Comportamento

Paixão, amor e outros devaneios

Lembra de quando se conheceram? Toda aquela química no ar, o tempo que não passava nunca quando estavam prestes a se encontrar, a construção de sonhos, a cumplicidade, os abraços aconchegantes, coração acelerado e, num dia, você acordou e percebeu que queria ficar com aquela pessoa pelo resto de sua vida.
O que te fez se apaixonar por ela ou ele, foram seu comportamento, seu jeito de ser, o que gostava de fazer, o que gostava de falar, o modo que te tratava…e você demonstrou sua melhor versão, na intenção de fazê-lo te amar. Quando estamos apaixonados fazemos surpresas, declarações, vamos a lugares que nem gostamos tanto, relevamos, perdoamos, pedimos perdão e nos esforçamos para que aquilo dê certo, tudo para despertar a paixão e o interesse no outro.
Com o passar do tempo, ambos se acomodam por não haver mais a necessidade da conquista. E esquecemos de continuar cultivando aqueles sentimentos. Aqueles pequenos detalhes, que eram tão especiais no outro, se tornam normais e deixamos de o admirar como antes. E, por já haver se estabelecido um relacionamento mais estável, a motivação por satisfazer e despertar a paixão no outro diminui.
Nos acomodamos e só relaxamos. Não quer dizer que o amor diminui, mas aquela paixão e o empenho em fazer o outro nos amar, sim. Simplesmente por nos sentirmos vitoriosos e acharmos que não é preciso mais esforço.
É aí que tudo cai na rotina. Não é que seja ruim ter uma rotina, pelo contrário, pode ser muito bom. Mas coisas especiais têm que permanecer nessa rotina, para que ela não seja maçante e previsível.
Aquilo que você era, aquelas qualidades e comportamentos que apresentou para o outro, de alguma forma tem que continuar existindo. Você é muito mais que aquilo, cheio de defeitos, crenças e padrões de comportamento falhos, limitantes e chatos! Mas, também, é formado por aquelas qualidades e muitas mais!
Agora, se você passa a demonstrar só o outro lado, esquecendo de nutrir a paixão e de se dedicar a renascer a cada dia naquele coração, você deixa de ser aquela pessoa por quem o outro se apaixonou. Consegue compreender isso?
Da mesma forma, quando você passa a ver muito mais os defeitos do outro, mais apagada fica a chama daquela paixão. Daí vêm as desavenças, as brigas, a tristeza, o sofrimento…
A relação futura que foi construída no íntimo de cada um, o sonho de relacionamento, forma de vida, se baseou naqueles primeiros meses e anos de vida a dois. De certo vocês irão crescer, se desenvolver, evoluir. Mas não podem se esquecer que o outro está ali, com suas expectativas e sonhos.
De repente, você se torna a pessoa que solta pum, que tem mau hálito pela manhã e nem sempre está de bom humor. Se você esquece de deixar aqueles recadinhos de amor, se esquece de chamar para sair ou ligar durante o dia só pra dizer que ama, muito pouco daquilo que era continua presente.

(Foto: Helmut Gevert/FreeImages)

Um casamento é uma união que torna o caminho mais leve no decorrer da estrada. Para quando cairmos, termos alguém para nos levantar. Para poder ser visto por outra pessoa, além de seu próprio olhar sobre si mesmo. É para manter nosso coração aquecido de carinho e tesão, para nos motivar a crescer e ser uma pessoa melhor a cada dia.
Por isso, precisamos de muita dedicação, paciência, compreensão, humildade, carinho, amizade… porque conflitos virão. E aí é necessário se recordar de todas essas qualidades que vocês têm, e colocá-las em prática. Lembrando do desejo de despertar o amor e nutrir a paixão um no outro.
Tenha um olhar honesto sobre si mesmo e compreensivo sobre o outro. Se está complicado, se a paixão se desgastou e os problemas parecem ser intermináveis, mudem. Uma boa conversa sincera, clara, escuta ativa e fala passiva, vão ajudar a reencontrar um no outro aquela pessoa especial com quem decidiram dividir a vida.

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