Editora lança obras inéditas que revelam os horrores do comunismo

A biografia de Lenin é tema de um dos livros inéditos que serão publicados no Brasil
Por Desirée Peñalba
A história do século 20 foi profundamente marcada por guerras e regimes autoritários. Entre esses regimes, o comunismo. Mas, apesar de seu legado de mortes, repressão e destruição, ele ainda recebe menos atenção e condenação pública do que outras ditaduras do período. Da Revolução Russa de 1917 aos expurgos stalinistas, passando pela fome imposta pela coletivização forçada e pela perseguição sistemática à fé religiosa, os impactos do comunismo foram tão brutais quanto os do nazismo alemão ou do fascismo italiano. Mas, diferentemente destes, ainda não são amplamente compreendidos nem repudiados com a mesma intensidade.
No Brasil, onde partidos políticos defendem o modelo comunista e universitários levantam bandeiras com foice e martelo, o debate sobre o tema ainda é permeado por lacunas informativas, leituras distorcidas e, frequentemente, doutrinação ideológica. Entender como essas experiências se desenrolaram na prática, quais foram suas consequências e de que modo ainda repercutem no presente é fundamental para qualquer sociedade que valorize o exercício crítico da memória histórica e da liberdade de pensamento.

Escassez literária sobre o assunto
Para tentar suprir essa lacuna editorial, a Editora Caravelas anunciou o lançamento simultâneo de três livros inéditos no Brasil. As obras Os Anos da Fome, Lenin: o Homem por Trás do Mito e Quando a Foice Balança abordam, de forma documentada e didática, os impactos devastadores dos regimes comunistas em diversas esferas da vida humana — da economia à fé. Segundo Marcelo Andrade, professor e proprietário da editora, o objetivo é “fornecer ferramentas intelectuais para que mais brasileiros compreendam a natureza desses regimes e possam rejeitar tentativas de reabilitá-los”.
A decisão editorial, explica Andrade, surgiu da constatação de que o debate público brasileiro ainda é marcado por grande desinformação sobre o comunismo.
Por décadas, narrativas hegemônicas minimizaram ou ignoraram os crimes e a miséria provocados por regimes comunistas. Estamos vivendo um momento em que ideias autoritárias, disfarçadas de utopias, voltam a seduzir corações e mentes. É preciso lançar luz sobre os fatos, com base em documentos irrefutáveis”, afirma o professor.
Holodomor, Stalin e perseguição religiosa
Cada livro aborda uma dimensão distinta, porém complementar, dos regimes comunistas. Os Anos da Fome, escrito pelos historiadores R. W. Davies e Stephen G. Wheatcroft, é considerado a mais precisa e corajosa investigação sobre o Holodomor — o genocídio por fome que matou milhões na Ucrânia e em outras regiões da antiga URSS, entre 1931 e 1933. Com base em milhares de documentos dos arquivos soviéticos, a obra desmonta a narrativa de que a fome foi resultado de falhas administrativas. Pelo contrário: segundo os autores, foi uma política deliberada de extermínio conduzida pela alta cúpula do Partido Comunista, sob ordens diretas de Josef Stalin.
A obra desmantela com rigor técnico e documental a propaganda soviética que tentou apagar o Holodomor da história. Entre os achados chocantes, estão ordens do regime para vigiar celeiros, impedir camponeses famintos de acessar alimentos e punir quem fotografasse cenas de miséria. Com mais de sete milhões de mortos, enquanto o estado soviético seguia exportando grãos, o episódio permanece um dos maiores crimes do século 20.
Este livro incomoda os defensores do comunismo não porque faz propaganda contrária, mas porque apresenta provas irrefutáveis de que a utopia custou vidas, muitas vidas”, conclui Andrade.
Já Lenin: o Homem por Trás do Mito, do autor brasileiro Alyson Nonato, desconstrói a imagem romantizada do líder da Revolução Russa. O livro apresenta um retrato minucioso e documentado do fundador do Estado soviético, destacando sua responsabilidade na criação do aparato repressivo que marcaria todo o regime comunista: censura, eliminação de opositores, campos de trabalho forçado e culto à personalidade. “Entender Lenin é entender a gênese do totalitarismo moderno”, afirma Nonato, que também ministrará uma aula magna online sobre os revolucionários russos do século 19.
O terceiro título, Quando a Foice Balança, de Kristen Van Uden, ilumina uma face menos discutida do comunismo: a perseguição religiosa. A obra reúne relatos emocionantes de padres, freiras e leigos que enfrentaram a repressão comunista em diversos países. Trata-se de uma crônica da resistência espiritual contra regimes que buscaram aniquilar não apenas corpos, mas também a alma de seus cidadãos.
Panorama completo
A escolha de lançar as três obras de forma simultânea é tanto estratégica quanto simbólica. Segundo Marcelo Andrade, os livros oferecem um “panorama completo dos horrores do comunismo”: o uso da fome como arma política, a origem intelectual do terror e a guerra contra a fé.
O comunismo não foi um acidente histórico, mas um projeto de poder totalitário que destruiu pilares fundamentais da civilização ocidental, como a liberdade de expressão, a propriedade privada e a dignidade humana”, afirma.
Além dos livros, a Caravelas está disponibilizando dois cursos em vídeo ministrados por Andrade: Refutando o Marxismo e Socialismo Real. Essas iniciativas, junto à aula magna de Alyson Nonato, visam aprofundar o entendimento dos leitores sobre as origens e consequências práticas do regime comunista no século 20 e suas influências que ainda persistem.
Dentre os lançamentos, destaca-se especialmente Os Anos da Fome (The Years of Hunger), que desde sua publicação original em 2004 se tornou um marco na historiografia da era stalinista. As obras já estão disponíveis no site da Editora Caravelas, que promete seguir investindo em títulos que ajudem o público brasileiro a enfrentar a desinformação histórica com conhecimento sólido e comprometido com a verdade.
Fonte: Gazeta do Povo