Mineração

Plano de retomada da capacidade total da Samarco requer investimentos de R$ 13,8 bilhões

Empresa se prepara para alcançar 100% da produção instalada até 2028, consolidando posição como segunda maior produtora de pelotas de minério de ferro do mundo

Depois de retomar 60% de sua capacidade de operação, atingindo um nível de 15 milhões de toneladas em 2025, a Samarco se prepara para uma nova etapa, em que pretende alcançar 100% dos níveis de produção instalada, de 28 milhões t. Para isso, a empresa aprovou um plano no qual pretende investir o montante de R$ 13,8 bilhões, a serem aplicados até 2028, tanto em Minas Gerais quanto no Espírito Santo. Os investimentos serão feitos principalmente na usina de concentração em Minas Gerais, na construção de uma pilha de estéril e nas duas plantas de pelotização que a empresa possui em Ubu, no litoral do Espírito Santo. Com isso, a empresa se tornará novamente a segunda maior produtora de pelotas de minério de ferro do mundo, atrás apenas da Vale.
Paralelamente ao plano de retomada da capacidade, a Samarco responderá por uma parte das despesas do Acordo de Reparação, firmado em outubro de 2024, que implica em compromissos financeiros totais de R$ 170 bilhões, ao longo de 20 anos. De imediato, a Samarco está assumindo os compromissos que eram administrados pela Fundação Renova, que foi extinta.
Em entrevista exclusiva à Brasil Mineral, o presidente da Samarco, Rodrigo Vilela, detalhou, no novo plano de retomada da empresa, os avanços que têm sido conseguidos na operação — totalmente isenta do uso de barragens de rejeitos e as iniciativas de circularidade objetivando transformar rejeitos em produtos.

Estamos com projeção de fechar o ano em 15,5 milhões t de capacidade. Tivemos a aprovação do licenciamento ambiental do longo prazo, que garante o futuro da empresa, e aprovamos a última etapa da nossa retomada gradual. Estamos anunciando um dos maiores investimentos privados, de 13,8 bilhões de reais, um valor extremamente significativo, aprovado em novembro deste ano. A Samarco está de volta ao jogo, com toda a responsabilidade, de novo no grande mercado de minério de ferro, de pelotas, do Brasil e do mundo”, afirmou Vilela.

O executivo destaca que 2025 é um ano que consolida a estratégia de retomada. “Quando a Samarco fez o primeiro licenciamento para voltar a operar, lá em 2019, nós tínhamos muito claro alguns desenhos estratégicos. Primeiro, era fazer uma retomada gradual. A definição de retomada gradual vem no sentido de que a Samarco poderia dar foco na sua segurança e disciplina operacional, fazer o projeto de descaracterização, e dar garantia, tanto para os nossos stakeholders como também para os acionistas, de que a retomada poderia ser feita de maneira muito segura e responsável”.
Vilela ressalta os avanços na pauta ambiental. “As discussões sobre o gerenciamento de todo o reflorestamento, junto com o Ibama, de como isso vai ocorrer no futuro. Eventual tratamento dos rejeitos que ficaram ali em Risoleta Neves estão em plena discussão técnica com o Ibama, muito bem avançada. Ou seja, é um ano de muito trabalho e muita entrega. E os resultados significativos estão aí”.

Do ponto de vista de recursos humanos, a Samarco registrou um crescimento expressivo na mão de obra. “A nossa mão de obra direta cresceu mais de 30% durante o ano de 2025, em função de dois grandes fatores. Em função do fator da retomada a 60% que tivemos em função da incorporação, das atividades de reparação, e agora, no final do ano, nós estamos nos preparando para realizar a contratação de pessoas para nos ajudar a fazer o projeto”.
Do ponto de vista de avanços tecnológicos, a empresa consolidou todo o projeto de longo prazo sem barragem de rejeitos. “Todo o trabalho de desenvolvimento tecnológico para Dry Stack é consolidado no plano de negócios da Samarco, que revisamos durante o ano de 2025. Nesse plano de negócios consolidamos a operação de longo prazo, sem barragem de rejeitos, e aumentamos o Life of Mine (vida útil) da empresa de 2042 para 2055”.
A Samarco também aposta em soluções integradas de transporte e escoamento da produção, buscando reduzir despesas com frete e aumentar a previsibilidade operacional. Além dos ganhos econômicos, a ampliação da vida útil das minas gera impactos positivos diretos para as regiões onde a empresa atua, como a manutenção de empregos, maior estabilidade econômica local e previsibilidade de investimentos socioambientais. A estratégia de vendas da Samarco está focada em todos os grandes mercados.

Evitamos fazer a concentração, exatamente para evitar grandes oscilações ou variações nesse mercado. Então temos uma estratégia final significativa, pois estamos em todos os mercados, porque o minério de ferro é grande commodity. Temos Europa, Ásia, temos o mercado doméstico, Oriente Médio e Golfo. Então procuramos não fazer uma grande concentração do mercado”, explica Vilela.

Fonte: Brasil Mineral

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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