Saúde

Vacina brasileira anticocaína concorre a prêmio internacional de inovação

Reconhecimento pode ajudar no avanço dos testes em humanos

Por Tamires Ferreira

A vacina para o tratamento da dependência em cocaína e crack, em desenvolvimento na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é finalista do Prêmio Euro Inovação na Saúde, reconhecimento patrocinado pela Eurofarma e voltado para o avanço da tecnologia na medicina.
O Prêmio Euro Inovação na Saúde está em sua segunda edição. Serão contemplados três vencedores em quatro categorias diferentes.

A vacina anticocaína e crack concorre na categoria Inovação Tecnológica Aplicada em Saúde. Os vencedores concorrem ao prêmio de Grande Destaque. A votação, que é on-line e aberta apenas para médicos, está disponível em 17 países da América Latina.
Segundo a UFMG, o projeto já concluiu as etapas pré-clínicas, em que foi constatada segurança e eficácia para tratamento da dependência. Atualmente, não existem tratamentos do tipo registrados em agências regulatórias para essas condições — a não ser opções de tratamentos comportamentais ou com medicamentos para tolerar a abstinência ou diminuir a impulsividade.

Esse é um problema prevalente, vulnerabilizante e sem tratamento específico. Os nossos estudos pré-clínicos comprovam a segurança e eficácia da vacina nesta aplicação. Ela aporta uma solução que permite aos pacientes com dependência se reinserir socialmente e voltar a realizar seus sonhos”, ressalta Frederico Garcia, professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina e pesquisador responsável.

Como funciona a vacina anticocaína?
Conforme explicação do portal oficial da UFMG, o medicamento “induz o sistema imune a produzir anticorpos que se ligam à cocaína na corrente sanguínea. Essa ligação transforma a droga numa molécula grande, que não passa pela barreira hematoencefálica”.

Demonstramos a redução dos efeitos, o que sugere eficácia no tratamento da dependência. Pensamos em utilizar o fármaco para evitar recaídas em pacientes que estão em tratamento, dando mais tempo para eles reconstruírem sua vida sem a droga”, diz o comunicado.

Em testes com camundongos gestantes, o remédio impediu ainda a ação da droga sobre a placenta e o feto. “Observamos menos complicações obstétricas, maior número de filhotes e maior peso do que as não vacinadas”.
O projeto, inteiramente desenvolvido com recursos governamentais, busca agora financiamento para avançar até a etapa com humanos.

Para restaurar a liberdade das pessoas com dependência e prevenir as consequências fetais precisamos dar início nos estudos com humanos. Acreditamos que o prêmio Euro pode viabilizar esse sonho”, afirmam os pesquisadores.

Fonte: Olhar Digital

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