Meio ambiente

Quatro filhotes de ave rara são vistos em Alagoas

Choquinha-de-alagoas, ave criticamente ameaçada com população mundial estimada em menos de 15 indivíduos, tem filhotes avistados

Por Felipe Sales Gomes

Pesquisadores e biólogos comemoram um sinal de esperança para a conservação de ave entre as mais raras do mundo após o avistamento de quatro filhotes da choquinha-de-alagoas (Myrmotherula snowi) na Estação Ecológica de Murici, em Alagoas, no Nordeste brasileiro. A espécie é considerada criticamente ameaçada e vive exclusivamente nesse fragmento de Mata Atlântica altamente degradado e isolado, onde sua sobrevivência é constantemente ameaçada pela perda de habitat, predação, fragmentação florestal e clima adverso.
O registro desses filhotes — dois observados no final de 2025 e dois mais jovens já em janeiro de 2026 — foi confirmado pela Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (SAVE Brasil) no contexto do monitoramento da última temporada reprodutiva da espécie. Esses filhotes já foram vistos acompanhando seus pais pela floresta, aparente e positivamente fora do ninho e em bom estado de saúde, apesar da fase crítica.

Ave em risco
A choquinha-de-alagoas é uma ave endêmica dessa região e não existe em nenhum outro lugar do planeta, o que significa que qualquer reprodução bem-sucedida na natureza representa um avanço direto na luta para evitar a extinção. Antes desses avistamentos, estimava-se a existência de apenas oito indivíduos adultos da ave em vida livre, com toda a população conhecida concentrada na Estação Ecológica de Murici. O nascimento e sobrevivência dos quatro filhotes elevam o total estimado de indivíduos na natureza para aproximadamente 12 aves, trazendo um pouco mais de fôlego à conservação da espécie.
Os biólogos destacam que o principal desafio para a espécie é o gargalo populacional, especialmente a fase mais vulnerável de filhotes no ninho, quando predadores naturais de ovos e filhotes podem causar altas taxas de mortalidade. O fato de as aves jovens terem deixado o ninho com vida e acompanharem os pais indica que essas aves conseguiram superar esse período crítico, um ponto vital para a continuidade da espécie.

(Foto: Ascom IMA-AL)

Fonte: Aventuras na História

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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