Economia

Sul do Espírito Santo, onde o mar encontra o aço

Conteúdo Publicado na Revista Aço5.0BR

O litoral sul do Espírito Santo vive um momento raro — aquele em que o mapa econômico se redesenha diante dos nossos olhos. Entre Anchieta, Guarapari e Piúma, o crescimento da indústria de petróleo e gás empurra portos, estradas e investimentos para um novo patamar. O mar capixaba já pulsa com atividade, mas o caminho até ele ainda precisa ser pavimentado — literalmente.

O novo eixo energético do estado
O Espírito Santo já é o terceiro maior produtor de petróleo do Brasil, responsável por cerca de 10% da produção nacional, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). E vem crescendo: o Anuário de Petróleo e Gás 2024/2025 da FINDES prevê um aumento médio anual de 11,2% até 2027. A previsão de investimentos passa dos R$ 44 bilhões até 2030, impulsionando toda a cadeia — de fornecedores industriais a serviços marítimos (FINDES, Folha Vitória).

Nesse contexto, o sul do estado ganha protagonismo com novos terminais de líquidos e derivados. O Terminal de Granéis Líquidos (TGL) de Praia Mole, por exemplo, representa um investimento de cerca de R$ 340 milhões, com capacidade para movimentar até 14 milhões de toneladas por ano. O projeto, que já tem apoio do governo estadual, promete colocar o Espírito Santo no mapa dos grandes polos logísticos do petróleo e gás no Atlântico Sul (Governo do ES).

Portos prontos, estradas em espera
Enquanto os portos se modernizam, a malha rodoviária ainda tenta acompanhar o ritmo. O Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES) reconhece o desafio e criou o Programa Eficiência Logística — um plano para reabilitar, duplicar e construir novos acessos portuários estratégicos (DER-ES).
A rodovia ES-060, que corta o litoral e liga Anchieta à capital, é um exemplo: é o eixo vital para o transporte de cargas industriais, combustíveis e equipamentos offshore, mas sofre com gargalos que travam o fluxo e aumentam custos logísticos. O estudo do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) reforça que a infraestrutura rodoviária será determinante para consolidar o sul capixaba como corredor logístico de exportação.

(Imagem: Reprodução/OpenEdition Journals)

Quando o aço encontra o mar
Para o setor do aço — e toda a cadeia industrial que o cerca — essa movimentação abre uma frente de oportunidades. Estruturas metálicas, dutos, tanques, navios, módulos industriais e plataformas offshore dependem diretamente de uma logística confiável. E o aço, com sua versatilidade e resistência, está em tudo: nas bases dos píeres, nos tanques dos terminais, nas pontes rodoviárias e até nos galpões que guardam equipamentos marítimos.
É o tipo de cenário que cria demanda de alto valor agregado e mão de obra qualificada — duas especialidades que o Espírito Santo já domina com competência.

A urgência das conexões
Mas há um porém: a engrenagem não gira se a estrada emperra. Portos de alto desempenho precisam de rodovias à altura. O trajeto entre os terminais do sul e as grandes vias federais, como a BR-101, ainda é um ponto crítico. É ali que se decide se o petróleo e o gás se traduzem em desenvolvimento regional — ou apenas em mais tráfego lento e custos elevados.

Para transformar potencial em potência, é preciso sincronizar investimentos: rodovia, porto e indústria. O Espírito Santo já tem o mar e a energia; falta agora garantir o caminho seguro até eles.

O tempo é agora

O sul capixaba tem tudo para ser o elo de ligação entre o pré-sal e a indústria brasileira. A combinação entre energia, aço e logística é explosiva — no melhor sentido da palavra. O desafio, como sempre, é não perder o timing. Enquanto o mar se abre, o asfalto precisa acompanhar.

Fontes consultadas:
• Agência Nacional do Petróleo (ANP) – Dados de Produção 2024
• FINDES – Anuário de Petróleo e Gás 2024/2025
Folha Vitória – Investimentos em Petróleo e Gás no ES
Governo do Espírito Santo – Terminal de Granéis Líquidos de Praia Mole
DER-ES – Programa Eficiência Logística
• Instituto Jones dos Santos Neves – Estudos de Logística e Desenvolvimento Regional

Milena Rohr

Milena Rohr Sócia e diretora do MasterMind (Fundação Napoleon Hill), Gestora Empresarial, Embaixadora do BNI, Palestrante, Escritora, Colunista e Mentora FRST do Grupo Falconi

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