{"id":7156,"date":"2020-07-31T16:29:49","date_gmt":"2020-07-31T19:29:49","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/?p=7156"},"modified":"2020-07-31T16:29:52","modified_gmt":"2020-07-31T19:29:52","slug":"pelos-prostibares-da-amazonia-como-funcionam-as-redes-de-prostituicao-na-selva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/index.php\/2020\/07\/31\/pelos-prostibares-da-amazonia-como-funcionam-as-redes-de-prostituicao-na-selva\/","title":{"rendered":"Pelos \u2018prostibares\u2019 da Amaz\u00f4nia, como funcionam as redes de prostitui\u00e7\u00e3o na selva"},"content":{"rendered":"\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><em>A zona da tr\u00edplice fronteira entre Col\u00f4mbia, Peru e Brasil \u00e9 a regi\u00e3o ideal para o tr\u00e1fico \u2013 n\u00e3o s\u00f3 de drogas e recursos naturais, mas tamb\u00e9m de pessoas. Quase sempre s\u00e3o mulheres e meninas<\/em><\/h6>\n\n\n\n<p>Nem nos ocorreria mencion\u00e1-la. Se algu\u00e9m nos perguntasse sobre um lugar onde h\u00e1 tr\u00e1fico humano, poucas vezes responder\u00edamos a Amaz\u00f4nia ou a tr\u00edplice fronteira entre Col\u00f4mbia, Peru e Brasil. Entretanto, nenhum pa\u00eds se livra deste delito que comercializa as pessoas como se fossem mercadorias. Entre as v\u00edtimas, 62% s\u00e3o mulheres e 23% s\u00e3o meninas, e em torno de 80% das vezes o objetivo \u00e9 explor\u00e1-las sexualmente.<br>Com o confinamento for\u00e7oso e todas as aten\u00e7\u00f5es voltadas para os mais de 699.252 casos confirmados e 19.917 mortos pela covid-19 em toda a Pan-Amaz\u00f4nia (at\u00e9 28 de julho), junto com a necessidade de a\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria e o fortalecimento da sa\u00fade p\u00fablica, fica mais dif\u00edcil do que nunca medir o impacto do tr\u00e1fico sexual, mas os especialistas no terreno afirmam que a crise econ\u00f4mica aumentou o narcotr\u00e1fico, o desmatamento ilegal e o tr\u00e1fico e explora\u00e7\u00e3o de seres humanos.<br>A localiza\u00e7\u00e3o fronteiri\u00e7a dos munic\u00edpios de Puerto Nari\u00f1o (Col\u00f4mbia), Caballococha (Peru) e Atalaia do Norte (Amazonas, Brasil), unidos e separados pelo rio Amazonas, s\u00e3o o caldo de cultivo ideal para o tr\u00e1fico, n\u00e3o s\u00f3 de drogas ou recursos naturais, tamb\u00e9m de pessoas. Aqui, toda a comunica\u00e7\u00e3o se realiza dentro e atrav\u00e9s do rio Amazonas. As lanchas, botes e demais embarca\u00e7\u00f5es cruzam constantemente de uma margem \u00e0 outra e, quase sem controle, mudam de pa\u00eds.<br>Puerto Nari\u00f1o (Col\u00f4mbia) \u00e9 um destino tur\u00edstico muito popular na regi\u00e3o. Uma cidade pequena e pacata, com cal\u00e7ad\u00f5es de pedestres e jardins bem cuidados, \u00e0 beira do rio Loretoyaco, ideal para pequenos cruzeiros fluviais e para ver os botos-cor-de-rosa em seu habitat. Neste id\u00edlico povoado as alunas do Internato Ind\u00edgena de San Francisco de Loretoyaco s\u00e3o o alvo de muitos olhares de desejo. Homens bem mais velhos que elas as seduzem na sa\u00edda do col\u00e9gio para que naveguem em sua companhia at\u00e9 Caballococha durante o fim de semana, prometendo-lhes divers\u00e3o, presentes, roupa, um celular ou pequenas quantidades de dinheiro.<br>As adolescentes, com as circunst\u00e2ncias de precariedade que afligem suas fam\u00edlias, n\u00e3o preveem um futuro pr\u00f3spero, por isso consideram essas propostas uma oportunidade para melhorar de vida. As redes de tr\u00e1fico sexual conhecem bem essa situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e se aproveitam. N\u00e3o s\u00e3o grandes organiza\u00e7\u00f5es criminosas, e sim indiv\u00edduos que frequentam ou residem na \u00e1rea. Dominam o contexto e se organizam para captar, transferir e explorar. Assim, nos finais de semana, h\u00e1 na regi\u00e3o um grande fluxo de adolescentes levadas a estabelecimentos conhecidos como prostibares, geralmente propriedades de traficantes de coca e usados para todo tipo de neg\u00f3cios il\u00edcitos, frequentemente com a coniv\u00eancia das autoridades locais.<br>O confinamento pela covid-19 agravou ainda mais esta realidade. Em seu aspecto positivo, a pandemia gerou mais coes\u00e3o comunit\u00e1ria, o refor\u00e7o das atividades de pesca e cultivo e o fortalecimento da pr\u00e1tica da medicina tradicional para combater os sintomas do v\u00edrus. Mas, em rela\u00e7\u00e3o ao tr\u00e1fico sexual, houve um passo atr\u00e1s, criando um falso imagin\u00e1rio de preserva\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que se acreditou que o fechamento de fronteiras e a paralisa\u00e7\u00e3o do turismo ofereceria mais prote\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o foi assim. As economias ilegais continuam operando, e agora encontram mais necessidades e mais grupos de jovens desocupados e f\u00e1ceis de captar.<br>Essa \u00e1rea da Tr\u00edplice Fronteira acumula (at\u00e9 28 de julho) 14.927 pessoas contagiadas e 362 mortas, e quase n\u00e3o se fala das implica\u00e7\u00f5es sociais do confinamento em crian\u00e7as e adolescentes. Mas a pandemia aumentou a evas\u00e3o escolar, as escolas est\u00e3o fechadas e sem conectividade, as priva\u00e7\u00f5es di\u00e1rias s\u00e3o maiores por causa do desemprego, o turismo \u00e9 nulo e o quase abandono dos territ\u00f3rios pelo Estado faz com que as economias ilegais continuem a oferecer \u2015agora como uma das poucas alternativas poss\u00edveis\u2015 um meio de subsist\u00eancia b\u00e1sico para as fam\u00edlias por meio do narcotr\u00e1fico, extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira e outras atividades il\u00edcitas, incluindo a explora\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Uma rede de prote\u00e7\u00e3o de lado a lado<\/h4>\n\n\n\n<p>Nathalia Forero morava nesse internato em Loretoyaco. Hoje, ela \u00e9 coordenadora da Rede de Combate ao Tr\u00e1fico de Pessoas na Tr\u00edplice Fronteira (RETP), entidade nascida h\u00e1 quatro anos para lutar contra essa realidade e como fruto de um trabalho pr\u00e9vio de investiga\u00e7\u00e3o. Foram identificadas duas formas fortes de explora\u00e7\u00e3o: a explora\u00e7\u00e3o sexual comercial de meninos, meninas e adolescentes; e outra, a laboral, ou seja, o trabalho escravo. Mas a investiga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m p\u00f4s em evid\u00eancia muitas situa\u00e7\u00f5es de abuso e explora\u00e7\u00e3o que se tornaram naturais, passando a fazer parte de uma economia de subsist\u00eancia.<br>Ela e outros membros da rede, antes do confinamento imposto pela covid-19, percorriam as comunidades fronteiri\u00e7as para dar esclarecimentos sobre as amea\u00e7as \u00e0s quais as jovens estavam expostas: \u201cO que acontece aqui \u00e9 explora\u00e7\u00e3o sexual e trabalho escravo ao mesmo tempo. E vimos que \u00e9 essencial trabalhar em rede, independentemente, mas pensando na Amaz\u00f4nia como um todo conectado\u201d.<br>O confinamento agravou ainda mais essa realidade. Do lado positivo, a pandemia teve como resultado a coes\u00e3o comunit\u00e1ria, mas as economias ilegais continuam a operar e encontram mais grupos de jovens desocupados e mais f\u00e1ceis de captar. Forero n\u00e3o est\u00e1 sozinha. Conta com pessoas que fazem a liga\u00e7\u00e3o das tr\u00eas margens desta conflu\u00eancia internacional.<br>Em Isl\u00e2ndia (Peru), Ivan\u00e9s Favretto alerta sempre que v\u00ea um movimento estranho: \u201cIsl\u00e2ndia \u00e9 conhecida como a Veneza da Amaz\u00f4nia, por seus canais e casas em palafitas. Mas \u00e9 tamb\u00e9m um enclave essencial para o tr\u00e1fego de mercadorias e de pessoas\u201d. Em Leticia (Col\u00f4mbia) \u00e9 o padre Val\u00e9rio Sartor, um jesu\u00edta brasileiro do Servi\u00e7o Jesu\u00edta da Panamaz\u00f4nia (SJPAM) e da Rede Eclesial Panamaz\u00f3nica (REPAM), que ajuda a detectar, treinar e aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o tr\u00e1fico para que possa ser evitado. \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil conseguir resgatar pessoas que j\u00e1 foram arrastadas para essa situa\u00e7\u00e3o. Mas, com os jovens e as fam\u00edlias, podemos agir antes\u201d, diz o religioso. Em Atalaia do Norte (Brasil) est\u00e1 a madrilena Marta Barral, que tamb\u00e9m luta contra maus-tratos machistas e outros tipos de abuso. \u201c\u00c9 sempre o mesmo: os pais dos meninos, das meninas e os mais jovens da comunidade s\u00e3o enganados. Algu\u00e9m chega ao povoado e oferece uma vida melhor para os menores da casa, estudos ou talvez um pequeno emprego e forma\u00e7\u00e3o profissional para obter renda para a fam\u00edlia \u201c, explica Barral.<br>A realidade da pobreza e necessidade dessas comunidades, em sua maioria, ind\u00edgenas, faz com que esse m\u00e9todo funcione sempre, pois a sobreviv\u00eancia vem primeiro. Poucos intuem que, por tr\u00e1s das promessas de uma vida melhor, se oculta o tr\u00e1fico, a escravid\u00e3o, os abusos e o come\u00e7o de um caminho sem volta. Por esse motivo, a conscientiza\u00e7\u00e3o deve ser transversal e geral, e tamb\u00e9m o trabalho com a Justi\u00e7a, porque, apesar de muitos pa\u00edses terem leis contra o tr\u00e1fico de pessoas, \u00e9 comum as v\u00edtimas serem criminalizadas e os traficantes ficarem impunes.<br>Forero esclarece que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil quantificar sua a\u00e7\u00e3o, pois seu trabalho se concentra mais no qualitativo. Mas ela fornece alguns dados: \u201cNo primeiro semestre de 2019 foi feito um trabalho de preven\u00e7\u00e3o com mais de 400 jovens nas escolas. Realizamos projetos ao longo do ano com 100 crian\u00e7as de nove a 13 anos, treinando-as como \u2018Her\u00f3is Defensores de Vidas\u2019. Al\u00e9m disso, 200 pessoas participaram de reuni\u00f5es bimensais, sem contar outras oficinas e visitas \u00e0s comunidades dos tr\u00eas pa\u00edses, com uma m\u00e9dia de 150 pessoas presentes nessas atividades\u201d.<br>Com rela\u00e7\u00e3o ao comprometimento de outros grupos essenciais na regi\u00e3o, uma das realiza\u00e7\u00f5es da RETP \u00e9 a assinatura conjunta do Manifesto contra o Tr\u00e1fico de Pessoas, que enfatizou o compromisso contra o tr\u00e1fico por parte dos tr\u00eas bispos das dioceses da Amaz\u00f4nia \u2015dois deles, espanh\u00f3is\u2015, por ser uma realidade que \u201ccausa danos \u00e0s comunidades e popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Mulher ind\u00edgena e amaz\u00f4nica<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"666\" src=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/amazonia.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7157\" srcset=\"https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/amazonia.jpg 1000w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/amazonia-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalfatosenoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/amazonia-768x511.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption><em>Aryana Adali se banha no rio Tacana, um dos milhares da bacia amaz\u00f4nica, na terra ind\u00edgena Tikuna-Huitoto, em Leticia\/Col\u00f4mbia (Foto: Ana Palacios)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cA mulher ind\u00edgena amaz\u00f4nica \u00e9 resiliente, inteligente, lutadora, bonita e orgulhosa. Sente, ri chora, se assusta, sofre e duvida, como todos n\u00f3s. Eu as escutei exigir para seus filhos uma educa\u00e7\u00e3o que respeite sua cultura, os direitos de seu povo, a denunciar as injusti\u00e7as e levantar a voz pela M\u00e3e Terra. \u00c9 claro que nem todas as mulheres na Panamaz\u00f4nia s\u00e3o ind\u00edgenas. H\u00e1 ribeirinhas, quilombolas, mesti\u00e7as e migrantes. E, lamentavelmente, muitas delas s\u00e3o v\u00edtimas de tr\u00e1fico de pessoas, viol\u00eancia e explora\u00e7\u00e3o sexual\u201d, explica, em uma reuni\u00e3o digital organizada durante o confinamento, Ariana D\u00edaz Acu\u00f1a, professora da Universidade Cat\u00f3lica da Costa Rica, apaixonada pela Amaz\u00f4nia e especialmente interessada na situa\u00e7\u00e3o das mulheres locais e sua interrela\u00e7\u00e3o com os outros contextos da regi\u00e3o.<br>\u201cUma vez visitei uma \u00e1rea de minera\u00e7\u00e3o onde contamos 11 bord\u00e9is em 1,5 quil\u00f4metro, e nos informaram que em cada um deles havia de oito a 10 mulheres jovens, a maioria menores de idade exploradas sexualmente\u201d, diz, indignada, D\u00edaz Acu\u00f1a. \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel! O clamor dessas meninas est\u00e1 intimamente ligado ao clamor da M\u00e3e Terra \u201c, exclama.<br>Fany Kuiru Castro \u00e9 a \u00fanica murui da Amaz\u00f4nia colombiana que se formou como advogada. Ela \u00e9 l\u00edder desde que tem o uso da raz\u00e3o, nos conta em Bogot\u00e1, enquanto a acompanhamos ao seu escrit\u00f3rio na Organiza\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Colombiana (OPIAC), onde \u00e9 coordenadora da se\u00e7\u00e3o Mulher, Inf\u00e2ncia, Juventude e Fam\u00edlia.<br>O ativismo de Fany e sua influ\u00eancia alcan\u00e7am a esfera institucional com a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para garantir as leis que protegem as comunidades, monitoram e alertam para a viola\u00e7\u00e3o impune dos direitos ind\u00edgenas. Fany \u00e9 pe\u00e7a-chave em muitos pain\u00e9is de discuss\u00e3o sobre direitos ind\u00edgenas e, em particular, da mulher ind\u00edgena.<br>\u201cNossa tarefa \u00e9 conscientizar as mulheres ind\u00edgenas sobre seus direitos, a soberania alimentar, a alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e seus direitos econ\u00f4micos, sociais e culturais. N\u00f3s as motivamos a serem empreendedores e, para aquelas que j\u00e1 possuem um empreendimento local, orientamos sobre como consolid\u00e1-lo e lhe dar-lhe mais viabilidade por meio de uma economia pr\u00f3pria, na perspectiva da ecologia integral, de solidariedade, de reciprocidade, com uma conota\u00e7\u00e3o diferente da capitalista, que s\u00f3 quer lucrar \u201c, conclui Fany.<br>Sem d\u00favida, s\u00e3o muitas as vozes na Amaz\u00f4nia que reivindicam pol\u00edticas sociais e a\u00e7\u00f5es c\u00edvicas para fortalecer a prote\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil dessas meninas, meninos e jovens que nesta crise mundial da sa\u00fade viram sua vulnerabilidade aumentar. A covid-19 est\u00e1 arrasando sua sa\u00fade e tamb\u00e9m seus direitos fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fonte: <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/internacional\/2020-07-31\/pelos-prostibares-da-amazonia-como-funcionam-as-redes-de-prostituicao-na-selva.html\">El Pa\u00eds Brasil<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A zona da tr\u00edplice fronteira entre Col\u00f4mbia, Peru e Brasil \u00e9 a regi\u00e3o ideal para o tr\u00e1fico \u2013 n\u00e3o s\u00f3 de drogas e recursos naturais, mas tamb\u00e9m de pessoas. Quase sempre s\u00e3o mulheres e meninas Nem nos ocorreria mencion\u00e1-la. 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