Vestígios da primeira deusa da história são encontrados em cidade destruída pelo Estado Islâmico

O sítio arqueológico onde as relíquias da deusa foram encontradas estava sendo destruído pelo Estado Islâmico
Por Mateus Dias
Um grupo de arqueólogos encontrou em meios às ruínas de uma cidade destruída, relíquias de um templo de três mil anos dedicado a Ishtar, uma deusa mesopotâmica do amor e da guerra, que é a primeira conhecida a partir de evidências escritas da história.
Os achados estavam na cidade de Nimrud, no atual Iraque, a cerca de 30 quilômetros de Mosul, cidade tomada pelo Estado Islâmico em 2014. Com o objetivo de apagar a cultura não islâmica da região, o sítio arqueológico de Nimrud começou a ser destruído por eles, com marretas, bombas e escavadeiras.
Agora, que o domínio da região pelo grupo islâmico acabou, os arqueólogos retornaram a Nimrud e pegaram todo tipo de artefato encontrado. O assentamento de Nimrud foi construído ao longo do Rio Tigre, e transformou-se em um cidade assíria prospera entre os anos de 1350 e 610 a.C., com grandes palácios e templos impressionantes.
Nessas novas escavações, os pesquisadores trabalharam no Templo de Ishtar, que em 612 a.C. foi queimado durante um saque à cidade. No local foram encontrados fragmentos de um antigo monumento de pedra que retrata a deusa em um símbolo de estrela.
Nossa maior descoberta nesta temporada foi um fragmento espetacular da estela de pedra que mostra a deusa Ishtar dentro de um símbolo de estrela. Esta é a primeira representação inequívoca da deusa como Ishtar Sharrrat-niphi, um aspecto divino da deusa associado ao surgimento do planeta Vênus, a ‘estrela da manhã’, encontrada neste templo dedicado a ela”, comemora Michael Danti, arqueólogo, em comunicado.
Escavações anteriores em Nimrud já haviam revelado um palácio de 2800 anos que pertencia a um rei assírio conhecido como Adad-Nirari III, que reinou entre 810 e 783 a.C., além de lajes de pedra com inscrições cuneiformes, uma escrita utilizada durante a Idade do Bronze, no Oriente Médio.
Agora, mais descobertas destacam o luxo da antiga cidade do reinado de Adad-Nirari III, como a arquitetura, o templo da deusa Ishtar e fragmentos de marfim e cascas de ovos de avestruz, materiais raros e valiosos na época. Tudo isso muito próximo de ser destruído pelo Estado Islâmico.
Fonte: Olhar Digital