Arqueólogos descobrem arte rupestre de cinco mil anos do antigo Egito
A cena apresenta um homem erguendo os braços em sinal de triunfo, enquanto outro está ajoelhado, com uma flecha cravada no peito e as mãos atadas
Por Éric Moreira
Recentemente, arqueólogos fizeram uma descoberta significativa no deserto do Sinai: uma arte rupestre com cinco mil anos que ilustra a conquista brutal do Egito Antigo sobre a região. De acordo com um comunicado dos pesquisadores, a obra “mostra de maneira aterradora como os egípcios colonizaram o Sinai e subjugaram seus habitantes”.
A cena apresenta um homem erguendo os braços em sinal de triunfo, enquanto outro está ajoelhado, com uma flecha cravada no peito e as mãos atadas. Nas proximidades, há um barco e uma inscrição que menciona Min, uma divindade egípcia associada à fertilidade, descrito como o “governante da região do cobre”, conforme relataram os arqueólogos em um estudo publicado na edição de 2025 do periódico Blätter Abrahams.
Os pesquisadores escreveram que “[observando] a composição como um todo, podemos supor que o barco estava associado ao governante egípcio, o homem triunfante ao deus Min… e o homem subjugado e morto aos habitantes locais”. Eles também destacaram que, na antiguidade, barcos frequentemente eram utilizados como metáfora para o faraó, repercute o Live Science. Outras evidências de arte rupestre datadas há cerca de 5.000 anos já haviam sido encontradas no Sinai, sugerindo que os egípcios efetivamente conquistaram a região nesse período.
A motivação das expedições egípcias ao sudoeste do Sinai não era simplesmente uma expansão territorial abstrata, mas, mais especificamente, a disponibilidade de recursos minerais, especialmente cobre e turquesa”, escreveu a equipe de pesquisa.
Na época, a região do Sinai era majoritariamente habitada por grupos nômades. Ludwig Morenz, coautor do estudo e professor de Egiptologia na Universidade de Bonn, afirmou que “o painel rupestre certamente representa uma das primeiras representações de domínio em outro território”, em e-mail ao Live Science.
Um detalhe intrigante é que havia uma inscrição próxima à imagem do barco que poderia ter nomeado o faraó do Egito, mas foi intencionalmente apagada. Os arqueólogos ressaltaram em seu artigo que não se sabe quem a removeu, nem quando ou por quê. Historicamente, houve diversas ocasiões em que o nome de um faraó foi suprimido após a ascensão de um novo governante; porém, não está claro se esse é o caso neste contexto específico.
A descoberta da arte rupestre foi realizada por Mustafa Nour El-Din, arqueólogo do Inspetoria de Aswan no Ministério das Antiguidades do Egito, durante uma pesquisa realizada em 2025. A equipe acredita que ainda existem mais obras semelhantes para serem descobertas nas proximidades. “A pesquisa acaba de começar e estamos planejando uma primeira campanha de maior porte”, conclui o comunicado.
(Foto: Divulgação)
Fonte: Aventuras na História







