Disciplina é Liberdade — a precaução como valor e a segurança como cultura

Recentemente, tive uma conversa inspiradora com Adilson Monteiro — engenheiro, bacharel em Direito, Executivo de Design e Segurança da Amazon, escritor e especialista em HOP (Human and Organizational Performance) e DFS (Design for Safety). Foi mais do que um diálogo técnico sobre segurança e gestão de riscos: foi um mergulho na essência do que significa aprender continuamente dentro das organizações.
Adilson trouxe à tona um ponto que ecoa fortemente com a filosofia de Disciplina é Liberdade: a segurança não nasce de regras rígidas, mas da compreensão profunda do comportamento humano e da forma como as organizações aprendem com seus próprios erros.
Falamos sobre o levantamento de riscos — um tema que, à primeira vista, parece meramente técnico. Mas, na prática, é um exercício de autoconhecimento empresarial. Mapear riscos não é só prever acidentes; é entender como as decisões, as pressões e os contextos moldam comportamentos. A segurança, nesse sentido, é consequência da cultura, e não o contrário.
A filosofia HOP — Human and Organizational Performance — parte de um princípio simples e poderoso: as pessoas erram, mas os sistemas podem aprender com esses erros. Isso exige humildade organizacional, abertura ao diálogo e a coragem de admitir que a perfeição operacional não existe — apenas o aprimoramento contínuo.
Adilson enfatizou que precaução não é medo, é inteligência. É a disciplina de questionar o óbvio, de observar o detalhe, de entender o “porquê” antes do “como”. É reconhecer que segurança não se impõe por decreto, mas se constrói no cotidiano — nas pequenas escolhas, nas rotinas, nas conversas que antecedem as decisões.

O Design for Safety (DFS), outra de suas especialidades, traduz essa filosofia em prática: projetar sistemas e ambientes onde o erro humano não gere catástrofe, mas aprendizado. É o encontro entre engenharia, design e filosofia.
O mais fascinante, porém, foi perceber como essa conversa sobre segurança revelou uma verdade maior sobre gestão e liderança: as empresas que aprendem são as que sobrevivem. As que punem o erro, estagnam; as que investigam, evoluem. A melhoria contínua, nesse contexto, é mais do que um processo — é uma mentalidade.
Encerramos a conversa com uma reflexão que fica como convite. Em um mundo cada vez mais complexo, a verdadeira segurança está em cultivar culturas organizacionais que pensam, aprendem e se adaptam.
Disciplina é liberdade — e, nas empresas, disciplina é a coragem de aprender todos os dias, mesmo (ou principalmente) com as falhas.











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