Política

É Isso Aí — PÕE O CRACHÁ…TIRA O CRACHÁ…PÕE O CRACHÁ…

Não sei por que me lembrei daquele personagem do saudoso Paulo Silvino … Amigos, estou de volta a este modesto blog depois de curtir alguns dias de férias. Mas, mesmo de longe, acompanhei com muita atenção a movimentação política no Planalto. E não creio que temos muitas novidades por lá e, em última análise, em todo o País. Está tudo como dantes no quartel (“?) de Abrantes!
Vou dividir esse blog em duas partes com o mesmo assunto: as decisões do Planalto – sempre apagadas !!! É, me parece que lá quem manda não sabe de nada mesmo!
Sim, porque é por causa das manobras palacianas, principalmente em relação ao nosso presidente, que estamos vivendo no momento é uma crise de ciúme dele, Bolsonaro, o nosso destemperado presidente – em relação, primeiro, ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que acabou demitido.
É Isso Aí! A ciumeira continuou após o “Reizinho” empossar o novo ministro da saúde, Nelson Teich, que ficou no cargo menos de um mês.

Bolsonaro e Nelson Teich (Foto: Reuters/Adriano Machado/Reprodução)

O ministro Nelson Teich (Saúde) pediu demissão numa manhã de sexta-feira (15 de maio 2020). O general Eduardo Pazuello, secretário-executivo da pasta, assumiu o cargo interinamente. Pazuello, segundo o presidente, foi colocado no ministério por sua capacidade de organização logística. Entretanto, à boca pequena, nos bastidores ou subterrâneos, sei lá, sua nomeação, junto a outros militares, levantou suspeitas de que Nelson Teich seria “tutorado” na pasta. Ou seja voltamos a assistir mais uma alquimia do nosso “reizinho”.
Teich é o 2º comandante do ministério a deixar a função durante a pandemia do coronavírus. O ministro anterior foi demitido em 16 de abril. Teich assumiu a cadeira da Saúde em 17 de abril e estava para completar um mês no cargo.
Até que seria cômico se não fossem tão trágicas essas manobras” palacianas. O “sisudo” Teich esteve no Palácio do Planalto para conversar com Jair Bolsonaro às 11h. Os dois já não estavam recruzando os bigodes porque o “reizinho” abertamente defende o uso do remédio cloroquina como tratamento para a covid-19.
É necessário dizer que nem a Organização Mundial da Saúde (OMS) nem o Ministério da Saúde reconhecem algum fármaco ou vacina como cura para a doença. Bolsonaro queria que o ministro recomendasse o medicamento. Ele resistia.
Teich sofria desprestígio dentro e fora do governo. Prefeitos relatam que preferiam tratar de assuntos relevantes com o general Pazuello.
E o ministro? Ah! ele já estava com o pressentimento de que estava sendo “fritado” por conta da presença de militares em cargos de chefia no ministério. Em conferência com deputados, Teich se defendeu. “Embora possa existir militares, outros profissionais, a liderança é minha”. Em outro momento, afirmou que os militares só ficariam na pasta durante a pandemia. “Até parecia que seria isso” … ah coitado!
E novamente vem à cena o antecessor de Teich, Luiz Henrique Mandetta, publicando um
tweet: “Oremos. Força SUS. Ciência. Paciência. Fé! Me digam, é ou não é uma comédia de circo?”.

Presidente Bolsonaro (Foto: Sérgio Lima/AFP)

O “reizinho” Bolsonaro e Teich tiveram uma reunião dura, na qual o ministro foi cobrado para que mudasse o protocolo da Pasta, ampliando a recomendação de utilização do medicamento cloroquina no tratamento da Covid-19.
Teich não topou seguir o “diagnóstico” do presidente, que desejava lhe impor a adesão cega ao uso da cloroquina em todos os pacientes de coronavírus. E o ministro, sempre, depois de idas e vindas afirmando que ficaria no cargo, enquanto todos ao seu redor sinalizavam – alguns até zombavam – como o colega da BAND, José Luiz Datena e diversos produtores de fake news, afirmando: “… tenho informações fidedignas, seguras que, se o Mandetta não pedir demissão, o Bolsonaro vai dar um chute nele”. Aliás, o comportamento do jornalista Datena foi muito esquisito. E continuou sendo em relação ao ministro Teich. Não posso garantir, mas tem caroço debaixo desse imbróglio.
Gente, sinceramente eu nunca tinha visto isso antes, nestes meus 65 anos de jornalismo! Esperem aí porque tem mais nesse picadeiro de circo verde e amarelo. O secretário Wanderson de Oliveira, do Ministério da Saúde também pediu demissão.
E a “namoradinha do Brasil” foi intimada a viver personagem “ao vivo”! O “reizinho” a chamou: “Regina, por favor venha cá. Você vai ter de demitir-se!”. Se é verdade? É, sim senhora! Ela já estava desconfiada, pois já confidenciado: “Parece que vão me jogar pro alto ou na caçapa!”.
E ela teve que deixar o cargo de Secretária Especial de Cultura e aconteceu um dia depois de Bolsonaro almoçar com um dos nomes cotados para assumir o cargo, o ator Mário Frias.
O presidente confirmou nesta quarta-feira (20) o remanejamento da artista de 73 anos. Ela deve ser designada para comandar a Cinemateca Brasileira, com sede em São Paulo.

Regina Duarte ouve a decisão de Bolsonaro (Foto: Divulgação)

Bolsonaro afirmou, sorrindo, que Regina estava com saudade da família e que a mudança seria para o “bem” dela, em respeito ao “passado” da atriz.
Nos bastidores, no entanto, auxiliares dizem que ambos estavam insatisfeitos um com o outro e se dedicaram a encontrar uma saída honrosa para a artista. O desembarque de Regina do governo foi selado em um café da manhã no Palácio da Alvorada.
O presidente já havia reclamado publicamente que Regina não dava expediente em Brasília e observou que ela trabalhava de São Paulo, pela internet, o que prejudicava a gestão da pasta.
A ausência da atriz abriria espaço, de acordo com Bolsonaro, a conflitos ideológicos dentro da secretaria — tema caro ao mandatário. “Tem muita gente de esquerda [na secretaria de Cultura] pregando ideologia de gênero, essas coisas todas que a sociedade…” e por aí vai jogando no ar aquelas palavras tão próprias dele, (sem usar a máscara defensiva do vírus que mata).
Um dia depois de almoçar com um dos nomes cotados para assumir o cargo, o ator Mário Frias, o presidente confirmou o remanejamento da artista. O “reizinho” com aquela cara zombeteira abraçando Regina: “Ela será designada para comandar a Cinemateca Brasileira, com sede em São Paulo, ou seja Regina “ganhou um prêmio de consolação”.
“Ela estava com saudade da família! A mudança será para o “bem” dela, em respeito ao seu “passado” de atriz”.
Não senhor presidente, Regina Duarte merece mais respeito, não acham? Respeito!
Afinal, mesmo ela tendo ideias próprias sobre política, e tendo, inclusive, encerrado um contrato de mais de 50 anos com a TV Globo para virar secretária, temos que respeitá-la. Mas o seu Bolsonaro não é de respeitar ninguém! Ela também, num entusiasmo surpreendente, acabou demitindo algumas pessoas de prestígio que estavam, segundo sua ótica, atrapalhando sua gestão. O que também não agradou o presidente.
As decisões fizeram Regina perder prestígio tanto com o presidente, quanto com seus apoiadores. Bolsonaro admitiu certa decepção com a escolhida, em uma entrevista no fim de abril, quando declarou:
“Infelizmente, a Regina está trabalhando pela internet ali e eu quero que ela esteja mais próxima. Uma excelente pessoa, um bom quadro, é também uma secretária que era ministério, muita gente de esquerda, pregando ideologia de gênero, essas coisas todas que a sociedade, a massa da população não admite, e ela tem dificuldade nesse sentido”.
Então, resolveu triturá-la. Simples, não é?

Moral da história – Nunca devemos mudar de cavalo no meio do rio (Abraham Lincoln)

É Isso Aí

Jorge Rodrigues Pacheco

Jorge Rodrigues Pacheco

Analista política Advogado, Jornalista e Radialista

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