Meio ambiente

Recorde de cochilos: pinguins-de-barbicha dormem milhares de vezes por dia

Estudo revela que pinguins-de-barbicha dormem cerca de 12 horas por dia, mas dividem o sono em cochilos de quatro segundos

Por Bárbara Giovani

Já deve ter acontecido com você. Naqueles dias em que o cansaço é grande, os olhos fecham, a cabeça pesa e, quando você vê, cochilou sem perceber. Agora, pesquisadores descobriram que algo parecido acontece com os pinguins-de-barbicha — milhares de vezes por dia. De modo geral, o sono é um momento restaurador para o organismo de todos os animais. Ainda assim, é um período não produtivo do ponto de vista de caça, defesa de território e acasalamento. Isso porque um animal que está dormindo não pode procurar comida, fugir do perigo ou encontrar um parceiro.
Por isso, há aqueles que possuem estratégias de sono. Segundo o novo estudo, publicado na revista Science, tirar diversos cochilos é a maneira que os pinguins-de-barbicha encontraram para suprir a necessidade de descanso. Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Polar da Coreia capturaram 14 pinguins-de-barbicha da Ilha King George e aplicaram eletrodos para registrar suas ondas cerebrais. Além disso, também fixaram sensores de movimento e rastreadores GPS em seus corpos.

Depois, os pinguins foram soltos e os cientistas acompanharam seus sinais durante dez dias. Neste período, eles descobriram que os animais cochilavam por apenas alguns segundos de cada vez e que isso acontecia centenas de vezes por hora. Na média, a duração dos cochilos era de quatro segundos. De modo geral, 72% deles duraram menos de dez segundos. Por fim, ao somar o tempo total de cochilos, os pesquisadores concluíram que os pinguins dormiam cerca de 12 horas por dia.

Embora outros pinguins também possuam o mesmo hábito de cochilar, lapsos de sono tão curtos só acontecem com essa espécie. De acordo com os pesquisadores, há duas explicações possíveis para esse padrão. A primeira é a necessidade de estar em estado de alerta. Geralmente, os pinguins-de-barbicha cuidam de seus ovos sozinhos enquanto parceiros buscam alimentos. Sob a ameaça de aves predatórias, eles precisam estar acordados para defender sua prole. Assim, o sono fragmentado pode ser uma das maneiras de conseguir isso.

No entanto, essa teoria tem falhas. Segundo esse raciocínio, os ninhos perto da borda da colônia estariam mais ameaçados e, portanto, os pinguins que ali vivem deveriam cochilar rapidamente. Mas não é isso que acontece. De modo geral, os animais que vivem nas bordas desfrutam de cochilos mais longos que aqueles que vivem no centro.

Portanto, cientistas levantaram outra suspeita: as colônias de pinguins são movimentadas e barulhentas. Dessa forma, aqueles que estão no centro, em meio ao agito, têm dificuldade em pegar no sono de maneira duradoura. Já nas bordas, onde é mais silencioso, os cochilos podem durar mais. Agora, para ter certeza de que o motivo dos pinguins-de-barbicha cochilarem se encaixa em uma dessas teorias, mais estudos serão necessários.

Fonte: Giz Brasil

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