Nova espécie de fungo que vive em besouros é batizada de “quarentena”

Descrito durante a pandemia de Covid-19, o microrganismo foi chamado de “Laboulbenia quarantenae” por pesquisadores belgas e holandeses
No fim de julho, cientistas belgas e holandeses anunciaram a descoberta de duas novas espécies de fungos, segundo uma pré-impressão do artigo compartilhada no MycoKeys. A pesquisa focou nos Herpomycetales e Laboulbeniales, duas ordens de fungos que parasitam insetos, em especial os artrópodes.
Com a ajuda de uma armadilha que atrai insetos, os pesquisadores puderam identificar 140 tipos de fungos diferentes nos animais — dois dos quais nunca haviam sido descritos antes. Como uma das espécies foi identificada durante a pandemia de Covid-19, será batizada como Laboulbenia quarantenae.
De acordo com a equipe, o Laboulbenia quarantenae cresce externamente no corpo de besouros terrestres da espécie Bembidion biguttatum, e até agora só foi encontrado no Jardim Botânico Nacional da Bélgica, localizado na cidade de Meise. Isso sugere que ele seja raro e não parasite outros tipos de hospedeiro.

Tanto os Herpomycetales quanto os Laboulbeniales crescem de maneira a formar um único talo tridimensional no corpo de seu hospedeiro. Os especialistas explicam que, enquanto algumas espécies de Laboulbeniales, como Laboulbenia quarantenae, ficam ligadas superficialmente ao hospedeiro, outras são mais invasivas.
Este segundo cenário é o caso do Hesperomyces halyziae, segunda espécie de fungo descrita pelos cientistas. Segundo eles, o microrganismo produz um haustório, que uma espécie de “caule” utilizado pelo fungo para se fixar ao hospedeiro e sugar seus nutrientes. Tendo isso em mente, os cientistas acreditam que, devido à sua natureza invasiva, esses parasitas haustórios mantiveram interações estreitas com seus hospedeiros durante a evolução das espécies — caso contrário, uma delas já haveria desaparecido.

Fonte: Revista Galileu