Álcool no início da gravidez aumenta progressivamente risco de perder bebê

Pesquisa feita com mais de cinco mil mulheres nos EUA mostra que a maior ameaça está em consumir bebidas alcoólicas no momento da concepção ou no primeiro mês de gestação
Pesquisadores do Centro Médico da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, concluíram que o risco de aborto espontâneo cresce 8% a cada semana que uma mulher consome álcool entre a quinta e a décima semanas de gestação. O estudo foi publicado em julho na revista científica American Journal of Obstetrics and Gynecology.
Muitas mulheres abandonam o álcool quando descobrem a gravidez, mas a maior ameaça está justamente no período anterior a esse momento, segundo a pesquisa. Para analisar isso, os estudiosos recrutaram 5.352 norte-americanas que estavam planejando a gravidez ou ainda nas primeiras de gestação.
Durante quatro meses, elas foram entrevistadas sobre seu consumo alcoólico. Metade das voluntárias alegou ter ingerido drinks na época da concepção e nas primeiras semanas da gestação; 12% sofreram aborto espontâneo ao longo da investigação.
Em média, as participantes demoraram 29 dias para deixar de beber, sendo que entre 41% delas, a mudança de hábito aconteceu até três dias depois do teste de gravidez. Mas o maior risco está exatamente nesse primeiro mês: a probabilidade de perder o bebê entre as que consumiram álcool nos primeiros 29 dias foi 37% maior.
“Abster-se de álcool perto da concepção ou durante a gravidez tem sido recomendado por muitos motivos, incluindo a prevenção de doenças. No entanto, níveis modestos de consumo são frequentemente considerados seguros”, disse, em comunicado, Katherine Hartmann, principal autora do estudo.
Os mecanismos biológicos por trás desses riscos ainda são pouco conhecidos. Sabe-se que o álcool modifica os padrões hormonais, o que pode dificultar a implantação do embrião na parede uterina. A pesquisa não observou uma associação entre substâncias etílicas e riscos específicos do desenvolvimento embrionário.
Mas a constatação é a mesma de estudos anteriores: não há dose segura. “Níveis [de consumo alcoólico] que mulheres e alguns profissionais de saúde podem achar responsáveis são perigosos. Nenhuma quantidade pode ser sugerida como segura em relação à perda do bebê”, afirma Hartmann.
Para evitar que isso aconteça, os estudiosos enfatizam a importância de testes caseiros que detectam a gravidez antes da interrupção da menstruação. E mais: interromper a ingestão de bebidas etílicas já no planejamento da gravidez ou assim que for possível.
Fonte: Revista Galileu