Comportamento

As mentiras que a mente conta

A única coisa que está ao nosso alcance, é cuidar e transformar o que está dentro da gente

A maioria de nós acredita piamente nas justificativas que nosso cérebro dá. Quando recebo um cliente em meu consultório trazendo queixas como depressão ou ansiedade, logo ele faz um discurso atrelando esses sentimentos a seus pais, relacionamentos ou situações vividas. Mas, em seu discurso, o que verdadeiramente é real é sua impressão sobre aquilo que aconteceu. Ou seja, suas emoções, como ele se sentiu diante das situações vividas.
As emoções são as sensações físicas que experimentamos. O aperto no peito, o nó na garganta, as mãos geladas, o coração acelerado, um calor interno… a maneira de explicarmos isso é através de palavras, o que chamamos de sentimentos. Amor, raiva, culpa, ansiedade, tristeza…
Por isso, os sentimentos são coisas diferentes para cada pessoa. Primeiro porque o corpo de cada um reage de maneiras diferentes aos estímulos, depois porque nosso vocabulário é restrito demais para significar tantas sensações! De uma forma ou de outra, tentamos justificar conscientemente o que sentimos em nosso corpo, muitas vezes nos rotulando erroneamente ou, ainda, criando determinismos.
A história de vida e tudo que nela acontece, é totalmente diferente de uma pessoa para outra. E dizer que alguém sente isso porque aconteceu aquilo na sua vida é um ato falho. Evidência disso, é que muitos tratamentos não resultam em transformação significativa. Levando muitas pessoas a passarem anos e anos procurando culpas ou culpados, remoendo dores ou justificando as angústias, sem eliminar o sofrimento de suas vidas. Ou ainda se medicando, na tentativa de fazer a mudança física reverter um quadro emocional.
O que acontece é que, na maioria das vezes, as pessoas não estão buscando uma solução e, sim, um salvador ou alguém que valide suas dores.
Sim. Porque a solução precisa de ação, mudança, reconhecer e modificar atitudes. O que as outras pessoas fazem não tem o poder de determinar nossa vida, a não ser quando nós concedemos esse poder a elas. Entenda, carregar a dor ou sofrimento só faz mal a nossa vida. O outro vai continuar sendo o outro, agindo e pensando da forma que aprendeu. A única coisa que está ao nosso alcance, é cuidar e transformar o que está dentro da gente.
E não adianta saber fatos ou situações que nos fizeram mal. Isso, em si, não tem tanta relevância como muitos insistem em observar. O problema surge a partir da percepção individual que cada um tem sobre as circunstâncias, ou seja, a emoção que está relacionada a isso. Se bastasse apenas saber os motivos do sofrimento, as pessoas não teriam doenças e transtornos mentais e emocionais, pois seriam facilmente eliminados.

O cérebro é um universo a ser desvendado (Foto: Freepik)

Por trás de tudo isso existe o aprendizado, o padrão emocional que foi criado. E modificar isso exige um trabalho de reforma profundo. Nosso cérebro, ao longo da vida, cria as memórias e sinapses que correlacionam emoções e situações. Racionalmente, muitas vezes sabemos que não precisamos sentir determinadas emoções ou agir de determinadas maneiras. Porém, isso é automático, porque é mais fácil e economiza mais energia para nosso corpo, quando o cérebro cria esses caminhos fáceis de serem acessados.
Isso é o aprendizado, o padrão emocional, o script!
E por isso é tão difícil mudar essas sensações apenas percebendo que elas existem ou os momentos em que elas aparecem. A Hipnoterapia faz esse trabalho profundo, de reeducação mental e reintegração do sistema emocional. E é por isso que me encanta tanto! O cérebro é um universo a ser desvendado e quanto mais o vejo, mais me admiro. Ele é capaz de reaprender e se adaptar ao novo, sempre que o estimulamos a isso, ao que chamamos de neuroplasticidade.
Só é preciso a abordagem e a ferramenta corretas, para que essa transformação possa ser feita de forma eficaz e breve, sem que se precise passar anos olhando para a dor sem saber o que fazer com ela. E através dessa transformação que as verdades surgem, trazendo a liberdade e o prazer de volta!

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