{"id":18142,"date":"2021-05-12T16:48:34","date_gmt":"2021-05-12T19:48:34","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/?p=18142"},"modified":"2021-05-12T16:48:38","modified_gmt":"2021-05-12T19:48:38","slug":"17-milhao-de-tartarugas-sao-consumidas-por-ano-no-amazonas-e-possivel-um-manejo-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/12\/17-milhao-de-tartarugas-sao-consumidas-por-ano-no-amazonas-e-possivel-um-manejo-sustentavel\/","title":{"rendered":"1,7 milh\u00e3o de tartarugas s\u00e3o consumidas por ano no Amazonas. \u00c9 poss\u00edvel um manejo sustent\u00e1vel?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Estudo estima que diversas esp\u00e9cies de tartarugas de \u00e1gua doce e jabutis selvagens s\u00e3o consumidos em centros urbanos no estado do Amazonas<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 10 milh\u00f5es de anos, tartarugas gigantes \u2014 as maiores do planeta \u2014 habitavam a regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. <a href=\"https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/6\/7\/eaay4593\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">F\u00f3sseis encontrados em 2020<\/a> revelaram uma carapa\u00e7a de 2,4 metros de comprimento, com peso estimado de uma tonelada quando viva. As gigantescas criaturas deixaram de existir h\u00e1 muito tempo, mas a maior floresta tropical do mundo continua sendo o habitat de 17 esp\u00e9cies de quel\u00f4nios, incluindo c\u00e1gados e jabutis.<br>A tartaruga-da-amaz\u00f4nia (Podocnemis expansa), o maior deles, pode ultrapassar um metro de comprimento e atingir 65 kg. Al\u00e9m da import\u00e2ncia ecol\u00f3gica na dispers\u00e3o de sementes, os bichos de casco, como s\u00e3o chamados na regi\u00e3o Norte do Pa\u00eds, s\u00e3o uma antiga fonte de prote\u00edna para comunidades rurais e povos tradicionais. Mas, apesar da tradi\u00e7\u00e3o, o consumo elevado de ovos e carne de tartaruga pode incentivar a ca\u00e7a e o tr\u00e1fico que, nas cidades, abastecem um com\u00e9rcio ilegal preocupante.<br>Pensando nisso, a bi\u00f3loga Willandia Chaves, pesquisadora no Departamento de Conserva\u00e7\u00e3o de Peixes e Fauna Silvestre da Universidade Virginia Tech, nos EUA, decidiu calcular quantos quel\u00f4nios s\u00e3o consumidos no Amazonas.<br>A pesquisadora liderou <a href=\"https:\/\/conbio.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1111\/cobi.13663\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">um estudo\u00a0para contar o n\u00famero de tartarugas<\/a>\u00a0que acabam no prato de domic\u00edlios das zonas urbanas de dez cidades de tamanhos variados no estado, incluindo Manaus, a capital. Tamb\u00e9m participou da pesquisa David Wilcove, professor da Universidade de Princeton, entre outros colaboradores. A partir dos resultados de uma amostragem, foi poss\u00edvel fazer uma extrapola\u00e7\u00e3o, chegando ao expressivo n\u00famero de 1,7 milh\u00e3o de tartarugas consumidas em um \u00fanico ano. As esp\u00e9cies mais citadas pelos entrevistados foram a tartaruga-da-amaz\u00f4nia e o tracaj\u00e1. O estudo revelou que, quanto maior a cidade, menor o consumo por lar, sobretudo pela dificuldade de acesso, o alto valor do produto e a maior oferta de outras fontes de prote\u00edna, como frango e boi. Ainda assim, por ser a cidade mais populosa do Amazonas, Manaus responde por cerca de um ter\u00e7o desse total.<br>\u201cO problema \u00e9: mesmo que o consumo [nas cidades] diminua com o tempo, o crescimento populacional da zona urbana \u00e9 maior e acaba compensando essa diminui\u00e7\u00e3o\u201d, explica Chaves. \u201cNo final, a gente prev\u00ea um crescimento desse consumo ao longo dos anos\u201d.<br>A bi\u00f3loga Tha\u00eds Morcatty, pesquisadora da Universidade Oxford Brookes, no Reino Unido, e coautora do estudo, chama a aten\u00e7\u00e3o para outro fen\u00f4meno que diferencia os consumos rural e urbano: o tamanho da \u00e1rea impactada no entorno de cada local. Quanto maior o adensamento populacional, maior o impacto gerado ao redor dele. Pequenas comunidades dificilmente geram impactos significativos \u2014 com o entorno preservado, o decl\u00ednio de indiv\u00edduos raramente acontece. \u201cA gente j\u00e1 sabe que, para \u00e1reas rurais, h\u00e1 o deslocamento m\u00e9dio de um comunit\u00e1rio para ca\u00e7ar a um raio de cerca de seis quil\u00f4metros em torno da comunidade\u201d, diz Morcatty. Nesses seis quil\u00f4metros, portanto, as popula\u00e7\u00f5es de tartarugas seriam impactadas, mas, como os animais se movem bem mais do que isso, existe um sistema fonte-sumidouro, ou seja, uma grande \u00e1rea preservada que mant\u00e9m popula\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis de tartarugas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cNossa preocupa\u00e7\u00e3o hoje s\u00e3o ambientes rurais sem suporte [financeiro], em que o morador vai ca\u00e7ar e pescar para vender na cidade\u201d, esclarece Morcatty. \u201cIsso aumenta a press\u00e3o naquela \u00e1rea, j\u00e1 que ele n\u00e3o est\u00e1 tirando para comer, mas para vender, arriscando at\u00e9 mesmo o pr\u00f3prio suprimento\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Outro ponto observado no estudo foi que fam\u00edlias mais pobres em cidades t\u00eam menor probabilidade de incluir as tartarugas na alimenta\u00e7\u00e3o. \u201cOs quel\u00f4nios est\u00e3o passando a ser algo para quem pode pagar. \u00c9 um com\u00e9rcio muito valioso por conta do pre\u00e7o dos indiv\u00edduos, que aumenta cada vez mais\u201d, diz Chaves. Em Manaus, uma \u00fanica tartaruga chega a custar mil reais. O alto valor estimula a captura ilegal dos animais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"750\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/quelonios-da-amazonia-tartarugas-3.bmp\" alt=\"\" class=\"wp-image-18145\" srcset=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/quelonios-da-amazonia-tartarugas-3.bmp 1000w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/quelonios-da-amazonia-tartarugas-3-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/quelonios-da-amazonia-tartarugas-3-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption><em>Tartarugas-da-amaz\u00f4nia botam ovos em praia na Rebio do Abufari. Na hora da desova, as f\u00eameas deixam as \u00e1reas de igap\u00f3 em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s praias, onde permanecem at\u00e9 que os ovos eclodam e elas possam migrar junto com os filhotes. O processo inteiro dura seis meses (Foto: Camila Fagundes)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cTem demanda para tudo: ovos, filhotes e adultos. Em geral, o animal tem que chegar vivo na m\u00e3o do consumidor. Muitas dessas tartarugas s\u00e3o levadas nos recreios [um tipo de barco]\u201d, diz a m\u00e9dica veterin\u00e1ria Camila Ferrara, pesquisadora da Wildlife Conservation Society (WCS) especialista em quel\u00f4nios. Ferrara conta que h\u00e1 diferentes esquemas para contrabandear as tartarugas. \u201cTem muita gente que leva no casco desses barcos. Eu j\u00e1 vi acharem, atrav\u00e9s de den\u00fancia, um homem que tinha dois tanques de combust\u00edvel, um estava cheio de tartarugas\u201d. Os animais v\u00e3o parar em Manaus para abastecer um amplo mercado consumidor.<br>H\u00e1 d\u00e9cadas, o n\u00famero de apreens\u00f5es n\u00e3o reflete a dimens\u00e3o do problema. De acordo com Paulo C\u00e9sar Machado Andrade, engenheiro agr\u00f4nomo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), dados oficiais consolidados no final de 2020 pelo <a href=\"https:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/plano-de-acao-nacional-lista\/6799-plano-de-acao-nacional-para-a-conservacao-dos-quelonios\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional para a Conserva\u00e7\u00e3o dos Quel\u00f4nios Amaz\u00f4nicos<\/a> d\u00e3o conta de quatro mil animais apreendidos por ano desde 2012.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cO Ibama responde mais ou menos por 50% desse total. Esse n\u00famero \u00e9 inferior aos de 1992 a 2011, que eram, em m\u00e9dia, de cinco a seis mil bichos por ano. N\u00e3o quer dizer que diminuiu o tr\u00e1fico. Mas que a gente teve uma redu\u00e7\u00e3o nas a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o. Isso vem desde o ano de 2007\u201d, diz Andrade.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Hist\u00f3ria de explora\u00e7\u00e3o dos quel\u00f4nios<br><\/span><\/strong>Os quel\u00f4nios s\u00e3o consumidos em todo o mundo h\u00e1 s\u00e9culos. Seus ovos, carne, gordura e at\u00e9 casco s\u00e3o, at\u00e9 hoje, amplamente utilizados em muitos pa\u00edses. No Brasil, antes mesmo da chegada dos portugueses, <a href=\"https:\/\/www.redalyc.org\/pdf\/3940\/394054357018.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">tartarugas e jabutis j\u00e1 serviam como moeda<\/a>\u00a0de troca entre ind\u00edgenas de v\u00e1rzea e de terra firme. A partir do per\u00edodo colonial, as esp\u00e9cies despertaram grande interesse e foram exploradas \u00e0 exaust\u00e3o por europeus, tanto para alimenta\u00e7\u00e3o, quanto para a produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo utilizado como combust\u00edvel de ilumina\u00e7\u00e3o.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Camila-Kurzmann-Fagundes\/publication\/313110568_Manejo_Conservacionista_e_Monitoramento_populacional_de_Quelonios_Amazonicos\/links\/589099a9aca272bc14be6526\/Manejo-Conservacionista-e-Monitoramento-populacional-de-Quelonios-Amazonicos.pdf#page=12\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">De acordo com relat\u00f3rio do Ibama<\/a>, os quel\u00f4nios eram extremamente abundantes na regi\u00e3o e entre dois e 48 milh\u00f5es de ovos eram usados anualmente para diferentes finalidades. A gordura ajudava a conservar alimentos perec\u00edveis e os ovos viravam manteiga. Em determinado momento, a explora\u00e7\u00e3o de quel\u00f4nios havia se tornado uma esp\u00e9cie de neg\u00f3cio formal para os portugueses, que passaram a vigiar as praias de desova e a controlar o n\u00famero de indiv\u00edduos retirados para o consumo. O excesso de tartarugas deveria ser devolvido ao habitat, e um ter\u00e7o dos ninhos, poupado, de forma a garantir a conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. Era um esbo\u00e7o de manejo sustent\u00e1vel, mas que nunca teve as regras respeitadas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cMilh\u00f5es de ovos eram recolhidos e transformados em \u00f3leo. E isso n\u00e3o s\u00f3 abastecia Manaus, Bel\u00e9m, mas a Europa\u201d, diz Andrade. \u201cNuma \u00e9poca que a gente n\u00e3o tinha \u00f3leo de soja nem gasolina para ilumina\u00e7\u00e3o, os ovos de tartaruga cumpriram mais ou menos o papel que o \u00f3leo de baleia cumpria no litoral e essa a\u00e7\u00e3o levou a tartaruga a uma situa\u00e7\u00e3o de risco. N\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas em todos os pa\u00edses da Amaz\u00f4nia\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>S\u00f3 entre 1700 e 1903, estima-se que mais de 214 milh\u00f5es de ovos de tartarugas provenientes da Amaz\u00f4nia tenham sido utilizados em cidades europeias, o que quase dizimou esp\u00e9cies.<br>Com a chegada da Segunda Rep\u00fablica, em 1932, diversos \u00f3rg\u00e3os e a\u00e7\u00f5es foram criados para tentar gerenciar e restringir a retirada de quel\u00f4nios e seus ovos da natureza, quase sempre sem sucesso. No decorrer dos anos, a prote\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies de quel\u00f4nios da Amaz\u00f4nia foi intercalada com momentos em que elas eram consideradas pescados e, portanto, tinham a ca\u00e7a liberada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"666\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/quelonios-da-amazonia-tartarugas-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18144\" srcset=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/quelonios-da-amazonia-tartarugas-2.jpg 1000w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/quelonios-da-amazonia-tartarugas-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/quelonios-da-amazonia-tartarugas-2-768x511.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption><em>Filhote de tartaruga-da-amaz\u00f4nia no momento em que eclode do ovo em praia na Amaz\u00f4nia (Foto: Camila Ferrara)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em 1975, ap\u00f3s um amplo levantamento das \u00e1reas de ocorr\u00eancia e desova desses animais, a tartaruga-da-amaz\u00f4nia e o tracaj\u00e1, os mais amea\u00e7ados, foram inclu\u00eddos na <a href=\"https:\/\/cites.org\/eng\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Conven\u00e7\u00e3o sobre Com\u00e9rcio Internacional de Esp\u00e9cies da Fauna e Flora Selvagem em Perigo de Extin\u00e7\u00e3o (Cites)<\/a>. As a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o aos quel\u00f4nios, que at\u00e9 ent\u00e3o s\u00f3 abrangiam rios do Par\u00e1, foram ampliadas. No final da d\u00e9cada de 1970,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ibama.gov.br\/fauna-silvestre\/quelonios-pqa\/programa-quelonios-da-amazonia-pqa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o Projeto Quel\u00f4nios da Amaz\u00f4nia (PQA)<\/a>, foi implantado no Brasil para fortalecer a prote\u00e7\u00e3o e o manejo da reprodu\u00e7\u00e3o dos quel\u00f4nios de \u00e1gua doce. Hoje sob responsabilidade do Ibama, o programa \u00e9 o mais amplo entre as a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o de quel\u00f4nios em toda a Amaz\u00f4nia brasileira, com mais de 70 milh\u00f5es de filhotes manejados. Gra\u00e7as ao PQA, o Brasil \u00e9 o \u00fanico Pa\u00eds a ainda possuir estoques que permitam um manejo sustent\u00e1vel, sem colocar em risco as esp\u00e9cies de quel\u00f4nios amaz\u00f4nicos.<br>S\u00f3 em 1989 a explora\u00e7\u00e3o comercial de tartarugas foi finalmente considerada ilegal pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade na \u00e9poca. Mais tarde, no in\u00edcio dos anos 1990, os criadouros comerciais de tartaruga-da-amaz\u00f4nia e tracaj\u00e1 em suas \u00e1reas naturais de ocorr\u00eancia foram regulamentados, assim como o com\u00e9rcio dessas esp\u00e9cies e seus subprodutos, visando gerar renda e reduzir a explora\u00e7\u00e3o ilegal dos animais, sobretudo em unidades de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cAs tartarugas s\u00e3o os grandes decompositores dos rios. Elas t\u00eam esse papel muito importante de limpeza, decomposi\u00e7\u00e3o de toda mat\u00e9ria e reciclagem dos nutrientes. E a gente est\u00e1 impactando e diminuindo essas popula\u00e7\u00f5es\u201d, lamenta Ferrara.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do elevado consumo ilegal de animais e ovos, as popula\u00e7\u00f5es de quel\u00f4nios amaz\u00f4nicos tamb\u00e9m s\u00e3o pressionadas, como toda biodiversidade da regi\u00e3o, pela destrui\u00e7\u00e3o dos habitats causada por introdu\u00e7\u00e3o de pastagens e constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"666\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/quelonios-da-amazonia-tartarugas-5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18147\" srcset=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/quelonios-da-amazonia-tartarugas-5.jpg 1000w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/quelonios-da-amazonia-tartarugas-5-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/quelonios-da-amazonia-tartarugas-5-768x511.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption><em>At\u00e9 220 mil ovos s\u00e3o botados nas praias da Reserva Biol\u00f3gica do Abufari, no Amazonas, todos os anos (Foto: Camila Ferrara)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Desova protegida<br><\/span><\/strong>No Brasil, as diversas a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o e projetos de conserva\u00e7\u00e3o, como o realizado na Reserva Biol\u00f3gica do Abufari, no Sul Amazonense, t\u00eam permitido recuperar e manter popula\u00e7\u00f5es de diferentes esp\u00e9cies, um esfor\u00e7o que pode ser em v\u00e3o se o com\u00e9rcio ilegal, alimentado pela ca\u00e7a e o tr\u00e1fico, n\u00e3o for contido no Pa\u00eds.<br>Uma das maiores regi\u00f5es de desova de tartarugas-da-amaz\u00f4nia, a reserva do Abufari abriga, desde 2014, o programa de conserva\u00e7\u00e3o Amazon Waters, da Wildlife Conservation Society (WCS). O objetivo \u00e9 trabalhar para a conserva\u00e7\u00e3o de ecossistemas e esp\u00e9cies aqu\u00e1ticas das bacias dos rios Purus, Negro e Solim\u00f5es, especialmente quel\u00f4nios. A cada ano, cerca de duas mil tartarugas botam at\u00e9 220 mil ovos no local. Em 2020, ano em que 150 mil tartarugas nasceram no Abufari, a pesquisadora do WCS Camila Ferrara acompanhou de perto o evento. Ela explica que as f\u00eameas deixam as regi\u00f5es de floresta alagada, os igap\u00f3s, durante todo o per\u00edodo da desova, e permanecem agrupadas em frente \u00e0s praias at\u00e9 o nascimento de filhotes. \u00c9 justamente nesse per\u00edodo que as tartarugas ficam mais vulner\u00e1veis \u00e0 captura.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cUm cara joga uma rede de arrasto, com uma popula\u00e7\u00e3o ali na frente de cerca de duas mil f\u00eameas. Ele tira cem animais se ele quiser, em instantes\u201d, explica Ferrara.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Por isso o trabalho de fiscaliza\u00e7\u00e3o \u2014 feito pelo ICMBio dentro das unidades de conserva\u00e7\u00e3o e pelo Ibama fora delas \u2014 precisa ser intenso. Depois que os filhotes nascem, todas migram de volta para os igap\u00f3s. O processo inteiro leva cerca de seis meses.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"666\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/quelonios-da-amazonia-tartarugas-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18146\" srcset=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/quelonios-da-amazonia-tartarugas-4.jpg 1000w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/quelonios-da-amazonia-tartarugas-4-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/quelonios-da-amazonia-tartarugas-4-768x511.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption><em>O Brasil \u00e9 o \u00fanico dos pa\u00edses amaz\u00f4nicos que ainda possui popula\u00e7\u00f5es de quel\u00f4nios amaz\u00f4nicos suficientes para se realizar um manejo sustent\u00e1vel (Foto: Camila Ferrara)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/bdtd.inpa.gov.br\/handle\/tede\/1490\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">No doutorado, a pesquisadora<\/a> descobriu \u2014 junto com seu orientador, Richard Vogt \u2014 que as tartarugas-da-amaz\u00f4nia se comunicam por meio de sons quando est\u00e3o na \u00e1gua. Escutando-as, era poss\u00edvel notar mudan\u00e7as de comportamento que indicam o in\u00edcio do per\u00edodo de desova. \u201cA gente decidiu monitor\u00e1-las, usar drones para entender a movimenta\u00e7\u00e3o dos animais e algumas vari\u00e1veis ambientais \u2014 como o n\u00edvel do rio e temperatura da \u00e1gua \u2014 para tentar gerar um modelo que nos ajude a dizer o melhor momento para a fiscaliza\u00e7\u00e3o, [\u2026] tanto na desova, quanto no nascimento dos filhotes, j\u00e1 que eles tamb\u00e9m s\u00e3o bastante acometidos pelo tr\u00e1fico\u201d.<br>O herpet\u00f3logo Richard Vogt morreu em janeiro de 2021, aos 71 anos, depois de dedicar sua vida a estudar os quel\u00f4nios. Americano naturalizado brasileiro, Vogt foi decisivo para avan\u00e7ar o conhecimento sobre as tartarugas da Amaz\u00f4nia \u2014 al\u00e9m de contribuir com as pesquisas sobre comunica\u00e7\u00e3o ac\u00fastica, demonstrou que o sexo das tartarugas-da-amaz\u00f4nia \u00e9 determinado pela temperatura do ar durante o per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o dos ovos, entre outras descobertas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Consumo sustent\u00e1vel<br><\/span><\/strong>Desde a d\u00e9cada de 1990, a conserva\u00e7\u00e3o dos quel\u00f4nios da Amaz\u00f4nia conta com outro refor\u00e7o, os programas de base comunit\u00e1ria. Para tentar equilibrar conserva\u00e7\u00e3o e tradi\u00e7\u00e3o, o projeto P\u00e9-de-Pincha trabalha com 123 comunidades rurais dos estados do Amazonas e do Par\u00e1, capacitando as pessoas para prote\u00e7\u00e3o de ninhos e filhotes, promovendo a educa\u00e7\u00e3o ambiental e dando suporte \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de tartarugas para gera\u00e7\u00e3o de renda.<br>Paulo C\u00e9sar Machado Andrade, o professor da Ufam, \u00e9 coordenador do projeto desde 1999.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cHoje, esse trabalho na Amaz\u00f4nia representa boa parte das \u00e1reas protegidas de quel\u00f4nios, e o principal ponto \u00e9 garantir essa manuten\u00e7\u00e3o como um item de seguran\u00e7a alimentar\u201d, diz Andrade.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em 2017, o projeto implantou, no Amazonas, a modalidade de cria\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria de quel\u00f4nios aliada \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de praias de desova, que deve ser realizada pelos moradores por pelo menos cinco anos. \u201cA comunidade deve comprovar esse hist\u00f3rico. A partir da\u00ed, atrav\u00e9s da sua associa\u00e7\u00e3o, pode dar entrada no \u00f3rg\u00e3o ambiental solicitando a cria\u00e7\u00e3o de uma parcela daqueles filhotes\u201d, acrescenta o pesquisador.<br>Apesar da Lei de Prote\u00e7\u00e3o da Fauna de 1967 prever os criadores legalizados de animais silvestres autorizados por \u00f3rg\u00e3os ambientais, levou-se 20 anos para que os primeiros registros comerciais surgissem. Na pr\u00e1tica, o criador recebe os filhotes de tartaruga para alimentar e, mais tarde, vender. Desse total, 10% deve ser reservado para a matriz reprodutora na propriedade, garantindo que animais de vida livre n\u00e3o sejam mais capturados.<br>\u201cEles come\u00e7am com um sistema de manejo de fauna\u201d, explica Andrade. \u201cUma parte vem da natureza, mas a ideia \u00e9 que depois se transforme em farming, que \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o de ciclo fechado, ou seja, o produtor tem a matriz reprodutora, produz os filhotes, os engorda e vende\u201d. Segundo ele, os criadores contemplados pelo P\u00e9-de-Pincha j\u00e1 est\u00e3o na fase farming.<br>O estado do Amazonas \u00e9 o maior criador de quel\u00f4nios do Pa\u00eds, mas esse n\u00famero vem caindo. At\u00e9 2005, havia 85 criadores legalizados registrados no Ibama. Hoje s\u00e3o apenas 20. Outros sete est\u00e3o registrados no \u00f3rg\u00e3o estadual de meio ambiente, o Instituto de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental do Amazonas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cExiste uma demanda muito grande, o problema \u00e9 a burocracia que foi criada e a falta de entendimento de que se trata de uma pol\u00edtica de aux\u00edlio \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o\u201d, diz Andrade. \u201cHoje, se juntar os vinte criadores do Ibama, que s\u00e3o os mais antigos, a gente tem entre 10 e 15 mil filhotes produzidos por ano\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Dificuldades como a necessidade de rigorosa vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria, estrutura e no\u00e7\u00f5es de empreendedorismo s\u00e3o outros pontos que podem dificultar a cria\u00e7\u00e3o, argumenta Morcatty, da Universidade Oxford Brookesd. A pesquisadora alerta ainda para o risco de o cativeiro acabar dando suporte ao tr\u00e1fico. \u201cAlguns estabelecimentos no estado do Amazonas estavam lavando animais, similar \u00e0 lavagem de dinheiro\u201d, explica. \u201cEles fingem que tudo \u00e9 produzido ali, mas, vez ou outra, retiram da natureza para vender junto, porque a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o gera tanto bicho quanto gostariam de vender. Ent\u00e3o, [a cria\u00e7\u00e3o] s\u00f3 funciona se a fiscaliza\u00e7\u00e3o desses estabelecimentos funcionar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"666\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/quelonios-da-amazonia-tartarugas-6.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18148\" srcset=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/quelonios-da-amazonia-tartarugas-6.jpg 1000w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/quelonios-da-amazonia-tartarugas-6-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/quelonios-da-amazonia-tartarugas-6-768x511.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption><em>Na Reserva Biol\u00f3gica do Abufari, no Amazonas, cerca de duas mil tartarugas botam ovos a cada ano (Foto: Camila Ferrara)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Morcatty aponta o manejo sustent\u00e1vel na natureza como alternativa importante, visto que substituir o consumo de quel\u00f4nios por carnes de animais domesticados pode causar um problema ainda maior, especialmente na Amaz\u00f4nia, onde um dos principais fatores de desmatamento \u00e9 a convers\u00e3o de floresta em pastagens para gado.<br>O manejo in situ, isto \u00e9, feito nos locais naturais das esp\u00e9cies, funciona basicamente com cotas de captura dos animais de vida livre determinadas por locais, \u00e9poca do ano e esp\u00e9cies. Por meio de estrat\u00e9gias baseadas em estudos cient\u00edficos, que mostram o quanto da popula\u00e7\u00e3o residente naquela regi\u00e3o se reproduz, \u00e9 poss\u00edvel calcular um n\u00famero seguro de retirada, sem colapsar a popula\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 um manejo que as comunidades rurais das \u00e1reas mais preservadas conseguem fazer. N\u00e3o requer muita tecnologia, administra\u00e7\u00e3o centralizada ou estrutura f\u00edsica\u201d, explica Morcatty.<br>Entre as vantagens est\u00e1 o envolvimento direto das comunidades locais na prote\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o das praias de desova e dos pr\u00f3prios animais, que passam a ser vistos como fontes de recursos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cNuma \u00e1rea t\u00e3o grande e com dif\u00edcil acesso, que \u00e9 o caso da Amaz\u00f4nia, ter a popula\u00e7\u00e3o do lado da conserva\u00e7\u00e3o \u00e9 a melhor coisa que a gente pode ter\u201d, diz Morcatty. \u201cPorque eles ali s\u00e3o os gerenciadores, os protetores, os fiscais. \u00c9 at\u00e9 mais barato e mais eficiente para o sistema do que depender de uma pol\u00edcia ostensiva, tendo que olhar tudo aquilo o tempo inteiro\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ferrara concorda: \u201cA solu\u00e7\u00e3o \u00e9 esta: o manejo comunit\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 voc\u00ea proibir as pessoas de comerem e, sim, fazer o consumo de uma forma correta, equilibrada. \u00c9 poss\u00edvel tanto comprar e ter os bichos ali, legalmente, quanto gerar renda para as pessoas \u2014 um pouco como o que aconteceu com o <a href=\"https:\/\/www.mamiraua.org.br\/documentos\/4163f5aaff5d05e1a9e1804bb5e06307.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pirarucu, que \u00e9 uma hist\u00f3ria de sucesso<\/a>\u00a0na Amaz\u00f4nia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Ci\u00eancia e tecnologia no combate ao tr\u00e1fico de biodiversidade<br><\/span><\/strong>T\u00e3o importante quanto os programas de conserva\u00e7\u00e3o, s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es de combate ao tr\u00e1fico de biodiversidade. Rodrigo Mayrink, m\u00e9dico veterin\u00e1rio, pesquisador na Universidade de Bras\u00edlia e perito criminal da Pol\u00edcia Federal, trabalha h\u00e1 18 anos no combate ao tr\u00e1fico de esp\u00e9cies. Sua pesquisa de doutorado se baseia no uso de is\u00f3topos est\u00e1veis para rastrear a origem de animais silvestres traficados. A t\u00e9cnica forense, j\u00e1 utilizada em investiga\u00e7\u00f5es criminais em alguns pa\u00edses, como os Estados Unidos, promete ser um forte aliado na luta contra a comercializa\u00e7\u00e3o ilegal de animais e plantas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=npIWd1QI4ZE\n<\/div><figcaption><em>Pesquisa buscou entender como as m\u00e3es e os filhotes de tartarugas interagem em terra firme e embaixo d&#8217;\u00e1gua<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os is\u00f3topos podem rastrear praticamente qualquer mat\u00e9ria. A \u00e1rea da ci\u00eancia que contempla o estudo dos is\u00f3topos est\u00e1veis analisa as propor\u00e7\u00f5es do \u00e1tomo mais pesado em rela\u00e7\u00e3o ao \u00e1tomo mais leve no meio ambiente. A maior parte do carbono presente na natureza tem n\u00famero de massa igual a 12 (seis pr\u00f3tons e seis n\u00eautrons), e uma pequena parcela tem um n\u00eautron a mais. Quimicamente, esse n\u00eautron extra n\u00e3o faz diferen\u00e7a. Ele participa das mesmas rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas, mas \u00e9 mais pesado fisicamente, o que facilita sua detec\u00e7\u00e3o. Os tecidos dos diferentes organismos, incluindo os humanos, s\u00e3o fabricados a partir da comida ingerida. As c\u00e9lulas morrem, os \u00e1tomos da comida consumida h\u00e1 muito tempo s\u00e3o jogados fora e a comida ingerida recentemente \u00e9 incorporada aos tecidos, numa constante renova\u00e7\u00e3o. Nas plantas, esse processo de nutri\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o \u00e9 feito pela fotoss\u00edntese. Alguns vegetais t\u00eam uma capacidade pequena de absorver carbono pesado da atmosfera para construir seus tecidos e crescer \u2014 \u00e9 o caso da vegeta\u00e7\u00e3o de floresta. Outras, como o milho, cana-de-a\u00e7\u00facar e gram\u00edneas de pastagens pegam qualquer carbono, inclusive o pesado. Se um animal comer muito milho e o outro n\u00e3o, com o passar do tempo, o nutriente que ele ingeriu vai refletir uma propor\u00e7\u00e3o diferente do carbono leve e pesado em seu corpo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cOs quel\u00f4nios amaz\u00f4nicos de criadouros legalizados, pela regra, precisam ser filhos das matrizes que est\u00e3o l\u00e1. Eles v\u00e3o crescer comendo ra\u00e7\u00e3o comercial, com mais ou menos 60% de milho na formula\u00e7\u00e3o. A tartaruga que nunca entrou num criat\u00f3rio s\u00f3 come plantas da floresta amaz\u00f4nica\u201d, explica Mayrink.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u201cEnt\u00e3o, se um criador pega uma tartaruga da natureza e a introduz no seu criat\u00f3rio ou vende direto para um restaurante com o selo do Ibama de cria\u00e7\u00e3o legalizada, \u00e9 poss\u00edvel [analisando uma lasca do casco, da unha ou mesmo um peda\u00e7o da carne] saber a propor\u00e7\u00e3o de carbono do milho e a propor\u00e7\u00e3o de carbono pesado da floresta Amaz\u00f4nica\u201d. Como essas propor\u00e7\u00f5es n\u00e3o se sobrep\u00f5em, pode-se excluir a possibilidade do animal ter sido alimentado em cativeiro.<br>A an\u00e1lise de is\u00f3topos est\u00e1veis com fauna come\u00e7ou a ser utilizada para monitorar as migra\u00e7\u00f5es de aves, sobretudo para controle de risco de epidemias de doen\u00e7as avi\u00e1rias, como a H1N1, por \u00f3rg\u00e3os como a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade. Mais tarde, os estudos foram estendidos para an\u00e1lises de tr\u00e1fico de vida selvagem.<br>No Brasil, de acordo com Mayrink, a t\u00e9cnica est\u00e1 come\u00e7ando a ser aplicada em a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas da Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEm tese, qualquer lote de quel\u00f4nios amaz\u00f4nicos apreendidos hoje no pa\u00eds, se for preciso saber se veio de cativeiro ou de vida livre, j\u00e1 h\u00e1 conhecimento suficiente da t\u00e9cnica para dizer com seguran\u00e7a\u201d, afirma o perito.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mais uma vez, ci\u00eancia e tecnologia se mostram potenciais ferramentas para a conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, desde que a li\u00e7\u00e3o de casa \u2014 proteger e utilizar recursos naturais com respeito e responsabilidade \u2014 seja feita. Quando colocamos outras esp\u00e9cies em risco, amea\u00e7amos nossa pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia. \u00c9 preciso entender a exist\u00eancia humana como parte dependente e insepar\u00e1vel do meio ambiente enquanto ainda h\u00e1 tempo.<\/p>\n\n\n\n<p><em><span class=\"has-inline-color has-black-color\"><strong>Legenda foto de capa:<\/strong> O tracaj\u00e1 \u00e9 uma das esp\u00e9cies de quel\u00f4nio mais consumidas nas cidades do Amazonas<\/span><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/animais\/2021\/05\/milhoao-de-tartarugas-consumidas-em-cidades-do-amazonas\">National Geographic Brasil<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo estima que diversas esp\u00e9cies de tartarugas de \u00e1gua doce e jabutis selvagens s\u00e3o consumidos em centros urbanos no estado do Amazonas H\u00e1 10 milh\u00f5es de anos, tartarugas gigantes \u2014 as maiores do planeta \u2014 habitavam a regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. 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