Estasa: por que a clareza retém pessoas?
Toda empresa que cresce enfrenta o mesmo problema: em algum momento, o tamanho da operação ultrapassa a capacidade de reter talentos. Não é falta de salário. É falta de estrutura. A Estasa enfrentou isso. Fundada em 1973, é uma das maiores administradoras de condomínios do Rio de Janeiro. Gerencia dezenas de condomínios residenciais, empregando porteiros, técnicos, pessoal administrativo e de atendimento. Mas em um determinado momento, a empresa chegou a um ponto crítico.
A taxa de rotatividade de pessoas era de 3% ao mês. Isso significa que a cada mês, três em cada 100 colaboradores saíam da empresa. Ao longo de um ano, a empresa perdia aproximadamente 30% de seu quadro. Isso significa que a cada ano, quase um terço dos colaboradores saía. Os números eram devastadores. Recrutamento levava duas semanas. Treinamento levava semanas adicionais. Produtividade caía enquanto novos colaboradores aprendiam. Clientes reclamavam de descontinuidade no atendimento. A reputação da empresa sofria. Mas havia um custo invisível ainda maior: capital humano desperdiçado.
O problema real: pessoas saindo sem motivo estruturado
Quando uma empresa cresce, cada colaborador tende a funcionar isolado. Ninguém sabe exatamente qual é seu papel, para onde está crescendo ou como será avaliado. Ninguém recebe feedback claro sobre seu desempenho. Ninguém tem um plano de desenvolvimento.
Na Estasa, isso era concreto. Colaboradores atuavam em atividades erradas porque não havia mapeamento de competências. Não havia Plano de Desenvolvimento Individual (PDI). Não havia clareza sobre carreira. Ninguém estava vendo o quadro completo. O resultado era previsível: frustração, desengajamento e saída. Colaboradores não saíam porque ganhavam mal. Saíam porque não sabiam para onde estavam indo. Saíam porque não viam futuro. Saíam porque não havia estrutura que os retivesse.
A solução: estrutura de gestão de pessoas
A Estasa fez algo que parece simples, mas é raro: estruturou a gestão de pessoas de forma estratégica. Começaram com um diagnóstico. Mapearam competências. Identificaram onde cada pessoa estava. Analisaram para onde cada pessoa poderia ir. O que descobriram? As maiores oportunidades estavam na clareza. Não era falta de salário. Era falta de visibilidade sobre carreira.
Então implementaram uma rotina estruturada de gestão de pessoas. Criaram PDI para cada colaborador. Implementaram treinamentos específicos por área. Criaram um processo de recrutamento mais ágil e preciso. Padronizaram avaliações de desempenho. Transformaram a gestão de pessoas de reativa para proativa.
Não era sobre tecnologia sofisticada. Era sobre conectar as pessoas ao futuro da empresa.
O princípio por trás: estrutura retém talentos
Você não consegue reter pessoas em operações fragmentadas. Quando ninguém se comunica, colaboradores ficam em atividades erradas, sem feedback, sem plano de carreira. A Estasa entendeu que estrutura não é luxo. Quando você estrutura, cada colaborador sabe seu papel, para onde cresce, como será avaliado. Isso muda o comportamento. Por clareza.
O resultado: os números falam
Os dados da Estasa são expressivos. A taxa de rotatividade caiu de 3% ao mês para aproximadamente 1,3% ao mês. Isso representa uma redução de 57% no turnover. A empresa passou de perder aproximadamente 30% de seu quadro a cada ano para perder apenas 15% ao ano.
O recrutamento caiu de duas semanas para dois dias. Novos colaboradores entravam mais preparados. Produtividade aumentava. Clientes recebiam continuidade no atendimento. A empresa reteve os talentos certos, com clareza sobre seu futuro.
A lição para você
Muitos empreendedores acreditam que o problema da rotatividade é falta de salário. Não é. É falta de estrutura. Você não precisa de um software sofisticado de RH amanhã. Mas precisa começar a estruturar hoje. Se você é empreendedor iniciante, faça isto: mapeie seus três principais papéis. Vendedor, operacional, administrativo. Escreva qual é o papel de cada um. Identifique quem está no papel certo. Isso é o começo.
Se você é empreendedor intermediário, faça isto: reúna seu time de liderança. Pergunte uma coisa simples: “qual é o plano de desenvolvimento de cada pessoa no meu time?”. Se a resposta for vaga, você tem um problema. Comece por aí. A Estasa provou que é possível crescer mantendo as pessoas. Mas só é possível se você estruturar. Não é sobre pagar mais. É sobre oferecer clareza.
(Foto: Group Publishing)








