{"id":21153,"date":"2021-07-27T17:08:19","date_gmt":"2021-07-27T20:08:19","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/?p=21153"},"modified":"2021-07-27T17:08:26","modified_gmt":"2021-07-27T20:08:26","slug":"cavernas-do-brasil-um-tesouro-subterraneo-a-ser-descoberto-mas-ja-ameacado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/index.php\/2021\/07\/27\/cavernas-do-brasil-um-tesouro-subterraneo-a-ser-descoberto-mas-ja-ameacado\/","title":{"rendered":"Cavernas do Brasil: um tesouro subterr\u00e2neo a ser descoberto, mas j\u00e1 amea\u00e7ado"},"content":{"rendered":"\n<p><em><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Pa\u00eds tem mais de 20 mil cavernas, com forma\u00e7\u00f5es incr\u00edveis e centenas de esp\u00e9cies ainda n\u00e3o descritas pela ci\u00eancia. Mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o ambiental preocupam pesquisadores<\/span><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Um dos tesouros mais desconhecidos da biodiversidade brasileira est\u00e1 escondido, literalmente, debaixo da terra. Pouca gente sabe disso, mas, permeando as entranhas subterr\u00e2neas da Amaz\u00f4nia, do Cerrado e de todos os grandes biomas nacionais existe um universo oculto de milhares de cavernas, habitadas por centenas de esp\u00e9cies \u00fanicas na natureza e centenas de milhares de anos de hist\u00f3ria petrificada do clima e da vida no planeta. S\u00e3o mais de 20 mil cavernas j\u00e1 catalogadas em territ\u00f3rio brasileiro \u2014 de um total que, segundo alguns especialistas, pode chegar a 300 mil. E esse tesouro subterr\u00e2neo pode estar amea\u00e7ado, alertam os pesquisadores, por conta de altera\u00e7\u00f5es na legisla\u00e7\u00e3o ambiental.<br>A maior parte dessas grutas foi descoberta apenas recentemente. At\u00e9 2009, pouco mais de seis mil cavernas eram conhecidas no Pa\u00eds; desde ent\u00e3o esse n\u00famero aumentou 235%, e n\u00e3o para de subir. O principal \u201cculpado\u201d por isso \u00e9 um decreto publicado em novembro de 2008 (<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2007-2010\/2008\/Decreto\/D6640.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Decreto 6640<\/a>), que criou uma nova classifica\u00e7\u00e3o de cavernas e passou a exigir o licenciamento ambiental de atividades potencialmente impactantes a elas, como empreendimentos agr\u00edcolas, miner\u00e1rios e obras de infraestrutura. Nesse processo de licenciamento, que passou a ser obrigat\u00f3rio, muitas novas grutas acabaram sendo descobertas. E, junto com elas, centenas de novas esp\u00e9cies cavern\u00edcolas \u2014 incluindo peixes, crust\u00e1ceos, aracn\u00eddeos e uma diversidade de outros invertebrados \u2014 al\u00e9m de um sem n\u00famero de paisagens, rios subterr\u00e2neos, cachoeiras, sal\u00f5es grandiosos, adornados com espeleotemas fant\u00e1sticos, e outras forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas de tirar o f\u00f4lego.<br>\u201cUm mundo invis\u00edvel\u201d, nas palavras do ge\u00f3logo Francisco William da Cruz J\u00fanior \u2014 mais conhecido como Chico Bill \u2014 professor do Instituto de Geoci\u00eancias (IGc) da USP e um dos muitos pesquisadores empenhados em divulgar 2021 como o <a href=\"http:\/\/iyck2021.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ano Internacional das Cavernas e do Carste<\/a>, organizado pela Uni\u00e3o Internacional de Espeleologia e apoiado localmente pela\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cavernas.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sociedade Brasileira de Espeleologia<\/a> (SBE).<br>A quantidade de novidades \u00e9 t\u00e3o grande que os cientistas mal d\u00e3o conta de processar tanta informa\u00e7\u00e3o. At\u00e9 o momento, s\u00e3o conhecidas cerca de 250 esp\u00e9cies de animais que vivem exclusivamente dentro de cavernas (chamados de trogl\u00f3bios), segundo um levantamento in\u00e9dito (ainda n\u00e3o publicado) conduzido pelos pesquisadores Jonas Gall\u00e3o e Maria Elina Bichuette, do Laborat\u00f3rio de Estudos Subterr\u00e2neos da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar). \u201cA maioria dos trogl\u00f3bios \u00e9 end\u00eamica\u201d, ou seja, s\u00e3o animais que s\u00f3 existem dentro de uma \u00fanica gruta ou um \u00fanico sistema de cavernas, explica Maria Elina, que \u00e9 formada pela USP e tamb\u00e9m orienta alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no campus de Ribeir\u00e3o Preto da USP.<br>Esse \u00e9 o n\u00famero de esp\u00e9cies formalmente descritas pela ci\u00eancia \u2014 com nome, RG e comprovante de resid\u00eancia, digamos assim \u2014 mas o n\u00famero \u201creal\u201d de trogl\u00f3bios que habitam a escurid\u00e3o das cavernas brasileiras \u00e9 certamente muito maior. Pesquisadores calculam que o n\u00famero de esp\u00e9cies novas j\u00e1 coletadas, mas ainda n\u00e3o oficialmente descritas, pode chegar a mil.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">\u201cA cada nova expedi\u00e7\u00e3o que fazemos, novas esp\u00e9cies v\u00eam \u00e0 tona. A fila de descri\u00e7\u00e3o \u00e9 gigantesca\u201d, diz o pesquisador Rodrigo Lopes Ferreira \u2014 mais conhecido como Drops \u2014 do Setor de Biodiversidade Subterr\u00e2nea da Universidade Federal de Lavras.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Maria Elina \u00e9 mais conservadora e calcula que o n\u00famero esteja em torno de 500 \u2014 ainda assim, uma quantidade enorme. Isso, considerando apenas os bichos j\u00e1 coletados em expedi\u00e7\u00f5es passadas, que os bi\u00f3logos conseguem pegar na m\u00e3o, olhar debaixo de uma lupa e inferir que se trata (provavelmente) de uma esp\u00e9cie nova. Sem contar, portanto, as in\u00fameras esp\u00e9cies desconhecidas que devem existir nas profundezas subterr\u00e2neas das milhares de cavernas que ainda est\u00e3o para ser descobertas no Brasil. Fazendo uma conta simples, se a estimativa de 300 mil cavernas estiver correta e apenas 1% dessas grutas abrigarem um trogl\u00f3bio end\u00eamico, j\u00e1 ser\u00e3o tr\u00eas mil esp\u00e9cies novas para a ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">A fila de espera deve-se, principalmente, ao pequeno n\u00famero de taxonomistas (cientistas especializados na descri\u00e7\u00e3o e classifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies) com expertise nesses grupos mais peculiares de animais cavern\u00edcolas.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Trogl\u00f3bio significa vida (bio) em cavernas (troglo). S\u00e3o bichos muito peculiares, com caracter\u00edsticas morfol\u00f3gicas e fisiol\u00f3gicas altamente especializadas para a vida no meio subterr\u00e2neo. Os exemplos mais comuns s\u00e3o redu\u00e7\u00e3o ou aus\u00eancia de pigmenta\u00e7\u00e3o e de estruturas oculares (j\u00e1 que n\u00e3o precisam produzir melanina nem enxergar), alongamento de ap\u00eandices (como pernas ou pin\u00e7as) e aumento de estruturas sensoriais (como antenas ou bigodes), que eles utilizam para detectar alimentos e encontrar seu caminho na escurid\u00e3o. A maioria pertence ao grupo dos invertebrados, como aranhas, escorpi\u00f5es, besouros, lacraias e caranguejos. Entre os vertebrados, s\u00f3 mesmo os peixes, como o bagre-cego de Iporanga (Pimelodella kronei), de 20 cent\u00edmetros, que \u00e9 end\u00eamico das cavernas do Vale do Alto Ribeira, em S\u00e3o Paulo. \u00c9 um peixe cego e carn\u00edvoro, que se alimenta de pequenos invertebrados aqu\u00e1ticos e baratas ou grilos, que porventura caem em suas \u00e1guas geladas.<br>Al\u00e9m dos trogl\u00f3bios, que s\u00e3o exclusivamente subterr\u00e2neos, h\u00e1 os organismos trogl\u00f3filos, que podem viver tanto dentro quanto fora das cavernas (como algumas esp\u00e9cies de grilos e aranhas), e os trogl\u00f3xenos, que habitam as cavernas, mas precisam sair delas em algum momento para completar seu ciclo de vida. Desse \u00faltimo grupo, o exemplo mais cl\u00e1ssico s\u00e3o os morcegos cavern\u00edcolas, que dormem no teto de cavidades subterr\u00e2neas, mas precisam sair delas diariamente para se alimentar de frutos ou insetos \u2014 e, ao fazer isso, prestam um servi\u00e7o ecol\u00f3gico important\u00edssimo para a dispers\u00e3o de sementes na natureza e o controle de pragas agr\u00edcolas e urbanas. S\u00e3o eles, tamb\u00e9m, os principais importadores de mat\u00e9ria org\u00e2nica para o interior das cavernas, por meio das suas fezes (o famoso guano), que serve de alimento para muitos dos invertebrados que ali habitam.<br>Nesse sentido, as cavernas s\u00e3o essenciais para muitos morcegos, assim como os morcegos s\u00e3o essenciais para muitas cavernas. Uma caverna no Tocantins, chamada Gruta dos Moura, chega a abrigar 26 esp\u00e9cies desses mam\u00edferos voadores \u2014 um recorde mundial.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">\u201cS\u00e3o mais esp\u00e9cies de morcegos numa \u00fanica caverna do que em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo\u201d, compara o bi\u00f3logo Enrico Bernard, especialista em morcegos e coordenador do Laborat\u00f3rio de Ci\u00eancia Aplicada \u00e0 Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade, da Universidade Federal de Pernambuco.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Na Caatinga e no norte da Amaz\u00f4nia, segundo ele, h\u00e1 grutas com popula\u00e7\u00f5es gigantescas, de at\u00e9 150 mil morcegos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">\u201cAs cavernas s\u00e3o consideradas uma das \u00faltimas fronteiras de pesquisa biol\u00f3gica no mundo\u201d, assim como o dossel das florestas tropicais e as profundezas do oceano, afirma Bernard. \u201cS\u00e3o hotspots para a descoberta de esp\u00e9cies\u201d.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Das sete esp\u00e9cies de morcegos consideradas amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o no Brasil, quatro s\u00e3o cavern\u00edcolas, e est\u00e3o amea\u00e7adas justamente por conta da perda de cavernas que elas dependem para sobreviver, segundo o pesquisador.<br>Desde 2008, segundo o Decreto 6.640, a presen\u00e7a de esp\u00e9cies end\u00eamicas ou amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos crit\u00e9rios usados para designar cavernas como de \u201crelev\u00e2ncia m\u00e1xima\u201d, que \u00e9 a \u00fanica categoria com garantia legal de preserva\u00e7\u00e3o no Brasil atualmente. \u201cA cavidade natural subterr\u00e2nea com grau de relev\u00e2ncia m\u00e1ximo e sua \u00e1rea de influ\u00eancia n\u00e3o podem ser objeto de impactos negativos irrevers\u00edveis, sendo que sua utiliza\u00e7\u00e3o deve fazer-se somente dentro de condi\u00e7\u00f5es que assegurem sua integridade f\u00edsica e a manuten\u00e7\u00e3o do seu equil\u00edbrio ecol\u00f3gico\u201d, diz o Artigo 13 do decreto. J\u00e1 as cavernas classificadas como de relev\u00e2ncia alta, m\u00e9dia ou baixa \u201cpoder\u00e3o ser objeto de impactos negativos irrevers\u00edveis, mediante licenciamento ambiental\u201d.<br>Se, por um lado, a exig\u00eancia de licenciamento proporcionou um boom na descoberta e no estudo de cavernas desde 2008, por outro, o decreto abriu brechas para a destrui\u00e7\u00e3o desses ambientes. At\u00e9 ent\u00e3o, pela reda\u00e7\u00e3o original do <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/1990-1994\/d99556.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Decreto 99.556, de 1990<\/a>, todas as cavernas gozavam de prote\u00e7\u00e3o integral, e s\u00f3 podiam ser utilizadas \u201cdentro de condi\u00e7\u00f5es que assegurem sua integridade f\u00edsica e a manuten\u00e7\u00e3o do respectivo equil\u00edbrio ecol\u00f3gico\u201d.<br>\u201cO n\u00famero de cavernas conhecidas est\u00e1 diretamente associado \u00e0 press\u00e3o econ\u00f4mica para utiliza\u00e7\u00e3o dessas cavernas\u201d, destrincha o espele\u00f3logo Cruz J\u00fanior, da USP.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">\u201cConhecemos mais cavernas nos \u00faltimos anos n\u00e3o gra\u00e7as a um investimento em ci\u00eancia, mas porque o setor que quer detonar essas cavernas \u00e9 obrigado a fazer o licenciamento\u201d, acrescenta Bernard.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Novas amea\u00e7as<br><\/span><\/strong>Aos trancos e barrancos, os cientistas at\u00e9 que vinham convivendo de forma pac\u00edfica com o novo decreto \u2014 aproveitando o que ele tinha de melhor e evitando o que ele tinha de pior a oferecer. Novas tentativas de alterar essa legisla\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, fizeram ecoar de novo o medo de uma amea\u00e7a \u00e0s cavernas brasileiras na comunidade cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">\u201cCom tanta boiada passando, \u00e9 claro que as cavernas n\u00e3o ficariam inc\u00f3lumes\u201d, diz o bi\u00f3logo Rafael Ferreira, doutorando da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro e segundo secret\u00e1rio da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE).<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u201cMais do que nunca, as cavernas est\u00e3o sob forte amea\u00e7a\u201d, diz o ge\u00f3grafo Allan Calux, presidente da SBE. O primeiro alarme soou em 2019, quando o Minist\u00e9rio das Minas e Energia prop\u00f4s uma nova reda\u00e7\u00e3o para o Decreto 6.640, abrindo a possibilidade de que mesmo as cavernas de relev\u00e2ncia m\u00e1xima \u201cpudessem ser impactadas ou mesmo destru\u00eddas\u201d, segundo pesquisadores relatam em um <a href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/2021\/06\/no-ano-internacional-das-cavernas-e-do-carste-as-cavernas-do-brasil-estao-em-alto-risco-artigo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">artigo<\/a> publicado em junho, no site de not\u00edcias Mongabay. A proposta, segundo eles, recebeu parecer favor\u00e1vel da Advocacia-Geral da Uni\u00e3o e foi encaminhada ao Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, mas ainda n\u00e3o foi efetivada.<br>O segundo alerta veio com o projeto de lei que flexibiliza, radicalmente, as regras de licenciamento ambiental no Pa\u00eds. Aprovado em maio deste ano na C\u00e2mara dos Deputados, e agora aguardando aprecia\u00e7\u00e3o pelo Senado Federal, o <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=257161\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PL 3729<\/a> isenta diversas atividades \u2014 incluindo a agropecu\u00e1ria \u2014 do licenciamento ambiental, e ainda cria uma nova modalidade de \u201cautolicenciamento\u201d, em que empreendimentos s\u00e3o autorizados a emitir suas pr\u00f3prias licen\u00e7as \u2014 inclusive para a instala\u00e7\u00e3o de barragens de rejeitos miner\u00e1rios. Some-se a isso o enfraquecimento dos \u00f3rg\u00e3os de controle federais, como Ibama e ICMBio, e a equa\u00e7\u00e3o de amea\u00e7as est\u00e1 montada. \u201cTudo \u00e9 poss\u00edvel agora nesse novo cen\u00e1rio\u201d, avalia Calux.<br>Apesar do PL 3.729 n\u00e3o mencionar diretamente as cavernas, a flexibiliza\u00e7\u00e3o do licenciamento pode trazer consequ\u00eancias graves para elas, alertam os cientistas. Isso porque as cavernas podem ser escuras e profundas, mas n\u00e3o est\u00e3o isoladas do que acontece na superf\u00edcie. Pelo contr\u00e1rio: \u201cSe voc\u00ea destr\u00f3i o ambiente externo, isso chega l\u00e1 dentro tamb\u00e9m\u201d, afirma Ferreira. Em especial, por meio dos rios, que s\u00e3o como as art\u00e9rias das cavernas. Se empreendimentos na superf\u00edcie assoreiam os rios ou poluem a \u00e1gua que corre para dentro das grutas, a vida subterr\u00e2nea ser\u00e1 diretamente afetada por isso. E como o ambiente dentro das cavernas costuma ser bastante est\u00e1vel, qualquer pequena altera\u00e7\u00e3o pode ter consequ\u00eancias muito significativas \u2014 talvez at\u00e9 inviabilizando a sobreviv\u00eancia de alguns organismos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">\u201cA caverna \u00e9 muito dependente do seu entorno; a maior parte do alimento vem de fora dela\u201d, explica Maria Elina.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Se as florestas que os morcegos utilizam para se alimentar s\u00e3o derrubadas, e os morcegos desaparecerem, por exemplo, todos os organismos que dependem da mat\u00e9ria org\u00e2nica que eles trazem para dentro da caverna morrer\u00e3o de fome.<br>\u201cVoc\u00ea pode extinguir uma esp\u00e9cie cavern\u00edcola sem nem encostar na caverna\u201d, sentencia Ferreira. Ou, quem sabe, com o tal do autolicenciamento, ignorar a exist\u00eancia ou at\u00e9 soterrar cavernas inteiras, sem as devidas precau\u00e7\u00f5es. \u201cFlexibilizar o licenciamento \u00e9 liberar a destrui\u00e7\u00e3o de cavernas que nem tivemos a chance de conhecer\u201d, alerta Cruz J\u00fanior. Remetendo \u00e0 sua fala anterior, seria como transformar o \u201cmundo invis\u00edvel\u201d num fantasma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Diversidade geol\u00f3gica<br><\/span><\/strong>Como \u00e9 poss\u00edvel haver tantas cavernas desconhecidas \u2014 ou n\u00e3o cadastradas \u2014 no Brasil? A estimativa de 300 mil cavernas poss\u00edveis no Pa\u00eds \u00e9 dos pesquisadores Jocy Brand\u00e3o Cruz e Lu\u00eds Pil\u00f3, no guia <em>Espeleologia e Licenciamento Ambiental,<\/em> <a href=\"https:\/\/www.icmbio.gov.br\/cecav\/publicacoes.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">publicado em 2019<\/a> pelo Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio). Ela leva em conta a extens\u00e3o das forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas em que predominam rochas sol\u00faveis, prop\u00edcias \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de cavernas \u2014 chamadas de paisagens c\u00e1rsticas, ou simplesmente carste \u2014 e faz uma extrapola\u00e7\u00e3o, com base no n\u00famero de cavernas j\u00e1 conhecidas para cada tipo de relevo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">\u201cParece seguro afirmar que, hoje, menos de 5% das cavernas existentes tenham sido identificadas\u201d, escrevem Pil\u00f3 e o espele\u00f3logo Augusto Auler no Cap\u00edtulo 1 do guia.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u201cNosso potencial espeleol\u00f3gico situa-se seguramente na faixa de algumas centenas de milhares de cavernas. Apenas a t\u00edtulo comparativo, em pa\u00edses mais desenvolvidos na identifica\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de cavernas, como It\u00e1lia e Fran\u00e7a, com \u00e1reas equivalentes ao Estado de Minas Gerais, cerca de 40 mil cavernas s\u00e3o conhecidas. A aus\u00eancia de pesquisa, o pequeno n\u00famero de espele\u00f3logos, as dificuldades de acesso, dentre outros motivos, justificam o reduzido conhecimento que ainda temos do potencial espeleol\u00f3gico brasileiro\u201d.<br>\u00c9 perfeitamente poss\u00edvel, segundo os espele\u00f3logos, que haja cavernas imensas escondidas por a\u00ed no subterr\u00e2neo brasileiro, esperando para serem descobertas. Grandes cavernas n\u00e3o t\u00eam necessariamente grandes portais; elas podem ter entradas singelas ou camufladas em \u00e1reas de dif\u00edcil acesso. S\u00f3 mesmo se aventurando dentro delas para saber. Son Doong, a maior caverna do mundo em volume (com 38,5 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos), no Vietn\u00e3, s\u00f3 foi descoberta por pesquisadores em 2009, por exemplo. A maior caverna do Brasil \u00e9 a Toca da Boa Vista, em Campo Formoso, no sert\u00e3o da Bahia, com 114 km de galerias mapeadas, e sua verdadeira extens\u00e3o s\u00f3 come\u00e7ou a ser iluminada cientificamente no fim dos anos 1980 \u2014 apesar de a sua entrada j\u00e1 ser conhecida pela popula\u00e7\u00e3o local h\u00e1 bastante tempo.<br>A diversidade biol\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica coisa que chama a aten\u00e7\u00e3o nas cavernas brasileiras. Existe, tamb\u00e9m, uma incr\u00edvel diversidade geol\u00f3gica a ser admirada e estudada. As mais comuns s\u00e3o as cavernas em calc\u00e1rio, que \u00e9 uma rocha abundante e altamente sol\u00favel em \u00e1gua; mas h\u00e1 tamb\u00e9m cavernas formadas em v\u00e1rios outros tipos de rochas, como quartzito e arenito, cada uma com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias. Uma peculiaridade do Brasil, que emergiu nos \u00faltimos anos, \u00e9 o grande n\u00famero de cavernas de ferro \u2014 principalmente na regi\u00e3o de Caraj\u00e1s (PA), que \u00e9 a maior produtora de min\u00e9rio de ferro do Pa\u00eds.<br>Preservados nessas rochas est\u00e3o milhares de anos de hist\u00f3ria da geologia e do clima dessas regi\u00f5es, que os cientistas conseguem \u201cler\u201d por meio dos elementos qu\u00edmicos que s\u00e3o depositados pela \u00e1gua no processo de forma\u00e7\u00e3o dos espeleotemas (estalactites e estalagmites). S\u00e3o testemunhos de rocha que guardam informa\u00e7\u00f5es sobre como eram o clima e o ambiente ao redor dessas cavernas no momento em que foram formados, tal qual os testemunhos de gelo extra\u00eddos de geleiras. \u201cCada estalagmite \u00e9 um patrim\u00f4nio natural de informa\u00e7\u00f5es do passado\u201d, afirma Cruz J\u00fanior, especialista no assunto. Informa\u00e7\u00f5es que, segundo ele, s\u00e3o essenciais para entender o que pode acontecer no futuro.<br>O mesmo vale para os vest\u00edgios f\u00f3sseis e arqueol\u00f3gicos, comumente preservados em cavernas \u2014 j\u00e1 que elas, historicamente, sempre foram um local de abrigo para seres humanos e outros animais. A Serra da Capivara, no Piau\u00ed, por exemplo, abriga alguns dos vest\u00edgios mais antigos de ocupa\u00e7\u00e3o humana nas Am\u00e9ricas; assim como as cavernas da regi\u00e3o de Lagoa Santa, em Minas Gerais, onde viveu o chamado \u201cpovo de Luzia\u201d.<br>\u201cTemos um baita patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico no Brasil\u201d, diz o explorador, fot\u00f3grafo e divulgador cient\u00edfico de cavernas Daniel Menin, cujas imagens ilustram esta reportagem. Um mundo invis\u00edvel, que precisa se tornar vis\u00edvel para ser preservado.<\/p>\n\n\n\n<p><em><span class=\"has-inline-color has-black-color\"><strong>Foto: <\/strong>S\u00e9rgio Ravacci de Oliveira J\u00fanior\/Wikimedia\/CC BY-SA 3.0<\/span><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.ecycle.com.br\/cavernas-do-brasil-um-tesouro-subterraneo-a-ser-descoberto-mas-ja-ameacado\/\">eCycle<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pa\u00eds tem mais de 20 mil cavernas, com forma\u00e7\u00f5es incr\u00edveis e centenas de esp\u00e9cies ainda n\u00e3o descritas pela ci\u00eancia. Mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o ambiental preocupam pesquisadores Um dos tesouros mais desconhecidos da biodiversidade brasileira est\u00e1 escondido, literalmente, debaixo da terra. 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