Comportamento & Equilíbrio

Alienação parental, mentiras e lobby eficiente — Parte II

Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de governo do nazista Hitler, afirmava que uma mentira dita e repetida mais de 100 vezes, se torna verdade

Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de governo do nazista Hitler, de 1933 a 1945, afirmava que uma mentira dita e repetida mais de 100 vezes, se torna verdade. Goebbels manipulava dados para favorecer o Regime e desenhar com cores mais fortes os grupos de humanos que ele elegeu com perseguidores a serem eliminados, em nome da supremacia ariana. Goebbels instituiu as fogueiras de livros. Livros que, no crivo do ministro, eram considerados subversivos ou representativos de ideologias opostas ao nazismo. A música também sofreu uma “seleção”, restando na clássica apenas Wagner, cancelados outros autores clássicos e sendo banido o jazz, que ele considerava uma música de negros, chamada degenerada. Aparelhos de rádios passaram a ser vendidos a preços bem baratos, e alto-falantes estavam em todos os cafés, fábricas e praças, para que todos ouvissem as mentiras se transformando em verdades inventadas.
O lobby surgiu como um assessoramento para compreensão de algo novo, mas se modificou em seu propósito, tornando-se uma estratégia daquela frase: ‘o fim justifica os meios’. Ressaltando que o “fim” não tem mais compromisso com a introdução de um novo, se aproximando mais de caprichos distantes da serventia de uma coletividade. Ou seja, o lobby passou a ser uma estratégia manipuladora. Tornou-se uma comercialização de uma ideia de um pequeno grupo que, autoritária e arbitrariamente, vai lavando os cérebros. Aquela máxima de Goebbels a replicar: uma mentira repetida à exaustão vira verdade.

São os lobistas que legislam nosso país. Hoje, com a colab das redes sociais, os influenciadores multiplicam mediante altos negócios, vemos evidenciado a venda de uma ideia que prescinde de cientificidade, de fundamentação, e, até, de bom senso comum. Só o poder de negociação, de manipulação de mentiras ditas sem fundamento, basta para lavar o cérebro, que, pela facilidade, parece ter menos giros, menos sulcos, menos comissuras, menos lobos, tão fácil é fazer uma lavagem.
Não é a lógica que norteia a exposição de um lobista. Já foi. No tempo medieval os eclesiásticos convenciam os reis misturando a lógica à fé e temor a Deus. Hoje, não há compromisso com a lógica e a “fé” alegada é comercial. Nenhuma preocupação com Direitos, mas fala-se em nome dele. Nenhuma preocupação com Política Pública, mas inventa-se, a toda hora, uma frase de efeito e o nome de uma nova lei, sem se importar com o custo emocional dos grupos vulneráveis, necessitados da Proteção do Estado.

Essa lei, baseada na tese de um médico pedófilo, recheada de misoginia, promove a Privação Materna Judicial (Foto: Pinterest)

A entrada de Recurso contra a votação vitoriosa da Revogação da Lei de Alienação Parental, uma mentira que lesa mulheres e crianças, é o exemplo desse movimento pela garantia da galinha dos ovos de ouro. Essa lei, baseada na tese de um médico pedó$i$o, recheada de misoginia, promove a Privação Materna Judicial. O sofrimento de crianças e mães, submetidas ao distanciamento, assentado no negacionismo do crime intrafamiliar praticado, em 97% dos casos, por homens.
A despeito de serem homens que matam mulheres, são homens também que se arvoram um trono de donos absolutos de coisas objetos, quando quebram e queimam, e de objetos/mulheres e objetos/crianças, a quem também quebram, queimam e matam. Mas um lobista que conseguiu algumas das 70 assinaturas para compor o Recurso contra a votação pela Revogação dessa lei que — já deixou suas digitais em enorme quantidade de Feminicídios, assim como também infanticídios —, despreza o sofrimento de uma criança que se tornou bônus para o genitor abusador e perdeu a mãe, às vezes para sempre. Tenho conhecimento de inúmeros casos. Essa é a lei emboscada, não existe ex-alienadora, é até que a morte chegue, assim como não existe ex-abusador sexual. Lembrando a incoerência do círculo fechado dessa lei. Ela é invocada porque o pobre genitor diz que a ex é louca e que ela está praticando atos de alienação, então ele é inocentado total, e a justiça pratica atos de alienação contra a mãe. Ou seja, não pode “alienar” o pai porque a criança não se cria — uma falácia — mas a mãe é dispensável, é alienada total, e pela instituição justiça.

O sofrimento de crianças e mães, submetidas ao distanciamento, assentado no negacionismo do crime intrafamiliar praticado, em 97% dos casos, por homens (Foto: Pinterest)

Essas mentiras, assim como as alegadas “falsas memórias”, são mentiras voadoras que têm sido responsáveis por muitas tentativas de suicídio de crianças. É tão enlouquecedor perder a mãe virar objeto sexual liberado para o genitor, que a criança prefere a morte, e tenta.
Sobre os 70 deputados que estão usando pela enésima vez uma estratégia de obstrução ao retorno do bom senso, pode-se conhecer a lista. Com a falácia de que as crianças vão ficar desprotegidas, outra mentira porque tem tudo que é necessário para a Proteção Integral dos pequenos, 70 deputados massacram milhares de crianças e suas mães. Essa é uma lei de perversidade e inconstitucional. Mas ninguém olha esses “detalhes” sem importância. Afinal, para que serve mulher, para que serve criança”.
Uma sugestão que não vai adiantar de nada, mas, sugiro mesmo assim. O homem que mata uma mulher deve responder pelo crime contra as crianças filhas por ter subtraído a mãe delas. Assim também para as lesões corporais devem ser acrescidas do prejuízo afetivo e operacional de retirar a mãe da criança de sua funcionalidade por um tempo. Mesmo que os lobistas resgatem os 70 deputados para obstruir. Mesmo assim.

(Foto de capa: Getty Images)

Ana Maria Iencarelli

Psicanalista Clínica, especializada no atendimento a Crianças e Adolescentes. Presidente da ONG Vozes de Anjos.

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