Meio ambiente

O novo refúgio da onça-parda, espécie ameaçada de extinção

Também conhecido como suçuarana, o segundo maior felino do Brasil não era avistado na Refúgio de Vida Silvestre de Maricá (Revis), na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, há mais de um século

Por Isabelle Resende

Um raro — e um pouco assustador, é verdade — registro em área litorânea. A aparição de uma onça-parda, espécie ameaçada de extinção, no Refúgio de Vida Silvestre de Maricá (Revis), na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, vem sendo comemorada por biólogos e ambientalistas. Há mais de um século, o felino não era visto por ali.
A onça foi flagrada por armadilhas fotográficas instaladas dentro do programa Monitoramento da Fauna Silvestre de Maricá. Este ano, foram espalhadas pelo refúgio mais cinco câmeras doadas pelo projeto Onças Urbanas, uma cooperação técnica entre o Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio (UFRJ) e o BioParque do Rio. Coordenado pelo biólogo e pós-doutor em ciências ambientais e florestais pela Universidade Federal Rural do Rio (UFRRJ), Izar Aximoff, o projeto tem o objetivo de monitorar a fauna e fazer um trabalho de educação ambiental com a comunidade do entorno.

É gratificante poder trabalhar junto à comunidade a importância desse animal, topo de cadeia. Estamos muito felizes de, justamente no dia 30 de agosto, quando se comemora o Dia Internacional do Puma, ter feito o segundo registro desse felino aqui na nossa região”, disse o subsecretário de Cidade Sustentável de Maricá, Guilherme Di César.

As oito câmeras instaladas já capturaram imagens de mais de 170 espécies de animais, entre mamíferos, aves e roedores. O refúgio tem nove mil hectares, extensão que corresponde a 25% de Maricá. A área é maior que a do município de Armação de Búzios, e duas vezes a do Parque Nacional da Tijuca, no Rio.
Lançado em junho deste ano, o projeto Onças Urbanas foi motivado pelo aparecimento da onça-parda (Puma concolor) ou suçuarana, no fim de 2021, na região de Maricá. A espécie era considerada extinta na região litorânea. Segundo maior felino do Brasil, a suçuarana é menor apenas que a onça-pintada.

O projeto Onças Urbanas tem o objetivo de conscientizar a população de que é possível animais e humanos viverem sem conflito nas grandes cidades. Vamos monitorar também o macaco bugio, que está ameaçado no Brasil. A população desse primata no Revis quase foi inteiramente dizimada pela febre amarela nos últimos anos”, explica o biólogo Izar Aximoff.

Câmeras em vários parques
Além do Refúgio de Vida Silvestre de Maricá, câmeras também foram instaladas em áreas do Parque Estadual da Pedra Branca, no Rio, e do Parque Estadual da Serra da Tiririca, em Niterói. Um mapeamento apontará as localidades onde as onças se encontram no estado. Por meio do programa de monitoramento da fauna, a Secretaria de Cidade Sustentável levanta dados que são utilizados em pesquisas sobre as áreas naturais protegidas da cidade.

Até o momento, mais de mil imagens estão sendo analisadas e serão dispostas no relatório de monitoramento, que já identificou a presença de, entre outros animais silvestres, quati, tamanduá, sagui, cachorro-do-mato, gambá, pica-pau, jacu (ave), sabiá, morcego, lagarto, gato-maracajá, esquilo, guaxinim e tatu.
A armadilha é uma câmera fotográfica que é ativada por sensor de presença. O animal passa na frente da câmera, que aciona a foto ou o vídeo.

O intuito é distribuir os equipamentos em pontos estratégicos do refúgio para captar, além das imagens de onças-pardas, registros de animais que também aparecem com frequência na região. Se necessário, os profissionais abrirão novas trilhas para controle total da área.

UTILIDADE PÚBLICA

Fonte: Um Só Planeta

Related Posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

EnglishPortugueseSpanish