{"id":20312,"date":"2021-07-06T17:27:47","date_gmt":"2021-07-06T20:27:47","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/?p=20312"},"modified":"2021-07-06T17:28:52","modified_gmt":"2021-07-06T20:28:52","slug":"sucesso-nacional-e-morte-no-anonimato-carolina-de-jesus-uma-das-maiores-escritoras-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/index.php\/2021\/07\/06\/sucesso-nacional-e-morte-no-anonimato-carolina-de-jesus-uma-das-maiores-escritoras-do-brasil\/","title":{"rendered":"Sucesso nacional e morte no anonimato: Carolina de Jesus, uma das maiores escritoras do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><em><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Mulher, negra, favelada e semianalfabeta: muitos duvidaram das habilidades liter\u00e1rias da brasileira que foi eternizada por suas obras<\/span><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Depois de passar uma temporada morando na rua, com tr\u00eas filhos a tiracolo \u2014 o mais novo ainda beb\u00ea \u2014 a mineira <strong>Carolina Maria de Jesus<\/strong> conseguiu um teto para a fam\u00edlia. Era um barrac\u00e3o de madeira \u00e0s margens do Rio Tiet\u00ea, na zona norte de S\u00e3o Paulo. Atr\u00e1s da casa havia um lix\u00e3o, onde um frigor\u00edfico jogava carne com creolina, para evitar que algu\u00e9m comesse.<br>Em dia de chuva forte, a lama do rio avan\u00e7ava para dentro da casa, junto com ratos, dejetos e todo tipo de lixo. <strong>Carolina<\/strong> gostava de tudo limpo. Vaidosa, criava os pr\u00f3prios colares e brincos, mas a ocupa\u00e7\u00e3o de catadora de papel fazia com que andasse maltrapilha e suada pelas ruas, com um saco nas costas. O dinheiro mal dava para a comida dos filhos, que n\u00e3o tinham pai. Um dia, cansada, come\u00e7ou a escrever tudo o que lhe acontecia.<br>Assim nasceu Quarto de Despejo, publicado em 1960, a partir de cadernos preenchidos com os \u201cdesabafos\u201d de <strong>Carolina<\/strong>. Os registros v\u00e3o de 15 de julho de 1955 a 1\u00ba de janeiro de 1960, \u00e9poca em que era uma dos 50 mil moradores da Favela do Canind\u00e9. Aos 46 anos, ela revelou a mis\u00e9ria de sua comunidade, invis\u00edvel para a sociedade. <strong>Carolina <\/strong>foi a primeira mulher negra, pobre, m\u00e3e solteira e semianalfabeta \u2014 ela n\u00e3o completou o prim\u00e1rio \u2014 a publicar uma autobiografia. Onze mil exemplares foram vendidos em uma semana. Seguiram-se duas reedi\u00e7\u00f5es, tradu\u00e7\u00f5es para 13 l\u00ednguas e venda em mais de 40 pa\u00edses. Foi assunto de escritores renomados, como <strong>Rachel de Queiroz<\/strong> e <strong>Manuel Bandeira<\/strong>.<br><strong>Carolina<\/strong> era convidada para programas de audit\u00f3rio, palestras e at\u00e9 para almo\u00e7ar na casa da tradicional fam\u00edlia <strong>Matarazzo<\/strong>. \u201cSaiu do lixo para o estrelato\u201d, diz o jornalista <strong>Aud\u00e1lio Dantas<\/strong>, que descobriu a autora e editou Quarto de Despejo, preservando o estilo de <strong>Carolina<\/strong> e at\u00e9 os erros ortogr\u00e1ficos.<br>\u201cEu trabalhava como rep\u00f3rter e me ofereci a escrever sobre a favela que estava crescendo no bairro do Canind\u00e9\u201d, diz <strong>Dantas<\/strong>, que trabalhava para a Folha da Manh\u00e3. \u201cDisse ao chefe de reportagem que acompanharia, pelo tempo que fosse necess\u00e1rio, o dia a dia da comunidade\u201d. <strong>Dantas<\/strong> se embrenhou durante tr\u00eas dias nos labirintos de barracos, \u201cpisando o ch\u00e3o lamacento, sentido o fedor das valas de esgoto, ouvindo lamentos, xingamentos e blasf\u00eamias\u201d.<br>Uma briga entre <strong>Carolina <\/strong>e um grupo de marmanjos, que insistiam em ocupar o parquinho das crian\u00e7as, chamou a aten\u00e7\u00e3o do rep\u00f3rter. Ela queria que os grandalh\u00f5es sa\u00edssem dali e, como n\u00e3o teve sucesso, gritou: \u201cVou botar o nome de voc\u00eas no meu livro\u201d.<br>Aos poucos, os ocupantes foram se esgueirando por um canto com medo da amea\u00e7a. Todos sabiam que ela escrevia num caderno tudo o que acontecia na favela. \u201cEla olhou para mim e tamb\u00e9m disse que ia me colocar no livro dela. Estava mostrando que tinha for\u00e7a. E o livro era uma grande arma\u201d, diz o jornalista. <strong>Dantas<\/strong> quis saber o que ela estava escrevendo. <strong>Carolina<\/strong> ent\u00e3o lhe mostrou mais de vinte cadernos guardados em seu barraco, num arm\u00e1rio de caixotes<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Poemas e teatro<br><\/span><\/strong>Parte do material, primeiro, virou mat\u00e9ria de jornal, depois, numa edi\u00e7\u00e3o mais cuidadosa e completa, Quarto de Despejo. Mas ela gostava mesmo de fazer poemas, alguns inclusive j\u00e1 havia conseguido publicar em jornais, antes do encontro com o rep\u00f3rter. \u201cDeterminada, ela costumava andar pelas reda\u00e7\u00f5es anunciando-se poetisa\u201d, afirma <strong>Dantas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/carolina_maria_de_jesus.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20313\" width=\"343\" height=\"475\" srcset=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/carolina_maria_de_jesus.jpg 564w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/carolina_maria_de_jesus-217x300.jpg 217w\" sizes=\"auto, (max-width: 343px) 100vw, 343px\" \/><figcaption><em><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Carolina Maria de Jesus, assinando seu livro Quarto de Despejo, em 1960 (Foto: Arquivo Nacional Brasileiro\/Wikimedia Commons)<\/span><\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Quando o livro foi publicado, muitos duvidaram que uma mulher com t\u00e3o pouca instru\u00e7\u00e3o fosse capaz de escrever uma obra assim relevante e questionadora. Outros acharam imposs\u00edvel. O que n\u00e3o impediu que surgissem admiradores e defensores. O poeta <strong>Manuel Bandeira<\/strong> escreveu no jornal O Globo que o preconceito era a principal raz\u00e3o de as pessoas n\u00e3o acreditarem que uma \u201cnegra favelada\u201d pudesse ter escrito Quarto de Despejo. Foi al\u00e9m, dizendo que ningu\u00e9m seria capaz de \u201cinventar\u201d um texto como o de <strong>Carolina<\/strong>.<br>\u201cMinha m\u00e3e era assediada na rua. Era uma loucura. Todo mundo queria falar com ela e pedir aut\u00f3grafo\u201d, diz a filha ca\u00e7ula da autora, <strong>Vera Eunice de Jesus<\/strong>. \u201cDurante tr\u00eas anos, minha m\u00e3e n\u00e3o parou em casa. Viajamos a convite para v\u00e1rios lugares do Pa\u00eds. Minha m\u00e3e foi uma febre\u201d. <strong>Carolina <\/strong>carregava a filha ca\u00e7ula para qualquer lugar aonde fosse.<br>Em 1961, um ano depois do lan\u00e7amento, o livro virou argumento para o teatro, e estreou com a atriz <strong>Ruth de Souza<\/strong> no papel de <strong>Carolina<\/strong>. No mesmo ano, a escritora lan\u00e7ou um disco de 12 faixas com sambas e marchinhas de sua autoria \u2014 <strong>Carolina Maria de Jesus<\/strong>, Cantando Suas Composi\u00e7\u00f5es. A todo esse barulho seguiu-se o esquecimento. A escritora que havia chacoalhado o mundo liter\u00e1rio morreu no anonimato e na pobreza, num s\u00edtio em Parelheiros, no extremo sul de S\u00e3o Paulo, em 1977.<br>Os filhos tiveram que pegar dinheiro de uma vizinha para comprar o caix\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">\u201cFicamos com o modelo mais simples e barato, mas o dinheiro n\u00e3o deu para a coroa de flores. E, assim mesmo, demorei um ano para quitar o empr\u00e9stimo\u201d, diz <strong>Vera Eunice<\/strong>.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os in\u00fameros tributos realizados pelo centen\u00e1rio de <strong>Carolina <\/strong>tinham um qu\u00ea de resgate da autora. \u201cAs homenagens fizeram com que eu fosse melhor apresentada \u00e0 <strong>Carolina<\/strong> escritora. Conhecia muito pouco a hist\u00f3ria da minha m\u00e3e\u201d, diz a filha, que participou da maioria dos eventos. Em um deles, Vera assistiu pela primeira vez o document\u00e1rio alem\u00e3o Favela: A Vida na Pobreza, de 1971. O filme, dirigido por <strong>Christa Gottman-Elter<\/strong>, foi lan\u00e7ado em 1971.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">P\u00e9 na estrada<br><\/span><\/strong>A escritora reproduziu uma vis\u00e3o de mundo inovadora, sem o filtro dos intelectuais, mas de forma pungente. Muito antes, em 1890, O Corti\u00e7o trouxe o retrato de uma vida de pobreza, com hist\u00f3rias de furtos e homossexualidade. O autor <strong>Alu\u00edsio Azevedo<\/strong> n\u00e3o pertencia ao mundo sobre o qual escreveu. Era formado em artes pl\u00e1sticas, e mais tarde virou c\u00f4nsul.<br><strong>Carolina<\/strong> compara a favela a um quarto de despejo, da\u00ed o nome do livro. \u201cEstou no quarto de despejo, e o que est\u00e1 no quarto de despejo ou queima-se ou joga-se no lixo\u201d. E sobre o centro de S\u00e3o Paulo: \u201cQuando estou na cidade tenho a impress\u00e3o que estou na sala de visita, com seus lustres de cristais, seus tapetes de viludo (sic), almofadas de sitim (sic). Quando estou na favela, tenho a impress\u00e3o que sou objeto fora de uso, digno de estar num quarto de despejo\u201d.<br>Na \u00e9poca do lan\u00e7amento do livro, a TV era o mais novo meio de comunica\u00e7\u00e3o e os jornais traziam as not\u00edcias mais quentes. S\u00e3o Paulo tinha quatro milh\u00f5es de habitantes, e surgia, sob a gest\u00e3o de <strong>Adhemar de Barros<\/strong> \u2014 governador do estado de 1947 a 1951, conhecido pelas grandes obras p\u00fablicas e pelo moto \u201crouba, mas faz\u201d \u2014 como destino para migrantes que buscavam oportunidades de trabalho e uma vida melhor.<br><strong>Carolina<\/strong> saiu de Sacramento (MG), aos 17 anos, a p\u00e9 e decidida a nunca mais voltar. V\u00edtima de preconceito e de abuso de autoridade, <strong>Carolina<\/strong> fora presa como suspeita de ter roubado dinheiro da igreja. Na delegacia apanhou da pol\u00edcia. N\u00e3o deu certo. Prenderam ent\u00e3o sua m\u00e3e, que tamb\u00e9m foi surrada. As duas ficaram detidas at\u00e9 que o padre encontrou o dinheiro. Ao sair da cadeia, colocou o p\u00e9 na estrada. Em cada cidade que chegava, arrumava um trabalho tempor\u00e1rio, que rendia o dinheiro da comida, e pegava a estrada novamente. Isso se repetiu at\u00e9 alcan\u00e7ar o destino final, S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Dom\u00e9stica<br><\/span><\/strong>\u201cQuando minha m\u00e3e chegou a S\u00e3o Paulo, conseguiu uma vaga de empregada dom\u00e9stica na casa de <strong>Euryclides de Jesus Zerbini<\/strong> (o cirurgi\u00e3o que, em 1968, realizou o primeiro transplante de cora\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina)\u201d, conta a filha, <strong>Vera Eunice<\/strong>. O m\u00e9dico tinha uma excelente biblioteca. <strong>Carolina<\/strong> pediu e conseguiu permiss\u00e3o para ler as obras durante as folgas de fim de semana. Mas logo foi demitida.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CAROLINA-correio_da_manha.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20314\" width=\"359\" height=\"527\" srcset=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CAROLINA-correio_da_manha.jpg 538w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CAROLINA-correio_da_manha-204x300.jpg 204w\" sizes=\"auto, (max-width: 359px) 100vw, 359px\" \/><figcaption><em><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Carolina Maria de Jesus (Foto: Arquivo Nacional Brasileiro\/Wikimedia Commons)<\/span><\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Vieram os namoros e quatro gesta\u00e7\u00f5es indesejadas. O primeiro filho ela abortou. Era uma menina, que ganhou o nome de <strong>Carolina<\/strong>. Depois nasceram <strong>Jo\u00e3o Jos\u00e9<\/strong>, <strong>Jos\u00e9 Carlos<\/strong> e <strong>Vera Eunice<\/strong>. A essa altura, Carolina j\u00e1 estava morando na rua. \u201cNingu\u00e9m empregava m\u00e3e solteira. Ent\u00e3o ela come\u00e7ou a catar papel para conseguir algum dinheiro\u201d, diz <strong>Vera<\/strong>. \u201cUm dia, um pol\u00edtico teve a ideia de \u2018limpar\u2019 a cidade. Um caminh\u00e3o passou recolhendo todos os mendigos. Embarcamos na ca\u00e7amba e, como dizia minha m\u00e3e, \u2018fomos despejados\u2019 \u00e0s margem do Rio Tiet\u00ea\u201d.<br><strong>Carolina<\/strong> saiu \u00e0 procura de madeira para levantar o pr\u00f3prio barraco. Conseguiu uma doa\u00e7\u00e3o na Igreja Nossa Senhora do Brasil, nos Jardins, a nove quil\u00f4metros da favela. Colocou as t\u00e1buas na cabe\u00e7a e come\u00e7ou a caminhar, como estava acostumada. A extinta Canind\u00e9 era uma favela com barracos constru\u00eddos sobre a lama.<br>Na favela a fam\u00edlia sofria todos os tipos de car\u00eancia. \u201cSonhei que eu residia numa casa resid\u00edvel (sic), tinha banheiro, cozinha, copa e at\u00e9 quarto de criada. Eu ia festejar o anivers\u00e1rio de minha filha <strong>Vera Eunice<\/strong>. Eu ia comprar-lhe umas panelinhas, que h\u00e1 muito ela vivia pedindo\u2026 Sentei para comer\u2026 Eu comia bife, p\u00e3o com manteiga, batata frita e salada. Quando fui pegar o bife, despertei. Que realidade amarga!\u201d, escreveu em Quarto de Despejo.<br>A mis\u00e9ria era tanta que comida \u00e9 uma quest\u00e3o do in\u00edcio ao fim do livro. \u201cO dinheiro n\u00e3o deu para comprar carne, fiz macarr\u00e3o com cenoura. N\u00e3o tinha gordura, ficou horr\u00edvel. A <strong>Vera<\/strong> \u00e9 a \u00fanica que reclama e pede mais. E pede: Mam\u00e3e, vende eu para a dona <strong>Julita,<\/strong> porque l\u00e1 tem comida gostosa\u201d. Como atr\u00e1s do barraco de <strong>Carolina<\/strong> tinha um lix\u00e3o, na inten\u00e7\u00e3o de proteger os filhos, e sabendo da fome que todos passavam, vivia dizendo que ningu\u00e9m podia pegar comida de l\u00e1. Mas, algumas vezes, n\u00e3o tinha escapat\u00f3ria. \u201cEu ontem comi aquele macarr\u00e3o do lixo com receio de morrer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Pol\u00edticos<br><\/span>Carolina<\/strong> tinha de fato esperan\u00e7a que um dia os pol\u00edticos dariam um jeito para mudar a vida dos pobres. Uma cren\u00e7a que, em parte, veio de uma experi\u00eancia inusitada. \u201cQuando minha m\u00e3e sa\u00eda para catar papel, usava um saco na cabe\u00e7a, segurava outro apoiado nas costas e, com o bra\u00e7o livre, me carregava no colo\u201d, conta <strong>Vera<\/strong>. N\u00e3o importava se estivesse fraca, por falta de comida, ou doente.<br>Desde jovem, ela sofria com feridas que costumavam surgir nas pernas. \u201cUma vez, estava t\u00e3o mal, quase se arrastando pela rua, comigo no colo, que um carro parou\u201d. <strong>Vera<\/strong> relata que um homem desceu, perguntou o nome de sua m\u00e3e e pediu que ela entregasse a crian\u00e7a. O homem disse que <strong>Carolina<\/strong> precisava ser levada a um hospital. Segundo <strong>Vera<\/strong>, era <strong>J\u00e2nio Quadros<\/strong>, ent\u00e3o governador de S\u00e3o Paulo. O pol\u00edtico internou <strong>Carolina<\/strong> em um hospital e deixou a menina aos cuidados de uma fam\u00edlia at\u00e9 que sua m\u00e3e tivesse alta. A escritora gostava mesmo de <strong>Adhemar de Barros<\/strong> e deixa isso bem claro em Quarto de Despejo: \u201cEu sempre fui ademarista. Gosto muito dele, e de Dona <strong>Leonor<\/strong>. <strong>Florencia<\/strong> (vizinha de barraco) ent\u00e3o perguntou a <strong>Carolina<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Ele j\u00e1 te deu esmola?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 J\u00e1. Deu o Hospital das Cl\u00ednicas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"885\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/leonel_brizola_e_carolina_de_jesus_correio_da_manha_1961.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20315\" srcset=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/leonel_brizola_e_carolina_de_jesus_correio_da_manha_1961.jpg 1000w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/leonel_brizola_e_carolina_de_jesus_correio_da_manha_1961-300x266.jpg 300w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/leonel_brizola_e_carolina_de_jesus_correio_da_manha_1961-768x680.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption><em><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Leonel Brizola e Carolina de Jesus, Correio da Manh\u00e3, 1961 (Foto: Arquivo Nacional Brasileiro\/Wikimedia Commons)<\/span><\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Apedrejados<br><\/span><\/strong>\u201cNegrinha feia e chata\u201d. Com essas palavras, <strong>Carolina<\/strong> registrava como as pessoas se referiam a ela desde crian\u00e7a. Na Favela do Canind\u00e9 n\u00e3o foi diferente. \u201cAs pessoas n\u00e3o gostavam muito dela\u201d, diz <strong>Dantas. Carolina<\/strong> n\u00e3o era como a maioria e n\u00e3o conseguia socializar.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">\u201cMinha m\u00e3e tinha um vocabul\u00e1rio mais erudito. N\u00f3s (os filhos) muitas vezes n\u00e3o entend\u00edamos direito o que ela dizia\u201d, diz <strong>Vera<\/strong>, que conta que os vizinhos chegaram a colocar fogo no barraco deles. \u201cEu me lembro at\u00e9 hoje que eu chorava que meu carrinho de boneca estava pegando fogo\u201d.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Quando Quarto de Despejo foi publicado, os moradores da favela n\u00e3o gostaram. \u201cMuitos deles estavam registrados naquelas p\u00e1ginas, com nome e tudo, como ela havia amea\u00e7ado durante todo o per\u00edodo que moramos ali\u201d, conta a filha. A vizinhan\u00e7a chamava <strong>Carolina<\/strong> de \u201cescritora vira-lata\u201d. O sucesso da edi\u00e7\u00e3o aumentou a tens\u00e3o na comunidade. \u201cAcharam melhor tirar minha fam\u00edlia da favela. No dia da mudan\u00e7a, fomos apedrejados. Meu irm\u00e3o ainda tem a cicatriz perto dos olhos\u201d, diz <strong>Vera<\/strong>. Os quatro foram levados para o por\u00e3o de uma grande empresa de a\u00e7\u00facar. \u201cEra o m\u00e1ximo aquele por\u00e3o. Os empregados levavam comida, que era \u00f3tima. Um dia serviram lagosta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Vida burguesa<br><\/span><\/strong>Uma casa de alvenaria, no Alto de Santana, bairro de classe m\u00e9dia na zona norte, foi o novo destino da fam\u00edlia <strong>Jesus<\/strong>. O sucesso do livro tinha proporcionado um dos sonhos da autora, morar numa casa \u201cresid\u00edvel\u201d, como escrevia sempre. S\u00f3 que a adapta\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi f\u00e1cil, nem para a escritora e os filhos, nem para a vizinhan\u00e7a.<br>\u201cEla reclamava que as pessoas n\u00e3o gostavam dela porque era negra\u201d, afirma <strong>Dantas.<\/strong> Havia outras quest\u00f5es al\u00e9m do preconceito. A fama da escritora tumultuou a rua pacata. \u201cAs emissoras de TV chegavam de \u00f4nibus, lotados de equipamentos para transmiss\u00e3o. Na porta de casa formava fila de gente pobre que surgia do nada para pedir coisas\u201d, diz <strong>Vera. Carolina<\/strong> ainda levava mendigos para dentro de casa, por pena.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">\u201cA gente acordava e tinha um estranho dormindo na sala, que depois ainda roubava nossas coisas\u201d, afirma a filha.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os vizinhos reclamavam do som alto. <strong>Carolina<\/strong> escutava valsas no \u00faltimo volume e dan\u00e7ava at\u00e9 cansar. \u201cEla ficava com raiva e dizia que era inveja da vizinhan\u00e7a\u201d, diz <strong>Dantas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">\u201cCarolina tinha um g\u00eanio dif\u00edcil. N\u00e3o aceitava que ningu\u00e9m dissesse o que devia fazer\u201d.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A vida em Santana se transformou no livro Casa de Alvenaria (1961) \u2014 depois ela ainda publicou Peda\u00e7os de Fome e Prov\u00e9rbios (1963). Tr\u00eas anos depois que a fam\u00edlia estava enfim bem-acomodada e em resid\u00eancia pr\u00f3pria, <strong>Carolina<\/strong> comunicou que havia comprado um s\u00edtio pr\u00f3ximo a S\u00e3o Paulo, em Parelheiros, e que eles iriam se mudar. \u201cO lugar era p\u00e9ssimo. N\u00e3o tinha nem luz\u201d, conta <strong>Vera<\/strong>. \u201cEnt\u00e3o a vida come\u00e7ou a piorar muito. Meus irm\u00e3os ficaram revoltados. O dinheiro era curto\u201d.<br>A filha diz que a m\u00e3e n\u00e3o sabia administrar o que ganhava, e que tamb\u00e9m assinava muito papel em branco. \u201cEla deu um jeito para todo mundo estudar, mas n\u00e3o t\u00ednhamos como comprar coisas b\u00e1sicas, como sapatos. \u00cdamos descal\u00e7os para a escola. A professora colocava a gente no sol para esquentar\u201d, lembra <strong>Vera<\/strong>. \u201cTamb\u00e9m n\u00e3o havia dinheiro para \u00f3leo, caf\u00e9 e manteiga. S\u00f3 n\u00e3o pass\u00e1vamos fome porque cri\u00e1vamos galinhas e porcos. A vida voltou a ser dura\u201d. <strong>Carolina<\/strong> estava novamente nas ruas recolhendo papel. \u201cN\u00e3o foi sensacionalismo, como disseram na \u00e9poca. Foi necessidade, mesmo\u201d. Depois da morte da autora, foram publicados Di\u00e1rio de Bitita (1982) e Onde Est\u00e1s Felicidade (2014). H\u00e1 mais de cinco mil p\u00e1ginas com textos in\u00e9ditos de <strong>Carolina de Jesus<\/strong>.<br>At\u00e9 as escolas municipais festejaram a autora, o que fez com que os pais dos alunos de <strong>Vera<\/strong>, assim como os pr\u00f3prios estudantes, passassem a enxerg\u00e1-la com outros olhos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">\u201cFoi engra\u00e7ado. Parecia que eles estavam me vendo pela primeira vez. Numa reuni\u00e3o com os pais, uma das m\u00e3es se levantou e disse que sentia muito orgulho de o filho ter como professora a filha de <strong>Carolina Maria de Jesus<\/strong>. Fiquei surpresa. Isso nunca tinha acontecido\u201d.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Apesar do sucesso ef\u00eamero, a escritora deixou um legado liter\u00e1rio importante, objeto de estudo de pesquisadores no Brasil e no mundo. \u201cEla \u00e9 precursora da Literatura Perif\u00e9rica\u201d, diz <strong>Fernanda Rodrigues de Miranda<\/strong>, da Universidade de S\u00e3o Paulo, uma das dezenas de pesquisadores cuja tese de mestrado tratou da autora. \u201c<strong>Carolina<\/strong> traz o cotidiano perif\u00e9rico n\u00e3o somente como tema, mas como maneira de olhar a si e a cidade\u201d, diz <strong>Fernanda<\/strong>.<br>Hoje a periferia tem voz. A internet e as redes sociais ajudaram a democratizar o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o do que se produz longe dos olhos da parte rica das grandes cidades. Racionais MC\u2019s, grupo de rap formado em 1989, e o romancista <strong>Ferrez<\/strong> s\u00e3o exemplos de artistas da periferia da zona sul de S\u00e3o Paulo, que constru\u00edram a carreira longe do centro.<br>O cotidiano dos jovens, a viol\u00eancia e a pobreza est\u00e3o presentes nas m\u00fasicas do Racionais e nos poemas e livros de <strong>Ferrez<\/strong>. Trata-se da chamada arte marginal, g\u00eanero que tem espa\u00e7o e import\u00e2ncia na constru\u00e7\u00e3o da identidade cultural do Pa\u00eds. <strong>Carolina<\/strong> foi pioneira do estilo, mas caiu no ostracismo. Por qu\u00ea? \u201cEla se transformou em artigo de consumo, que as pessoas queriam ver e conhecer. Quase como algo curioso\u201d, diz <strong>Dantas<\/strong>, que acompanhou a escritora por v\u00e1rios anos. \u201cE, como toda curiosidade, com o tempo perdeu a gra\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><em><span class=\"has-inline-color has-black-color\"><strong>Foto de capa:<\/strong> Arquivo Nacional Brasileiro\/Wikimedia Commons<\/span><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fonte: <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/reportagem\/carolina-jesus.phtml\">Aventuras na Hist\u00f3ria<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulher, negra, favelada e semianalfabeta: muitos duvidaram das habilidades liter\u00e1rias da brasileira que foi eternizada por suas obras Depois de passar uma temporada morando na rua, com tr\u00eas filhos a tiracolo \u2014 o mais novo ainda beb\u00ea \u2014 a mineira Carolina Maria de Jesus conseguiu um teto para a fam\u00edlia. 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