam favorecer certo grupo com interesses específicos, em detrimento do conjunto daquele território em questão.
Como exemplo disso, pode-se citar a Espanha do século XVI, que enfrentou a sua primeira falência econômica por obra de Maximiliano I, que contraiu grandes dívidas entre os príncipes eleitores germânicos para que Carlos I, seu neto, pudesse se tornar seu sucessor e maior monarca do mundo. O resultado foi que, o Império Espanhol experimentou alguns poucos anos de glória, mas logo entrou em franca decadência, da qual até hoje colhe os frutos.
Mais recentemente temos o caso do Zimbábue, país do sul da África, onde o ditador Robert Mugabe, preside desde a independência do país, em 1980. De história conturbada, este território sofreu com um regime segregacionista promovido pelos colonos brancos estabelecidos à época do domínio britânico, que insistiam até mesmo em manter o nome de Rodésia, derivado de um infame capitalista colonial sul-africano. Ao fim do regime segregacionista, iniciou-se uma política de revanchismo, onde todas as políticas governamentais eram elaboradas particularmente para beneficiar a população nativa negra.
Fazendas, bens e contas em banco foram confiscados, muitos abandonaram o país a contragosto, e o resultado de tal política revanchista foi o declínio econômico em áreas onde o país antes apresentava números positivos. Hoje, o Zimbábue é responsável por números absurdos de inflação, inéditos na história de qualquer nação, sendo que o governo até mesmo chegou a imprimir a incrível cédula de cem trilhões de dólares zimbabuanos.
Atualmente, Grécia, Islândia, Espanha, Portugal, Irlanda sofrem com a crise iniciada no setor imobiliário dos Estados Unidos em 2008. Acostumados a receberem importantes financiamentos dos mandatários da União Europeia, estes países desistiram de investir nas próprias economias e passaram simplesmente a contar com as verbas provenientes dos fundos comuns da federação.

E o Brasil?

No caso do Brasil, o país chegou ao fundo do poço devido a políticas equivocadas do governo militar instalado. Ernesto Geisel, presidente da Petrobras pouco antes da Primeira Crise do Petróleo de 1973, ignorou completamente os avisos de alta estratosférica do petróleo, e como resultado, iniciou-se uma inflação que durou mais de vinte anos achatando os valores ganhos pelo trabalhador.
Em fins da década de 1980, o país não tinha como pagar suas contas, pois o que gastava com o petróleo, além do dinheiro retirado por investidores estrangeiros, tornava impossível equilibrar a balança de pagamentos, fazendo o país falir economicamente em 1979/80, em meio a não mais uma inflação, mas agora uma hiperinflação.
Então, o que diz o senhor ministro? Perante a Comissão Mista do Orçamento ele afirmou “O Congresso Nacional precisa aprovar o projeto de crédito suplementar de R$ 248 bilhões, necessários para governo conseguir fazer pagamentos do governo”.
De acordo com o ministro, sem o crédito, os pagamentos de subsídios param em junho, de benefícios assistenciais em agosto e, do Bolsa-Família, em setembro. “Tenho que apostar que o Congresso vai aprovar o crédito suplementar”!
Muito pessimista Guedes reforçou a necessidade de aprovação da reforma da Previdência e disse ainda que o crescimento desses gastos pode impedir a tentativa do governo de “salvar o País”. “Pode não dar tempo”, afirmou.
Ministro Guedes, por favor acredite, primeiro em sua própria e incontestável capacidade técnica e também neste novo governo, forte, formado pelo presidente Jair Bolsonaro e seu ministério militar.
Entretanto Paulo Guedes ponderou ainda que, como ministro da Economia, “manda muito pouco” e que não é ele quem decide onde são feitos cortes orçamentários, já que o presidente Jair Bolsonaro indica as prioridades do governo: “As pessoas acham que eu tenho muito mais poder do que eu tenho. O poder está em quem vai sancionar leis”, concluiu.
E é justamente o que vejo neste momento, mas Paulo Guedes, apesar de afirmar isso, defende suas convicções com veemência e enfrentou o Congresso que, simplesmente, calou, rendeu-se. E a decisão ou decisões, ficaram para a próxima semana.
Moral da história: “Quem cala, consente!”

É Isso Aí
Jorge Rodrigues Pacheco
Advogado, Jornalista, Radialista e Analista Político
jorgepachecoindio@hotmail.com

Haroldo Cordeiro Filho

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Jornalista haroldojornalfatosenoticias .es@gmail.com
Luzimara Fernandes

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Jornalista redacaojornalfatosenoticias .es@gmail.com
Rafaela Rangel

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Nutricionista CRN-ES 08100271-rafaelarangel. nutricionista@gmail.com
Jorge Pacheco

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Advogado, Radialista e Jornalista redacaojornalfatosenoticias .es@gmail.com

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