Comportamento

O ser emocional

A mudança só acontece de dentro para fora, do emocional para o racional

Ao contrário do que a maioria de nós pensa, o ser humano não é um ser racional. Somos, em suma, seres emocionais. Mesmo que (e apesar de) utilizemos nossa capacidade cognitiva, ela sempre está sob o comando de algo muito maior: nossas emoções. E aí quando percebemos que o livre arbítrio é ilusório, entendemos o motivo de tantas insatisfações no decorrer da vida.
Isso porque utilizamos nossa cognição afim de justificar decisões e pensamentos. Mas esses, são sempre baseados em percepções emocionais que geram aprendizado e padrões comportamentais em nossas vidas.
Então todo pensamento, julgamento, decisão, justificativa, crença, desejo e dor que experimentamos foram aprendidos por nós. E mesmo com o desejo de fazer diferente quando isso nos gera sofrimento, não conseguimos. A força de vontade não basta para que a ação seja diferente, porque ela já foi padronizada e automatizada pelo seu cérebro.
E é principalmente em nosso meio familiar que são estabelecidas as crenças mais fortes e os padrões mais predominantes. Somos filhos do meio, isso é inquestionável. E aprendemos muito mais pelo que presenciamos e percebemos, do que pelo que nos é dito.
Por isso, não adianta um pai ou uma mãe dizerem para seu filho ser feliz, se ele crescer presenciando brigas, vendo a expressão de tristeza estampada em seus rostos e sofrer com a ausência afetiva dos seus genitores.
Quando adulto, ele vai correr atrás de algo desconhecido. Ele não aprendeu o que era essa tal felicidade ou como vivenciá-la verdadeiramente!
E o conflito cresce, gerando sofrimento. Uma parte dele quer viver uma vida mais abundante, leve e feliz. Observa lá fora e sabe que pode fazer diferente e ter uma vida melhor. Mas por mais que exista força de vontade, ele não consegue. O que comanda sua vida não é o seu desejo racional, é o aprendizado emocional, o script de vida que foi escrito durante seu desenvolvimento.
Isso tudo está em nosso cérebro. São as memórias, sinapses, conexões e redes neurais que se estabeleceram, gerando o aprendizado implícito. E a força que exerce sobre nós, é além do controlável racionalmente.
Basta se pensar em uma pessoa com depressão, por exemplo. Essa pessoa sabe que aquelas sensações estão gerando sofrimento nela e em sua vida, sabe que poderia ir passear, visitar os parentes, pensar em ‘coisas positivas’, fazer um exercício, conscientemente ela não quer sofrer!

As emoções se expressam constantemente em nosso corpo e em nossos pensamentos e é perceptível a qualidade com eles se manifestam (Foto: Freepik)

Mas ela não consegue agir de outra maneira e essa cobrança pode elevar ainda mais o quadro, fazendo com que ela se sinta incapaz ou inferior as outras pessoas, porque não consegue mudar o comportamento.
Por isso é tão importante a auto observação e o cuidado da saúde mental e emocional. As emoções se expressam constantemente em nosso corpo e em nossos pensamentos e é perceptível a qualidade com eles se manifestam.
Quando essa ‘coisa ruim’ dentro da gente aparece e que não conseguimos explicar o que é ou de onde vem, não adianta empurrar pra dentro e simplesmente não pensar. Ela permanecerá ali, crescendo e retornando cada vez mais forte. É preciso cuidar, tratar, transformar!
E a partir do momento em que eliminamos a necessidade de manter o sofrimento, começamos realmente a ser mais donos de nossas escolhas. Nosso emocional curado, nos permite ir em direção àquilo que desejamos, sem que as culpas, crenças negativas e padrões limitantes se tornem obstáculos.
A mudança só acontece de dentro para fora, do emocional para o racional.

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