Estrela “moribunda” similar ao Sol está emitindo anéis de poeira


Quando estrelas semelhantes ao Sol chegam ao final de suas vidas, seu núcleo dá origem a uma anã branca e suas camadas externas são expelidas para o espaço, formando uma nebulosa. No entanto, um novo estudo liderado pela Caltech mostra que nem sempre essa dinâmica é uma regra.
Em cinco bilhões de anos, o Sol se expandirá e se transformará em uma gigante vermelha, antes de eliminar suas camadas externas e deixar o seu núcleo como uma anã branca. O mesmo acontecerá com a maior parte das estrelas similares à nossa — classificadas como anãs amarelas.
O novo estudo, no entanto, demonstra que a morte dessas estrelas ainda não é totalmente compreendida. O objeto do estudo foi V Hydrae ou V Hya, uma estrela gigante vermelha a 1.300 anos-luz de distância e massa próxima à do Sol. Ela tem uma estrela companheira, muita fraca para ser observada, mas que provavelmente é uma anã vermelha que a orbita a cada 8,5 anos.

Estrela variável
V Hya é classificada como uma estrela variável Mira, cujo brilho varia entre 1 e 2 de magnitude a cada 530 dias, aproximadamente — comum em gigantes vermelhas que estão morrendo. Enquanto fundem elementos pesados para sobreviver, seu brilho oscila por conta do aquecimento e resfriamento de seu núcleo.
Ela também é uma estrela de carbono, e o que significa que sua atmosfera tem mais carbono do que oxigênio. Tais configurações tornam ela uma estrela do ramo assintótico das gigantes (AGB, asymptotic giant branch). Estima-se que 90% das estrelas parecidas com o Sol entrarão na fase AGB no final da vida.
O esperado para essa fase da “vida” é que as camadas externas da estrela sejam gradualmente expelidas — formando nebulosas planetárias —, em um período de cerca de 100 mil anos. Ao final disso, o núcleo que sobra se transforma em uma anã branca.

Mas observações do Atacama Large Millimeter Array (ALMA) mostram que, em vez de expulsar suas camadas gradualmente, V Hya as está lançando em “pulsos” que formam anéis ricos em carbono — ela já formou seis desses anéis nos últimos 2.100 anos.
Além disso, a equipe notou jatos de gás ejetado da estrela, orientados perpendicularmente aos anéis. Os pesquisadores acreditam que a estrela passe por um período incomum de atividade a cada poucas centenas de anos, ao contrário do que acontece com a maioria dessas estrelas na fase AGB.
Esses períodos incomuns de atividade seriam curtos, então a equipe teve sorte em observar esse momento. Novas observações de estrelas gigantes vermelhas são necessárias para saber se esse período ativo é comum em outras estrelas ou acontece apenas com V Hya. O artigo com os resultados do estudo foi publicado no repositório on-line arXiv.

Fonte: Canaltech