Tecnologia & Inovação

China lança 1.ª liga mundial de combate entre robôs humanoides

Competição oferece robôs gratuitos às equipes e premiará campeão com cinturão de ouro avaliado em US$ 1,44 milhão

A empresa EngineAI lançou a primeira liga de combate livre entre robôs humanoides do mundo em Shenzhen, sul da China. O evento, chamado Ultimate Robot Knockout Legend (URKL), teve início nesta semana e seguirá até dezembro de 2026, com o campeão recebendo um cinturão de ouro avaliado em 10 milhões de yuans (equivalente a R$ 7,5 milhões). As equipes participantes receberão gratuitamente robôs humanoides modelo T800 para desenvolvimento durante a competição. De acordo com o Global Times, estes robôs, criados pela própria EngineAI, são capazes de executar movimentos marciais complexos. Isso inclui rotações aéreas de 360 graus e chutes laterais.
A competição ocorre em Shenzhen, importante polo tecnológico chinês, e segue um cronograma escalonado ao longo do ano. De acordo com especialistas do setor, este tipo de competição pode reduzir os ciclos de iteração tecnológica em mais de 30%, acelerando o processo de validação física de parâmetros de simulação laboratorial.
Tian Feng, ex-diretor do Instituto de Pesquisa da Indústria de Inteligência da SenseTime, destacou os benefícios da iniciativa: “O fornecimento gratuito de robôs T800 reduzirá as barreiras de pesquisa e desenvolvimento para empresas menores e promoverá a integração de aplicações envolvendo indústria, academia e órgãos de pesquisa”.

Mercado em expansão
O Instituto Chinês de Eletrônica projeta que o mercado de robôs humanoides na China alcançará 870 bilhões de yuans (R$ 655 bilhões) até 2030. A competição surge como parte de uma tendência crescente no país de expandir o alcance e as aplicações destes robôs. A EngineAI afirma que a integração entre tecnologia e esportes representa uma nova tendência na modernização industrial, buscando criar um formato único inspirado no “kung-fu robótico chinês”.
Pan Helin, analista veterano baseado em Pequim, declarou ao Global Times na segunda-feira que “tais competições ajudam a aumentar a conscientização pública sobre robôs humanoides e expandir potenciais cenários de aplicação”. Ele também observou que “robôs humanoides ainda enfrentam limitações tecnológicas e práticas, e a aplicação no mundo real é fundamental para seu desenvolvimento adicional”.

Tian Feng acrescentou que o combate entre robôs “efetivamente destrói o estereótipo dos robôs como ‘braços mecânicos frios’. E atrai a geração mais jovem para se envolver, aprender e buscar tecnologia avançada”. O especialista alertou, porém, que “cenários de combate exigem desempenho de alto impacto e curta duração. Arriscando assim o desvio da otimização do robô para longe das aplicações industriais ou de serviços convencionais”. Além disso, ele também destacou que o papel da competição é “plantar sementes”, não “colher”.

(Foto: EngineAI/Reprodução)

Fonte: Giz Brasil

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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