Clara Pandolfo: livro relembra pioneira da ciência no Brasil

“Clara Pandolfo, uma cientista da Amazônia” busca recuperar a memória da pesquisadora paraense, referência no desenvolvimento sustentável
A trajetória de Clara Pandolfo, uma das primeiras mulheres formadas em química no Brasil e pioneira na defesa da Amazônia, volta a ganhar destaque com o lançamento do livro “Clara Pandolfo, uma cientista da Amazônia”, do jornalista e historiador Murilo Fiuza de Melo. A obra é lançada neste dia 1º de setembro, no Palacete Faciola, em Belém, e integra um projeto que inclui ainda minidocumentário, site e ciclo de palestras para estudantes do Pará.
Filha do comerciante português Albano Augusto Martins e da paraense Judith Barreau do Amaral, Clara nasceu em Belém em 1912 e, aos 17 anos, tornou-se a primeira mulher da região Norte a se formar em química. Sua monografia de graduação, apresentada em 1929, já abordava o estudo químico de plantas amazônicas e abriu caminho para uma vida dedicada à valorização dos recursos naturais da floresta.
Ainda nos anos 1930, ela participou do movimento feminista em defesa do voto da mulher, ao mesmo tempo em que buscava ocupar espaços acadêmicos e científicos dominados por homens. Décadas mais tarde, foi a última diretora da Escola de Química Superior do Pará antes de sua incorporação pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Durante sua gestão, implantou o Laboratório de Análise Espectral, inaugurado em 1963 com equipamentos adquiridos no exterior.
Clara Pandolfo também antecipou conceitos de sustentabilidade que só se consolidariam anos depois. Defendia o manejo florestal organizado e chegou a propor, ainda nos anos 1970, o uso de satélites para monitorar o desmatamento da Amazônia.
A única ocupação econômica que não destrói a cobertura florestal é a exploração florestal organizada, que permite a utilização desses recursos indefinidamente”, disse em 1972.
A cientista morreu em 2009, aos 97 anos, mas sua trajetória ainda inspira novas gerações. Para Murilo Fiuza de Melo, neto de Clara, a obra busca justamente reforçar esse legado.
Clara enfrentou barreiras impostas às mulheres que perduram até hoje, mas conseguiu deixar uma marca relevante na ciência e na vida pública”, afirma.
O livro impresso será distribuído em escolas de ensino médio e bibliotecas públicas do Pará. Também estará disponível para download gratuito no site www.clarapandolfo.online, acompanhado de audiobook e do minidocumentário sobre a vida da cientista. A iniciativa tem apoio da Vale, do Instituto YUDQS e está alinhada ao movimento da Unesco e da ONU Mulheres para incentivar a participação de mulheres e meninas na ciência.
Fonte: Aventuras na História










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