Casa de cânhamo e barro é exemplo de eficiência energética

Com paredes grossas que usam método de construção centenário, casa faz parte de um projeto pioneiro da União Europeia
Por Natasha Olsen

Em um mundo que valoriza tanto novas tecnologias, soluções simples e ancestrais aparecem como uma alternativa eficiente que surpreende muita gente. É o caso desta construção que usa grossas paredes de barro e cânhamo, construída na Inglaterra como parte de um projeto da União Europeia para ser pioneiro na construção de casas com maior eficiência energética.
O arquiteto Anthony Hudson usou um método de construção centenário para construir o bangalô e mesmo assim atende aos regulamentos de construção modernos. A casa foi construída em Fakenham, cidade inglesa às margens do rio Wensum, com três ingredientes simples: palha de cânhamo, terra e água. O resultado desta mistura é conhecido como ‘cob’, por isso o projeto foi batizado de CobBauge.

A lama é um dos materiais de construção mais sustentáveis, com alguns edifícios antigos na Grã-Bretanha durando mais de 500 anos. A nova casa possui grandes janelas de vidros triplos voltadas para o sul para aquecimento solar no inverno e uma bomba de calor com fonte de ar para fornecer aquecimento adicional.

O projeto de três quartos da Hudson Architects foi construído pelos construtores locais Grocott e Murfit em janeiro, e a equipe o caracterizou como bastante barato, apesar de não divulgar o valor total investido no projeto.

A CobBauge faz parte de um projeto financiado pela União Europeia para trazer a construção com barro para o século XXI, com foco na construção com carbono líquido zero — e este é o primeiro edifício que atende às regulamentações. Um anúncio buscava arquitetos para criarem novas formas de utilizar a terra nas casas e Hudson aproveitou a oportunidade.

O desafio era criar uma casa usando a terra como principal material de construção, mas que também pudesse ser isolada termicamente”, disse.

“A Terra é uma forma muito sustentável de construir, especialmente porque está amplamente disponível”, conta Hudson. Embora ainda haja um longo caminho a percorrer antes que as casas de barro possam ser colocadas no mercado convencional, Hudson acredita que este modelo por se tornar o “novo normal”.

Embora os materiais sejam baratos e fáceis de obter, o método de construção consome muito tempo. Neste momento, tudo tem de ser feito à mão, por isso os custos de mão de obra são elevados”.

O próximo passo é descobrir como fabricar técnicas de construção para reduzir a intensidade do trabalho. “Depois que resolvermos isso, meu palpite é que este será um método muito atraente”, acredita.
Em março, a casa de barro estará aberta ao público para visitação. Além das paredes, um outro atrativo inspirador é o seu “telhado verde” que atrai a biodiversidade e ajuda a diminuir a falta de espaços verdes no local.

Fonte: CicloVivo