Pesquisadores encontram 25 novas espécies de animais durante expedição na Argentina
Com o auxílio do veículo operado remotamente ROV SuBastian, cientistas identificaram diversas espécies de animais, incluindo vermes, corais, ouriços-do-mar, caramujos e anêmonas
Por Giovanna Gomes
Uma expedição científica conduzida por pesquisadores argentinos revelou diversas espécies até então desconhecidas nas profundezas do Atlântico Sul. A equipe, utilizando-se do navio R/V Falkor, pertencente ao Schmidt Ocean Institute, percorreu toda a plataforma continental da Argentina, de Buenos Aires até regiões próximas à Terra do Fogo, e registrou uma diversidade biológica muito mais ampla do que se supunha. Com o auxílio do veículo operado remotamente ROV SuBastian, os cientistas identificaram ao todo 25 espécies de animais possivelmente inéditas para a ciência, incluindo vermes, corais, ouriços-do-mar, caramujos e anêmonas.
Não esperávamos ver tamanha biodiversidade no mar profundo argentino”, afirmou María Emilia Bravo, chefe científica da missão e pesquisadora da Universidade de Buenos Aires, em comunicado divulgado na terça-feira (3).
Entre as descobertas mais relevantes está o maior recife já registrado do coral de águas frias Bathelia candida, espécie também presente em outros oceanos. Com aproximadamente 0,4 km², o recife é classificado como um Ecossistema Marinho Vulnerável e atua como habitat fundamental para peixes, crustáceos e polvos. Segundo o portal Galileu, a expedição também ampliou significativamente o limite geográfico conhecido dessa espécie. Os recifes de Bathelia candida foram localizados cerca de 600 quilômetros mais ao sul do que os registros anteriores, alcançando 43,5 graus de latitude sul. Além disso, os pesquisadores documentaram jardins de Paragorgia arborea, grandes esponjas em fossas profundas e uma rara água-viva-fantasma gigante (Stygiomedusa gigantea), capaz de atingir até 10 metros de comprimento.
Destaca-se ainda um outro registro histórico, o do primeiro “whale fall” documentado em águas profundas da Argentina, a 3.890 metros de profundidade. A carcaça de uma baleia no fundo do oceano sustenta um ecossistema temporário que pode persistir por décadas, alimentando desde grandes organismos necrófagos até microrganismos especializados.

Objetivo
A missão tinha como principal objetivo localizar exsudações frias, isto é, ambientes nos quais gases como o metano emergem do subsolo marinho e sustentam cadeias alimentares baseadas na quimiossíntese. Ao menos uma área ativa com cerca de 1 km², dominada por extensos bancos de moluscos, foi identificada. Além disso, é importante mencionar que centenas de amostras químicas, físicas e biológicas foram coletadas ao longo da expedição. Para a pesquisadora Melisa Fernández Severini, do Instituto Argentino de Oceanografia, esse material será essencial para compreender melhor a conectividade desses ambientes e sua vulnerabilidade. “Esses ecossistemas são extraordinários, mas também extremamente frágeis”, alerta.
Mesmo em áreas remotas, a equipe encontrou evidências claras da interferência humana, tais como redes de pesca, sacos plásticos e até mesmo uma fita VHS com rótulo em coreano. Segundo os cientistas, os achados reforçam a urgência de medidas de proteção ao oceano profundo. “O oceano concentra 98% do espaço habitável do planeta e é tão rico em vida quanto a terra firme”, lembra Jyotika Virmani, diretora-executiva do Schmidt Ocean Institute.
FOTO DE CAPA: Peixe-caracol nadando próximo a coral mole nephteídeo (Foto: Divulgação/ROV SuBastian/Schmidt Ocean Institute)
Fonte: Aventuras na História





