Pesquisadores descobrem novo predador oceânico no Atacama

O anfípode é o primeiro predador dessa espécie que vive em um dos habitats mais profundos do planeta, segundo os cientistas
Por Pablo Nogueira
Recentemente, pesquisadores realizaram uma impressionante descoberta de um novo predador no fundo da Fossa do Atacama, uma das regiões oceânicas mais profundas da Terra. A 7.902 mil metros no fundo do mar, os pesquisadores identificaram uma nova espécie de predador da ordem dos anfípodes. Em um estudo publicado no final de novembro, os cientistas batizaram a nova espécie de Dulcibella camanchaca.
Cientistas norte-americanos e chilenos encontraram a espécie pela primeira vez durante a expedição IDOOS (Sistema Integrado de Observação do Oceano Profundo). Assim como a maioria dos anfípodes, o novo predador descoberto no Atacama tem características de crustáceos, similar a um camarão, mas com apenas quatro centímetros de comprimento.
Com esse tamanho, a nova espécie é considerada gigante em relação aos outros anfípodes. Além disso, o novo predador das profundezas do Atacama possui garras para caçar pequenas presas que habitarem as mesmas profundezas do oceano.
No estudo, os pesquisadores ressaltam que a descoberta do anfípode do Atacama é particularmente importante porque representa o primeiro predador dessa espécie que vive em um dos habitats mais profundos do planeta. A Fossa do Atacama é uma fenda no leste do Oceano Pacífico entre o Peru e o Chile, sendo uma das fossas oceânicas mais profundas do mundo, com 8.065 metros de profundidade. Em regiões tão profundas assim, a pressão marítima é intensa e o ambiente é caracterizado pela escuridão profunda, tornando únicas as espécies que habitam a região em termos de adaptação e diversidade.
Esse é o caso do Dulcibella camanchaca. Conforme análises genéticas, o predador não é apenas uma nova espécie, mas também pertence a um gênero anteriormente desconhecido, destacando a diversidade do Atacama. E sobre o nome Dulcibella camanchaca, os pesquisadores decidiram homenagear a cultura andina e a literatura. Na língua aimará — um povo da era pré-colombiana — “camanchaca” significa “escuridão”, simbolizando a região do oceano onde o predador vive. Por outro lado, “Dulcibella” é uma homenagem à Dulcineia de Toboso, a musa imaginária de Dom Quixote no livro de mesmo nome.
Fonte: Giz Brasil