Esportes

A busca e o profissionalismo de Roberto Franklin

“Você tem que ter valores éticos que sustentem suas ações!”

Professor, gestor, administrador, empreendedor, advogado… O céu é o limite para Roberto de Almeida Franklin. Apaixonado por esportes, ele foi atleta e um dos fundadores da Associação de Surf do Estado do Espírito Santo (ASEES). Sem perder o ritmo ele criou uma revista de esportes de ação, participou de rádio alternativa e, como profissional de Educação física, se tornou uma referência quando o assunto é academias de musculação.
Dono de um currículo invejável, Roberto Franklin sempre procurou estar atento a todas as novidades do setor e é um incansável profissional que, aos 56 anos, permanece na eterna busca de novos aprendizados.
A Ser Esporte tentou descobrir de onde vem tanta energia e obstinação para encarar tantos e novos desafios.

Como começou a sua relação com os esportes?
Em 1975 eu morava em Jardim América (Cariacica) e a turma da rua começou a andar de skate. Como não havia locais adequados para a prática, nós invadíamos algumas casas que tinham garagem ou quintal cimentado para praticar o esporte que, na época, nem era considerado esporte. Havia muita discriminação e preconceito, mas era desafiador e como autêntico adolescente, esses desafios me estimulavam.
Na turma do bairro tinha um grande amigo, Darli Pereira Falcão que tinha e tem até hoje uma casa em Jacaraípe, a duas quadras da Praia do Solemar. Dessa forma foi uma coisa natural integrar o surf ao meu estilo de vida.
Na mesma época eu comecei a competir no skate e no surf, obtendo alguns bons resultados. Quando entrei na faculdade de Educação Física da Ufes, logo no primeiro período, comecei a fazer capoeira no grupo Beribazu com o Mestre Orelha, onde treinei por alguns anos, até entrar para o grupo Abadá do Mestre Capixaba.

Entre 1993 a 1985 você criou a revista Expressão. Como surgiu a ideia e quais eram os esportes que ela abordava?
Nossa, essa revista foi uma grande diversão! Dava trabalho, mas era muito divertido!
A ideia surgiu devido à escassez de veículos que divulgassem os esportes de ação na época. Como não existia internet, ficávamos frustrados, pois líamos as revistas nacionais e o esporte local não tinha um veículo que mostrasse o que estava acontecendo aqui.
Tinha na época a revista Backwash, do meu amigo Dener Vianez, que era especializada em surf, mas a minha ideia era fazer uma que divulgasse tudo o que acontecia no cenário esportivo capixaba. Nós cobríamos surf, skate, motocross, voo livre, pesca oceânica, bicicross, triátlon… tudo o que rolava de esporte de ação. Inclusive tínhamos correspondentes em todo o Estado. Era incrível como as pessoas aceitaram o projeto. Chegava material de todos os lugares do Espírito Santo. Contamos também com patrocinadores fortes como: Governo do Estado do Espírito Santo; Assembleia Legislativa; Prefeitura Municipal de Vitória; Moto Honda; Free Action dentre outros. Um importante patrocínio era do laboratório Henrique Bucker. Ele fornecia filmes e revelação das fotos, o que garantia que eu pudesse obter bastante material. Isso foi fundamental para que a revista se desenvolvesse, pois era tudo muito caro.
Uma coisa que quase ninguém sabe, é que a revista surgiu de um programa de rádio na Rádio Universitária da Ufes. Na época, o Anderson Bacana comandava uma rádio experimental FM, que ficava em frente ao restaurante universitário, e o sinal pegava em Jardim da Penha e entorno. Quase ninguém sabia da rádio, apenas os alunos da faculdade e os que frequentavam o restaurante que eram literalmente “obrigados” a acompanhar a programação. O nome do programa era “Agente Laranja” e tocava o som que rolava nos campeonatos. Além das músicas, tinha entrevistas com atletas e também resultados das competições. Era a Revista esportiva no rádio.

Fale-nos da experiência de ter sido um dos fundadores e presidente da Associação de Surf do Espírito Santo.
Logo no início dos anos 80 eu estava começando a competir no surf, mas logo sofri um acidente e rompi o músculo bíceps, que me deixou de molho por um ano sem praticar nenhum esporte. Quando retornei, em 84, conheci o Joel Pedreira da Silva, o “JJ” que, na época, era mais experiente que a maioria dos surfistas locais do Solemar e tinha uma visão diferente para o esporte que mudaria a minha vida e colaboraria para a minha estruturação profissional. Ele me convidou para fundar juntamente com outros surfistas locais a Associação de Surf do Estado do Espírito Santo (ASEES), onde assumi a gestão e realizamos, neste período de formação, estudo de regras, projetos para captação de recursos e muitos eventos.

No início dos anos 90, você se forma em Educação Física. Quais foram os fatores que contribuíram para que o seu foco fosse as academias?
Foi natural, pois eu já vinha atuando em academias desde 1986. A primeira experiência em academia foi a Performance, em Campo Grande, que pertencia ao Everton Siqueira “O Rambo Brasileiro”. Os atletas que conviviam comigo me procuravam para fazer a preparação física, trabalho individualizado, que na época era inovador. Inclusive fomos fazer um treino na praia de Camburi, em frente ao Hotel Aruan com o atleta de squash Fernando Gianordolli e até a TV Gazeta apareceu para saber da novidade. Não existia personal trainer, até que um dia no início de 1990, passou uma matéria no Fantástico falando que uma nova profissão estava fazendo sucesso em Hollywood: O “personal trainer”. Na segunda de manhã eu apareci na academia com um cartaz feito de pincel atômico escrito: Roberto Franklin — Personal Trainer. No outro dia consegui o meu primeiro cliente que foi o Betinho Sartório, piloto de corrida de carros. Fizemos uma parceria que durou 20 anos. Nesse período consegui muitos outros clientes. Eram empresários, pessoas comuns e grandes atletas e dentre eles o renomado atleta olímpico de vôlei de praia Loyola.
Assim, o esporte me levou ao ambiente das academias onde estou até hoje. Apesar de exercer outras profissões, é um ambiente muito legal em que você conhece muita gente!

Roberto Franklin, equipe e determinação (Foto: Arquivo pessoal)

Você é um profissional da área com um currículo invejável de cursos, formações…dentre elas a de consultor de montagem de academias. Além da formação, quais são as qualidades que esse profissional deve ter?
Uma palavra resume a resposta a essa pergunta: EMPREENDEDORISMO. Você tem que ser empreendedor. O empreendedor tem características que são imprescindíveis ao desenvolvimento de qualquer carreira. Você tem que ter também valores éticos que sustentem suas ações!

Quais os desafios de um gestor de academias?
Não só gestor de academias, mas todos os gestores de qualquer tipo de empresa precisam se manter atualizados em termos de mercado. Sempre buscar conhecimento sobre pessoas, estratégias, finanças, marketing etc.

Cada dia mais as empresas estão se conscientizando que é importante a atividade física fazer parte da vida dos seus funcionários (Laboral). Com a sua visão de advogado e consultor de diversas empresas, quais são os benefícios dessa atividade no dia a dia?
Você saudável e bem condicionado raciocina melhor e produz muito mais. Não adianta ganhar muito dinheiro e perder toda a saúde. O próprio governo tem estimulado a população a praticar exercícios físicos para melhorar a saúde e a qualidade de vida. Com isso, os gastos com o tratamento de doenças são diminuídos.

A carreira na advocacia é recente. Quando e por que decidiu encarar esse desafio e quais os seus planos nessa nova empreitada profissional?
Uma coisa me levou a outra. O esporte me levou à Educação física e às academias, as academias me levaram à gestão, a gestão me levou à consultoria e a consultoria me levou ao Direito.
Foi vivenciando o mundo empresarial como consultor, que me senti impelido a ingressar no mundo do Direito. Eu levei três anos pensando e, aos 48 de idade, resolvi entrar na faculdade novamente. No meio do curso resolvi fazer uma pós-graduação em Direito Tributário e coloquei como meta me formar e passar na OAB no 9º período e foi o que aconteceu.
Hoje tenho me surpreendido com o Direito. Sou membro da Comissão de Direito Tributário da OAB/ES, estou fazendo Mestrado em Direito Processual na Ufes e estou advogando. Em 2019 participei de diversos projetos da comissão, inclusive tive minha primeira participação no Congresso Brasileiro de Direito Tributário que foi realizado aqui em Vitória. Estão ainda nos meus planos assumir uma cadeira como professor universitário e me aprofundar cada vez mais na advocacia.

Roberto & Isabela, dobradinha em prol da boa saúde (Foto: Arquivo pessoal)

Você possui vários vídeos onde dá dicas de gestão e empreendedorismo. O que é preciso basicamente para ter sucesso em qualquer área?
Atitude. Com atitude você busca todas as habilidades e recursos necessários para se desenvolver e também fazer crescer o seu negócio!

O Governo do Espírito Santo liberou o funcionamento das academias a partir do último dia 25 de junho, depois de elas estarem fechadas por mais de quatro meses. Como gestor de academia, quais são os procedimentos que estão sendo usados para garantir a segurança dos seus clientes?
Primeiro, tenho que deixar registrado que a portaria publicada pelo governo liberando as academias mais prejudicou do que ajudou. Foram criadas normas iguais para academias desiguais, ou seja, as mesmas normas de limitação de número de clientes que funcionam para um estúdio, eles aplicaram sem nenhum critério para as academias médias e grandes, e isso foi extremamente prejudicial!
Mas quanto aos procedimentos, estamos seguindo as orientações da portaria 100-R do Governo Estadual e da OMS: utilização de tapete sanitizante; disponibilização de álcool 70% para os clientes; funcionários com máscaras e protetor facial; distanciamento entre os clientes; treinos com agendamento e com número limitado a um aluno a cada 15 m² e higienização de todo o ambiente após cada treino. Essas são algumas das ações que estão sendo tomadas para garantir que nossos clientes treinem com segurança.

Na sua opinião como vai ser o “novo normal” nas academias e o que podemos tirar como lição deste primeiro semestre nebuloso que passamos?
Acredito que hábitos como lavar as mãos várias vezes ao dia e a utilização de máscaras quando estiverem gripados serão integrados ao nosso dia a dia. A lição é que temos que ter mais empatia com os outros. Temos que ser mais solidários e saber que nossas ações individuais podem contribuir para salvar ou prejudicar muitas pessoas!

Treinamento com segurança e profissionalismo. Procure a academia certa.
Planet Fit — Academia de Musculação
Telefone: 27 3094-9688
Endereço: Rua Dionísio Abaurre, 21, Jardim Camburi, Vitória, ES.
Horário de funcionamento: segunda a sexta de 6h as 12h e 16h as 21h.
Prof.ª Isabela Benjamim CREF 1.791-G/ES

Prime academia — Academia de Musculação
Telefone: (27) 99521-1088
Endereço: Rua Ceará, nº 225, Praia da Costa, Vila Velha — ES
Horário de funcionamento: segunda a sexta de 6h as 12h e 15h as 21h.
Prof. Roberto Franklin CREF 0143-G/ES

Laércio Fraga

Laércio Fraga

Professor de Educação Física.

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  1. Avatar

    Roberto Franklin sempre foi um líder… Criativo… Inovador… Tudo o que ele faz é pensando no grupo.. na sociedade… Tive a oportunidade de trabalhar com esse cérebro… Motivador e orientador… Lembro mt bem de uma frase que Roberto me falou e que me fez abrir os olhos para a vida profissional: “… Marron… É preciso fazer novas formacoes… novos conhecimentos… não ficar sempre no mesmo lugar…” Tenho orgulho desse cara!!

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