Política

Delegado federal diz “não” a grupo político de Audifax Barcelos

“Não posso receber um passivo do Audifax para administrar, tenho que implementar as minhas ideias, com total independência. Foi isso que me fez recusar a proposta de fazer parte do grupo do prefeito”

Texto: Haroldo Cordeiro Filho

Em entrevista exclusiva concedida ao Fatos & Notícias, o pré-candidato a prefeito pelo município da Serra, delegado federal Márcio Greik (PRTB), falou sobre a tentativa frustrada do atual prefeito Audifax Barcelos de convidá-lo a compor seu grupo político para as eleições de outubro.
Informada sobre a reunião, que aconteceu em Morada de Laranjeiras, a coluna Olhar de uma Lente, não podia deixar de buscar mais informações e marcou um bate-papo com o delegado. Perguntado sobre a veracidade da informação, Márcio Greik disse que foi realmente procurado por assessores diretos do prefeito Audifax e que, na reunião, foi convidado a fazer parte do grupo.
“Disse não, e o disse porque tenho um projeto que não coaduna com o do prefeito Audifax. Ser parte do grupo do atual prefeito é fazer parte do Rede Sustentabilidade, da esquerda. O Rede tem dois senadores que são Fabiano Contarato e Randolfe Rodrigues, que são de esquerda radical, de oposição ao governo Bolsonaro. Como pré-candidato da direita, onde o meu partido, o PRTB, é o do vice-presidente, general Mourão, apoio o Bolsonaro, então, não tem nada a ver com o grupo do Audifax e, por isso, nesse momento, disse não”, explicou Greik.
Para ele não se pode confundir aliança e apoio. “Na minha visão, aliança é diferente de apoio. Se o Audifax ver que sou a melhor opção para administrar a prefeitura da Serra e der a mim o apoio dele, eu recebo, não só dele como de qualquer um que identificar no meu projeto o mais viável e o mais completo para o município. Agora, simplesmente fazer parte do grupo, hoje não me interessa. Sou a renovação e um discurso de renovação não combina com um discurso de continuidade. Entre ser a continuidade da política que a gente vem tendo com Audifax e Vidigal, e ser a renovação, continuo com o meu discurso renovador”, enfatiza.
“Veja como se desenha o cenário político da Serra. Nós temos o Audifax, com aproximadamente seis partidos em baixo do braço, temos o Vidigal com outros seis partidos de baixo do braço e o governador Casagrande com três partidos entregues ao Bruno Lamas. Então, na minha visão, esse é o domínio territorial da política na Serra”, critica.
Para o delegado Márcio Greik, a política é como um projeto de construção. “Quando vamos construir uma casa, precisamos de um projeto que tenha início, meio e fim. Você não pode começar uma construção com lajota e decidir no meio dela que vai terminar com madeira”, exemplifica.
Sobre o futuro da sua carreira política, Márcio explica que é o de romper com esse ciclo Vidigal-Audifax. “O meu projeto para essa eleição é ser prefeito, e isso está ligado a Bolsonaro e ao general Mourão e, mudar essa rota, seria mudar a estrutura que eu implementei. A minha visão de administração para a Serra, choca com o modelo de administração imposto nesses últimos 24 anos, com a dobradinha Audifax e Vidigal”.
“Não acredito que alguém da área da Saúde consiga gerir uma pasta como a da Habitação, por exemplo. No modelo de gestão do atual prefeito, o secretário está na Saúde hoje e amanhã, pode estar na de Obras. Não acredito que um professor tenha conhecimento necessário para geração de emprego, produzir renda. Professor teria que ser secretário de Educação. O secretariado de município precisa ter um corpo técnico, gente com a mais alta qualificação”, critica.
“Não posso receber um passivo do Audifax para administrar, tenho que implementar as minhas ideias, com total independência. Foi isso que me fez recusar a proposta de fazer parte do grupo do prefeito”, finalizou.

Não acredito que alguém da área da Saúde consiga gerir uma pasta como a da Habitação, por exemplo. No modelo de gestão do atual prefeito, o secretário está na Saúde hoje e amanhã, pode estar na de Obras. Não acredito que um professor tenha conhecimento necessário para geração de emprego, produzir renda. Professor teria que ser secretário de Educação. O secretariado de município precisa ter um corpo técnico, gente com a mais alta qualificação”
Haroldo Cordeiro

Haroldo Cordeiro

Jornalista – DRT: 0003818/ES Coordenador-geral da ONG Educar para Crescer

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