Internacional

EUA impõem sanções à especialista da ONU por pressionar TPI contra Israel

Marco Rubio disse que a relatora especial estava sendo sancionada por incitar ações do TPI contra autoridades, empresas e executivos dos EUA e de Israel

Por Jacob Burg

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou que os Estados Unidos imporão sanções à relatora especial das Nações Unidas (ONU) sobre direitos humanos nos territórios palestinos ocupados, acusando-a de antissemitismo e apoio ao terrorismo.

Hoje estou impondo sanções à Relatora Especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Francesca Albanese, por seus esforços ilegítimos e vergonhosos para incitar ações [do Tribunal Penal Internacional] contra autoridades, empresas e executivos dos EUA e de Israel”, escreveu Rubio em uma declaração publicada em 9 de julho na plataforma de mídia social X.

Advogada e acadêmica italiana, Albanese atua na ONU desde maio de 2022. Ela defendeu a imposição de um embargo de armas pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU e o fim dos laços comerciais e financeiros com Israel. Albanese acusou Israel de supervisionar uma “campanha genocida” em Gaza durante a guerra com o Hamas.

O Tribunal Penal Internacional alegou que Israel é culpado de crimes de guerra, e o Tribunal Internacional de Justiça fez alegações de genocídio em relação aos esforços militares do país contra o Hamas em Gaza. Israel negou as acusações, e sustenta que suas ações são de legítima defesa após o ataque terrorista mortal do Hamas no sul de Israel, em 7 de outubro de 2023.

Em um relatório do início de julho, Albanese acusou mais de 60 empresas, incluindo fabricantes de armas e empresas de tecnologia, de ajudar assentamentos israelenses e esforços militares em Gaza e sugeriu que Israel está se beneficiando desse apoio. “O relatório revela como a ocupação permanente se tornou o campo de testes ideal para fabricantes de armas e grandes empresas de tecnologia — proporcionando oferta e demanda ilimitadas, pouca supervisão e responsabilidade zero — enquanto investidores e instituições públicas e privadas lucram livremente”, escreveu ela.

A missão de Israel em Genebra chamou o relatório de “legalmente infundado, difamatório e um flagrante abuso de seu cargo”. Em uma declaração mais longa publicada no site do Departamento de Estado americano, Rubio acusou Albanese de antissemitismo, apoio ao terrorismo e “desprezo aberto pelos Estados Unidos, Israel e o Ocidente”. Ele também descreveu o relatório de Albanese como uma campanha de “guerra política e econômica”.

Ela intensificou recentemente esse esforço escrevendo cartas ameaçadoras a dezenas de entidades no mundo todo, incluindo grandes empresas americanas de finanças, tecnologia, defesa, energia e hospitalidade, fazendo acusações extremas e infundadas e recomendando que o [Tribunal Penal Internacional] realize investigações e processos contra essas empresas e seus executivos”, disse Rubio.

A secretária-geral da Anistia Internacional, Agnes Callamard, ex-relatora especial da ONU, também denunciou as sanções. “Governos ao redor do mundo, e todos os atores que acreditam na ordem baseada em regras e no direito internacional, devem fazer tudo ao seu alcance para mitigar e bloquear o efeito das sanções contra Francesca Albanese e, de forma mais geral, para proteger o trabalho e a independência dos Relatores Especiais”, escreveu Callamard em um comunicado.

Como relatora especial, Albanese é obrigada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU a relatar sobre temas e crises específicas. As opiniões dos relatores especiais não refletem as da ONU como um todo.

Fonte: Epoch Times Brasil

Haroldo Filho

Haroldo Filho

Jornalista – DRT: 0003818/ES Coordenador-geral da ONG Educar para Crescer

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