Del Pupo Metalmecânica, há 40 anos fazendo história no Espírito Santo
A revista Aço 5.0BR traz na sua primeira edição do ano, Vinícius Del Pupo, diretor Industrial e Comercial da empresa Del Pupo Metalmecânica, para contar um pouco da trajetória, desde a sua fundação, com seu pai Marcos Sebastião Del Pupo, até aos dias de hoje.
Localizada em Guarapari/ES, a Del Pupo Metalmecânica possui planta fabril com máquinas modernas e de alto rendimento tendo uma capacidade de produção de 150 toneladas por mês, com uma caldeiraria de três mil m² de área coberta, incluindo usinagem, cabine de jateamento abrasivo, área de pintura, depósito de materiais e um pátio para estocagem e movimentação de materiais e peças com pontes rolantes de 5t, 10t e 20t.
Segundo Vinícius, a empresa é alinhada com o futuro, compromissada em atender aos requisitos dos seus clientes, através de uma equipe capacitada, com foco na melhoria contínua dos processos e do sistema de gestão com foco em resultados, atento à qualidade, segurança e meio ambiente. Tem como missão oferecer soluções integradas, inovadoras e sustentáveis e como visão, se tornar referência no setor metalmecânico no Espírito Santo. Para conhecer um pouco mais da história dessa empresa genuinamente capixaba, segue a entrevista.
Como tudo começou?
Meu pai começou trabalhando com lanternagem e pintura, em Ibiraçu, município do norte do estado, e só tinha a 4.ª série primária. O irmão dele veio trabalhar em Vitória, viu que o mercado estava propício e convidou meu pai para trabalhar com ele. Fundaram a Metalúrgica Carapina, ficaram muitos anos juntos, mas, em 1995, meu pai optou por desfazer a sociedade e seguir sozinho.
Tínhamos uma empresa chamada Demil (funcionou de 2003 a 2012), dentro da área da Samarco, que foi vendida para uma multinacional finlandesa… ficamos uns cinco anos fora do mercado e, em 2017, voltamos com a fundação da Del Pupo Metalmecânica.
Como é a estrutura administrativa da Del Pupo e como você enxerga o mercado atual para o setor metalmecânico?
Nossa gestão é familiar, trabalho junto com minhas duas irmãs que são sócias-diretoras. A Carolina, diretora administrativa e fiscal e a Mariana, na parte financeira. Quanto ao mercado, posso dizer que está bom, mas o nosso setor vem enfrentando dificuldades com falta de mão de obra e carga tributária muito elevada. Porém, existem muitas oportunidades de mercado e trabalho. A Samarco mesmo vai injetar R$4 bilhões até 2028, para iniciar 2029 com suas duas usinas trabalhando com 100% de sua capacidade produtiva e isso vai isso vai oxigenar ainda mais toda região no entorno da mineradora.
Quais os investimentos que a Del Pupo tem previstos para este ano?
Vamos construir um galpão de 700 m², que está em fase de licenciamento, também vamos adquirir máquinas novas para ampliar a produção e contratar mais profissionais.
Sabemos que a Del Pupo atende ao setor de mineração. As incertezas do mercado mundial de aço afeta a empresa?
Para nossa empresa não, porque nossos clientes não são siderúrgicas nacionais, são mineradoras que exportam. Mas sabemos de empresas do setor que estão sentindo as incertezas do mercado. Algumas até mesmo com cancelamento de pedidos e isso não é saudável para a economia local. Atendemos mineradoras, tratamos e construímos parques do setor de mineração… é o que fazemos de melhor. Temos a Vale e a Samarco, em setores de tecnologia de mineração, que são os nossos principais clientes.


É verdade que nossas empresas trabalham em desvantagem em relação às de Minas Gerais? Se sim, por quê?
É verdade. Com as mudanças dessa reforma tributária, estamos aguardando o posicionamento do nosso governo, pois Minas Gerais é o nosso maior concorrente. Aqui temos o Programa de Desenvolvimento e Proteção à Economia do Estado do Espírito Santo (Compete-ES), que potencializa a competitividade das nossas empresas em relação às de outras regiões do país.
Posso afirmar que, aqui, temos salários e benefícios mais atrativos do que Minas, mas é uma briga dura porque eles levam algumas vantagens no custo de energia elétrica, que é mais baixo; na escala de produção, que é diversificada, e uma rede industrial mais integrada. Para exemplificar o que estou falando, as empresas de construção civil, de montagem, de refratários e de pintura, que estão na Samarco, são todas mineiras. Por isso que o setor metalmecânico está muito preocupado com a forma que o nosso governo vai conduzir as coisas daqui pra frente.
A falta de mão de obra é um grande problema para o setor metalmecânico?
A falta de mão de obra é um problema que afeta não apenas o nosso setor, é uma problemática em todas as áreas. Quando começamos a Del Pupo a gente não tinha nenhum funcionário que não fosse de Guarapari, de Anchieta ou de Piúma. Hoje temos seis pessoas da região da Grande Vitória que vêm e voltam todos os dias. Para algumas funções, temos dificuldade de encontrar na nossa região.
Fizemos um trabalho de treinamento no ano passado, formamos duas turmas de caldeiraria para mulheres. A Del Pupo conta com mulheres no chão de fábrica, que iniciaram sem experiência, foram promovidas e, hoje, são auxiliares de solda, de montador.
Estamos abrindo a terceira turma para começar no dia 21 de fevereiro, será uma turma mista com um volume maior. Antes foram vinte, agora serão trinta. Encerramos as inscrições com 700 inscritos.
São cursos que têm dado muito certo e temos aproveitado para absorver essa mão de obra. A intenção desse treinamento é trazer quem não está na indústria para a indústria. A indústria paga mais que o comércio, então temos buscado aquela pessoa que está na informalidade ou no comércio. Claro que, se ela tem um curso técnico, ajuda, mas o projeto é trazer quem não está na indústria.
Você é diretor de algumas instituições que representam a cadeia industrial. Poderia falar um pouco sobre isso?
Sou envolvido no associativismo há muito tempo. Faço parte da diretoria do Guarapari em Ação (GEA), que tem feito um trabalho de levantamento, buscando oportunidades junto à Samarco. Lá, estamos criando uma cadeia de treinamentos para suprir a atual necessidade. Infelizmente, esse trabalho devia ter sido feito no passado, quando a Samarco retomou suas atividades para que agora tivéssemos pessoal qualificado para atender à oferta de emprego. Mas se perdeu… precisamos correr atrás do prejuízo. Na RedePetroES, participo na diretoria da indústria e, no Sindifer, hoje estou como vice-presidente.


Qual sua proposta no Sindifer?
Participei, durante um ano, da diretoria anterior, hoje estou vice-presidente e a minha proposta é ajudar a atual diretoria, que tem como presidente Luiz Alberto Carvalho, no processo de renovação da associação.
Temos jovens empresários promissores no grupo, com o mesmo propósito de renovação, como Diego, da BNG; Otávio, da HKM; Soraya, da GM, entre outros que vivem no meio de pessoas que estão no segmento há décadas, mas que um dia passarão o bastão… a vida é assim, é preciso renovar para se manter.
O que falta para o ES deslanchar de vez, economicamente falando?
Nosso Estado foi, por muito tempo, uma barreira verde para proteger as minas de ouro em Minas Gerais. Tudo demorou a chegar aqui e, por incrível que pareça, ainda hoje sentimos o efeito dessa medida, que nos deixou isolados por muito tempo. Mas estamos caminhando para um desenvolvimento que está abrindo os olhos de empresários e investidores lá de fora. Tenho participado de muitos eventos com temas importantes, com foco no desenvolvimento do Espírito Santo e como ‘vender’ o Espírito Santo. A ideia é essa, trazer investidores de fora, para colocar dinheiro aqui. Mostrar que o nosso Estado é forte, correto e, o mais importante, seguro.
Já temos a Marcopolo que investiu R$ 50 milhões na fábrica de São Mateus, norte do Estado, para produção de ônibus elétricos. No início do mês, o governo assinou parceria com a fábrica chinesa GWM (Great Wall Moteors), isso é muito importante, pois a cadeia de produção de uma montadora é muito grande.
Apesar da produção ser robotizada, a cadeia é muito grande e movimenta portos, aeroportos, logística, transporte, fatores muito importantes para crescimento da nossa economia. Nosso Estado está cheio de oportunidades, temos o porto da Imetame, o Portocel, o Estaleiro Seatrium, a Vports, a Samarco voltando a operar com 100% da sua capacidade, a duplicação da BR-262 e melhoria em outras rodovias já concluídas. Com isso, não só a nossa região se beneficia, mas todo o Estado.
Agora, precisamos tomar o cuidado, independente de quem esteja no poder, para que mantenhamos esse mesmo caminho, de evolução, que é o único que fará nossa economia continuar nessa ascendência.
(Foto de capa: Divulgação)








