Comportamento

Saúde mental em tempos de caos total

Estamos vivendo tempos realmente desafiadores. Um caos instaurado, dentro e fora. Estamos cercados por notícias perturbadoras no âmbito da política, da segurança e da saúde, principalmente. Vivemos na incerteza do porvir e na instabilidade financeira. O medo do próprio futuro e esse diálogo mental que tortura. Bom, ao menos a maioria de nós.
Consciência e ignorância têm conversado intimamente, e ainda não chegaram a um senso comum. A disputa de egos não trouxe vitória a nenhum dos lados. E, nesse momento, vencer pode significar perder.
A empatia é coadjuvante e o equilíbrio, mero espectador. Internamente, engolimos o choro, o medo, a alma… Quantos de nós já choraram a perda de entes queridos? Quantos de nós já choraram a eminência de ser o próximo? Um inimigo invisível e comum, que não escolhe idade, cor, status ou crenças.
Lidar com o isolamento ou lidar com o perigo? Para alguns, o isolamento pode ser a pior das sensações: impotência, solidão ou depressão. Para outros, tem sido um momento de autodescoberta, desenvolvimento do amor próprio, tempo de qualidade para si mesmo.
Estar em isolamento significa lidar consigo mesmo. Olhar e conviver de perto com as próprias mazelas e verdades internas. Mas isso tudo já estava ali, só não parávamos para ouvir. Não foi a pandemia ou o isolamento em si, que causaram tais dificuldades. Só desencadearam mais rapidamente um problema que cedo ou tarde precisaria de atenção.
Esse é o momento em que as alegrias ou as tristezas se intensificaram. Não por culpa de alguém, do governo, da doença ou dos hospitais. Mas por aquilo que já era, que já existia ali dentro. O que podemos aprender com tudo isso, é o reforço de que nada controlamos, além de nós mesmos. Nossos sentimentos, pensamentos, atitudes, escolhas.

Renderização 3D de um histórico médico com células de vírus (Foto: Freepik)

O que toca ao outro, só representa o que o outro é, e nada do que sentimos ou pensamos tem o poder de afetar alguém além de nós mesmos. A revolta ou o ódio são um veneno que tomamos na intenção de fazer o outro morrer.
O tempo nos pede para olharmos para dentro, nos tornando donos e senhores de nossos sentimentos e pensamentos. O estado mental e emocional que experimentamos, é fruto do que nós mesmos plantamos e nutrimos no decorrer da nossa vida.
Não existe certeza sobre o futuro. Entre escolher viver bem pelo tempo que for ou viver amargurado e prisioneiro de si mesmo, a melhor escolha é aquela que liberta e fortalece.
A empatia é algo que só podemos oferecer, não podemos cobrar de ninguém. Cada um dá o que tem, e nossa tarefa é cultivá-la dentro de nós. Viver o agora, com a maior alegria que pudermos, é nossa missão. Por nós mesmos e por nossos queridos. Essa é a memória que irá permanecer para além da vida, e ela só existe no agora!

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