{"id":43967,"date":"2023-08-04T10:54:59","date_gmt":"2023-08-04T13:54:59","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/?p=43967"},"modified":"2023-08-04T10:55:00","modified_gmt":"2023-08-04T13:55:00","slug":"a-futura-paisagem-do-nordeste-e-do-litoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/index.php\/2023\/08\/04\/a-futura-paisagem-do-nordeste-e-do-litoral\/","title":{"rendered":"A futura paisagem do Nordeste e do litoral"},"content":{"rendered":"\n<p><em><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Por Carlos Fioravanti\/<a href=\"https:\/\/gizmodo.uol.com.br\/author\/revista-pesquisa-fapesp\/\">Revista Pesquisa Fapesp<\/a><\/span><\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"729\" height=\"90\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Logo_Mizu.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1441\" srcset=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Logo_Mizu.png 729w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Logo_Mizu-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 729px) 100vw, 729px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O Brasil dever\u00e1 ter uma paisagem mais montanhosa em alguns milh\u00f5es de anos. Com poucas serras e chapadas, a regi\u00e3o Nordeste ganha \u00e1reas mais altas, muito lentamente. J\u00e1 na costa brasileira, poder\u00e1 se erguer uma cordilheira, tamb\u00e9m com vagar.<br>\u00c9 poss\u00edvel imaginar um Nordeste cheio de eleva\u00e7\u00f5es porque as chamadas bacias sedimentares, h\u00e1 milh\u00f5es de anos, sofrem um soerguimento, resultado da compress\u00e3o das placas tect\u00f4nicas, os grandes blocos de rochas que formam a camada mais superficial da Terra.<br>Normalmente baixas, em compara\u00e7\u00e3o com as \u00e1reas vizinhas, as bacias sedimentares se formam em geral pelo afastamento de estruturas geol\u00f3gicas mais densas, acumulam fragmentos de rochas e restos de animais e vegetais.<br>No Brasil as dimens\u00f5es das bacias variam bastante: a Amaz\u00f4nica tem sete milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados (km\u00b2) e acumula estimados 20% da \u00e1gua doce do planeta, enquanto a de Taubat\u00e9, a leste do estado de S\u00e3o Paulo, tem 4,2 mil km\u00b2. As duas est\u00e3o sendo espremidas \u2014 ou comprimidas \u2014 pelas placas entre as quais se formaram, de acordo com um levantamento nacional publicado em abril na revista <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0895981123001670\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Journal of South American Earth Sciences<\/em><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"250\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/FERRARI_MAQUINAS-E-FERRAMENTAS2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-27860\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Das 72 bacias sedimentares terrestres e mar\u00edtimas, que respondem por cerca de 60% do territ\u00f3rio nacional, pelo menos 22 sofrem compress\u00e3o desde o per\u00edodo geol\u00f3gico conhecido como Cret\u00e1ceo Superior, de 100 milh\u00f5es a 66 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<br>A maioria (12) das bacias em eleva\u00e7\u00e3o encontra-se ao longo da costa brasileira, regi\u00e3o j\u00e1 bastante estudada pelos ge\u00f3logos em vista da possibilidade de abrigarem petr\u00f3leo. \u00c9 o caso das bacias de Santos e Campos, principal centro produtor de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural com 352 mil km\u00b2, do litoral sul do Rio de Janeiro at\u00e9 o norte de Santa Catarina.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/logo-Rapuzel-1024x571.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-42808\" width=\"388\" height=\"216\" srcset=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/logo-Rapuzel-1024x571.jpg 1024w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/logo-Rapuzel-300x167.jpg 300w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/logo-Rapuzel-768x428.jpg 768w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/logo-Rapuzel-1536x856.jpg 1536w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/logo-Rapuzel.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 388px) 100vw, 388px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Coordenado pelo ge\u00f3logo Francisco Hil\u00e1rio Bezerra, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o estudo citou tamb\u00e9m outras 51 bacias sedimentares sendo espremidas e se elevando no mundo. O trabalho contou com o apoio de dois institutos nacionais de Ci\u00eancia e Tecnologia \u2014 o de Estudos Tect\u00f4nicos (INCT-ET) e de Geof\u00edsica de Petr\u00f3leo (INCT-GP) \u2014 e do Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnol\u00f3gico (CNPq).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/casa-do-torresmo_portal.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-34472\" width=\"288\" height=\"288\" srcset=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/casa-do-torresmo_portal.jpg 300w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/casa-do-torresmo_portal-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 288px) 100vw, 288px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">As invers\u00f5es n\u00e3o ocorrem especialmente onde a crosta \u00e9 mais fina, como em algumas \u00e1reas no Norte e no Nordeste do Brasil\u201d, diz Bezerra.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/barao-das-carnes-300x164-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-34339\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Chamado de invers\u00e3o tect\u00f4nica, por consistir na press\u00e3o \u2014 ou compress\u00e3o \u2014 das placas tect\u00f4nicas entre as quais est\u00e3o as bacias, no sentido oposto ao afastamento que as gerou, esse movimento modifica o relevo lentamente, ao passo que os vulc\u00f5es e terremotos causam mudan\u00e7as repentinas. Pode tamb\u00e9m desviar rios e criar condi\u00e7\u00f5es para a forma\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios subterr\u00e2neos de \u00e1gua ou petr\u00f3leo, aprisionados com o deslocamento dos blocos de rochas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"250\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/arte-Casarao.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33178\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">A invers\u00e3o das bacias sedimentares \u00e9 um tema pouco explorado, principalmente no Brasil\u201d, comenta o ge\u00f3logo Claudio Riccomini, dos institutos de Energia e Meio Ambiente (Iema) e de Geoci\u00eancias (IGc), ambos da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), que n\u00e3o participou do estudo. \u201cEm casos extremos, gera cadeias de montanhas\u201d.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/nova-logo-Marquetti.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40207\" width=\"317\" height=\"213\" srcset=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/nova-logo-Marquetti.jpg 643w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/nova-logo-Marquetti-300x202.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 317px) 100vw, 317px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A chapada do Araripe, que se estende por cerca de 200 quil\u00f4metros (km) nos estados do Cear\u00e1, Pernambuco e Para\u00edba, com at\u00e9 mil metros (m) de altura, por exemplo, j\u00e1 foi uma bacia sedimentar com topografia baixa. Formada h\u00e1 cerca de 150 milh\u00f5es de anos, essa \u00e1rea come\u00e7ou a afundar \u2014 movimento associado \u00e0 forma\u00e7\u00e3o das bacias sedimentares \u2014 h\u00e1 cerca de 110 milh\u00f5es anos em resposta a mudan\u00e7as no sentido das for\u00e7as das placas tect\u00f4nicas decorrentes da <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/quando-se-quebrou-uma-ponte-entre-a-america-do-sul-e-a-africa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">separa\u00e7\u00e3o entre a Am\u00e9rica do Sul e a \u00c1frica<\/a>. Bem depois, pelo menos desde o per\u00edodo chamado Cret\u00e1ceo Superior, cerca de 60 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, come\u00e7ou a subir, tamb\u00e9m como rea\u00e7\u00e3o \u00e0 compress\u00e3o de estruturas mais densas que a cercam.<br>O ge\u00f3logo Norberto Morales, do Instituto de Geoci\u00eancias e Ci\u00eancias Exatas da Universidade Estadual Paulista (IGCE-Unesp), que percorreu o Araripe pela primeira vez em 1997, observa que a forma\u00e7\u00e3o da chapada n\u00e3o apenas modificou o relevo, mas tamb\u00e9m favoreceu a ocupa\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/RC_800x750_page-0001.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-35338\" width=\"300\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/RC_800x750_page-0001.jpg 400w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/RC_800x750_page-0001-300x281.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">As regi\u00f5es de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha e outras do vale do Cariri, na Para\u00edba, t\u00eam muita \u00e1gua e planta\u00e7\u00f5es em consequ\u00eancia da invers\u00e3o da bacia do Araripe\u201d, diz ele. \u201cA chapada funciona como uma barreira \u00e0 umidade e faz a chuva escoar. A \u00e1gua se infiltra no solo, acumula-se em rochas porosas como o arenito e abastece os len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos\u201d.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"661\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/serra-do-espinhaco.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-43968\" srcset=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/serra-do-espinhaco.jpg 1000w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/serra-do-espinhaco-300x198.jpg 300w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/serra-do-espinhaco-768x508.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption><em><span class=\"has-inline-color has-black-color\">A forma\u00e7\u00e3o da chapada do Araripe barrou a umidade e facilitou o crescimento da vegeta\u00e7\u00e3o (Foto: Wikimedia Commons)<\/span><\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>No estudo mais recente, publicado em janeiro na revista <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0040195122004607?via%3Dihub\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Tectophysics<\/em><\/a>, o grupo da Unesp mostra que, como outras bacias do Nordeste, a do Araripe foi gerada por esfor\u00e7os de afastamento e ainda no Cret\u00e1ceo esteve sujeita tamb\u00e9m \u00e0 invers\u00e3o, influenciada por for\u00e7as de compress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/lacremoda.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-43706\" width=\"374\" height=\"209\" srcset=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/lacremoda.jpg 1024w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/lacremoda-300x168.jpg 300w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/lacremoda-768x431.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 374px) 100vw, 374px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Outro exemplo \u00e9 a serra do Espinha\u00e7o, que se estende por cerca de mil km nos estados de Minas Gerais e Bahia, com altitude m\u00e1xima de 2.072m no pico do Sul, no munic\u00edpio mineiro de Catas Altas. Essa \u00e1rea come\u00e7ou a elevar-se h\u00e1 600 milh\u00f5es de anos, quando rochas sedimentares e vulc\u00e2nicas soterradas a grandes profundidades come\u00e7aram a subir, pressionadas pelos blocos rochosos vizinhos.<br>\u201cOs Andes tamb\u00e9m j\u00e1 foram uma bacia sedimentar de baixa altitude, tanto que t\u00eam f\u00f3sseis marinhos\u201d, acrescenta Riccomini. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"250\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Banner-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-43787\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A cordilheira na borda oeste da Am\u00e9rica do Sul come\u00e7ou a se formar h\u00e1 cerca de 60 milh\u00f5es de anos, como resultado da subduc\u00e7\u00e3o \u2014 ou mergulho \u2014 da placa de Nazca sob a placa Sul-americana, que pressionou o relevo para cima. Com as bacias situadas entre os limites das placas tect\u00f4nicas, como as da por\u00e7\u00e3o continental do Brasil, o processo \u00e9 diferente: \u00e9 a quantidade de sedimentos acumulados, n\u00e3o a press\u00e3o das placas, que vai determinar o quanto uma \u00e1rea poder\u00e1 se elevar.<br>De acordo com esse racioc\u00ednio, as bacias sedimentares do Nordeste, por n\u00e3o abrigarem tanto sedimento, n\u00e3o devem sofrer um soerguimento acentuado. Mas \u00e9 poss\u00edvel pensar que, em centenas de milh\u00f5es de anos, a costa brasileira esteja cercada por \u00e1reas mais elevadas que o atual relevo, j\u00e1 que ao longo do litoral as bacias s\u00e3o mais profundas, com mais sedimentos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/logo_esteio.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1214\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">Alguns modelos te\u00f3ricos sobre a evolu\u00e7\u00e3o dos continentes indicam que poderia se formar uma zona de subduc\u00e7\u00e3o na costa brasileira, que marca o limite da crosta continental e da crosta oce\u00e2nica\u201d, comenta Morales. \u201cPor ser mais densa, a crosta oce\u00e2nica vai mergulhar sob a continental. Foi assim que os Andes come\u00e7aram\u201d.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/logo-Panper_portal.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40208\" width=\"315\" height=\"218\" srcset=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/logo-Panper_portal.jpg 400w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/logo-Panper_portal-300x208.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 315px) 100vw, 315px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong><span class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Ecos da separa\u00e7\u00e3o dos continentes<br><\/span><\/strong>Ver a Am\u00e9rica do Sul e a \u00c1frica em um mapa ajuda a entender por que as bacias sedimentares sobem em vez de afundarem.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">Quando a Am\u00e9rica do Sul se separou da \u00c1frica, formou-se uma cordilheira no meio do Atl\u00e2ntico, a Dorsal Meso-oce\u00e2nica, que pressiona a placa Sul-americana para oeste\u201d, explica Bezerra.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Arte-jornal-Zucchi-600x600_Prancheta-1-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-34782\" width=\"287\" height=\"287\" srcset=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Arte-jornal-Zucchi-600x600_Prancheta-1-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Arte-jornal-Zucchi-600x600_Prancheta-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Arte-jornal-Zucchi-600x600_Prancheta-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Arte-jornal-Zucchi-600x600_Prancheta-1-768x768.jpg 768w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Arte-jornal-Zucchi-600x600_Prancheta-1.jpg 1250w\" sizes=\"auto, (max-width: 287px) 100vw, 287px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Do outro lado do continente, ele acrescenta, a placa de Nazca mergulha sob a placa Sul-americana e, depois de ter formado os Andes, empurra para leste os blocos de rochas que formam o continente. \u201cComo resultado, o trecho continental da placa Sul-americana, que fica no meio, \u00e9 comprimido e joga para cima as partes menos densas, que s\u00e3o as bacias sedimentares\u201d, diz Bezerra.<br>Morales acrescenta: \u201cDever\u00edamos considerar tamb\u00e9m a placa do Caribe, que \u00e9 pequena, mas decisiva para a forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica da Amaz\u00f4nia\u201d. Segundo ele, a movimenta\u00e7\u00e3o da placa do Caribe resultou, por exemplo, nos vastos dep\u00f3sitos de petr\u00f3leo da Venezuela.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/WhatsApp-Image-2023-08-02-at-10.51.03.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-43905\" width=\"344\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/WhatsApp-Image-2023-08-02-at-10.51.03.jpeg 948w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/WhatsApp-Image-2023-08-02-at-10.51.03-300x165.jpeg 300w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/WhatsApp-Image-2023-08-02-at-10.51.03-768x422.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 344px) 100vw, 344px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo o ge\u00f3logo David Vasconcelos, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), que participou do trabalho, houve tr\u00eas grandes per\u00edodos de eleva\u00e7\u00e3o das bacias brasileiras: de 100 milh\u00f5es a 70 milh\u00f5es, de 50 milh\u00f5es a 40 milh\u00f5es e de 20 milh\u00f5es at\u00e9 o presente. Essas fases coincidem com as de maior crescimento dos Andes, em resposta ao movimento da placa de Nazca.<br>Como algumas bacias s\u00e3o muito extensas, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel verificar quanto de cada uma se elevou, mas em algumas \u00e1reas esse fen\u00f4meno e suas consequ\u00eancias s\u00e3o vis\u00edveis. \u00c9 o caso da serra do Mel, um trecho central da bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte. Press\u00f5es identificadas por v\u00e1rias t\u00e9cnicas geol\u00f3gicas e geof\u00edsicas resultaram em uma eleva\u00e7\u00e3o de 273 m de altura, com 40 km de largura e 70 km de comprimento, cercada por \u00e1reas a n\u00edvel do mar.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Precisao-Contabilidade-1024x724.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-28088\" width=\"300\" height=\"212\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">Em consequ\u00eancia da compress\u00e3o na serra do Mel, as fal\u00e9sias litor\u00e2neas, j\u00e1 com mais de 100m, tamb\u00e9m est\u00e3o soerguendo e os rios se afastando\u201d, comenta Bezerra.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"137\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/LOGO_JULIANA-GRACA_PORTAL.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-42597\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo ele, a serra est\u00e1 empurrando o rio Mossor\u00f3 ainda mais para oeste e o A\u00e7u mais para leste. As plan\u00edcies ao lado dos rios, principalmente do A\u00e7u, indicam esse deslocamento. Ao redor da serra, outros trechos da bacia Potiguar se movem em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es, em resposta \u00e0 press\u00e3o das placas tect\u00f4nicas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Logo-Steel-Controls-1024x340.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-43791\" width=\"352\" height=\"116\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A vis\u00e3o mais clara sobre o estado e as tend\u00eancias da paisagem brasileira resulta de estudos iniciados nos anos 1980, quando ge\u00f3logos e geof\u00edsicos do mundo inteiro verificaram que as regi\u00f5es entre as placas tect\u00f4nicas estavam sendo comprimidas. O resultado foi a elabora\u00e7\u00e3o de um mapa de for\u00e7as geol\u00f3gicas, publicado inicialmente em 1992, com a participa\u00e7\u00e3o do geof\u00edsico Marcelo Assump\u00e7\u00e3o, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP); a <a href=\"https:\/\/www.world-stress-map.org\/fileadmin\/wsm\/pdfs\/Heidbach_et_al_2018_WSM_2016_Tectonophysics.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">vers\u00e3o mais recente<\/a>, de 2016, registra 42 mil pontos de tens\u00e3o entre blocos de rochas, dentro e fora das bacias.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/logo-ITH.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-43684\" width=\"315\" height=\"170\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong><em>Fonte: <a href=\"https:\/\/gizmodo.uol.com.br\/a-futura-paisagem-do-nordeste-e-do-litoral\/\">GizModo<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carlos Fioravanti\/Revista Pesquisa Fapesp O Brasil dever\u00e1 ter uma paisagem mais montanhosa em alguns milh\u00f5es de anos. 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