Chorar faz bem e é necessário para nossa saúde mental

Se rir é o melhor remédio, por outro lado, o choro é terapêutico. Ao nascermos, se não choramos, logo nos tornamos foco de preocupação. Nessa ocasião, o choro tem que ser forte, quanto mais forte melhor. Mas e quando nos tornamos adultos? Por que temos que ser sempre fortes e o choro pode ser entendido como sinal de fraqueza?
Na fase adulta, o choro continua sendo essencial e está presente em todas as culturas. Choramos quando perdemos um ente querido, quando estamos angustiados, com raiva, doentes. Mas também choramos de alegria, de tanto rir e até mesmo descascando uma cebola, não é mesmo?
É assim que o psiquiatra do Hospital Israelita Albert Einstein (SP) e colaborador do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, Victor Bigelli de Carvalho, descreve a importância do choro. “Chorar tem a função de gerenciar o nosso estresse e fazer com que o corpo entre em homeostase, ou seja, sua situação de equilíbrio”, descreve Carvalho.
Segundo o especialista, da mesma forma que, após uma corrida, o cérebro manda mensagem para o coração baixar a frequência cardíaca e retornar os batimentos do repouso, o choro é importante para voltar ao estado mental basal. Todo ser humano precisa expressar suas emoções de alguma forma, sejam elas boas ou ruins, e o choro é exatamente isso: a manifestação dos nossos sentimentos por meio das lágrimas.
Quando nós começamos a chorar, a reação de quem está perto, normalmente é tentar ajudar de alguma forma. Isso explica o choro das crianças, especialmente as menores, que o fazem para conseguir atenção e mostrar que algo está errado, de acordo com a visão delas, claro.
“As pessoas que têm esse tipo de comportamento de chorar e demonstrar para quem está perto que ela precisa de ajuda, são as pessoas que têm uma probabilidade maior de receber ajuda, logo, são pessoas que têm uma probabilidade maior de sobreviver se acontecer alguma coisa”, afirma Souza.
A vulnerabilidade que, às vezes, o choro transmite, pode ser benéfica, pois ela indica que precisamos de ajuda e, dependendo da situação, pode até mesmo nos salvar de algo pior. Pessoas com transtornos psicológicos, por exemplo, podem ser ajudadas quando demonstram que estão vulneráveis. Já aquelas que se inibem, têm maior probabilidade de o problema aumentar, sem que ninguém perceba.
Nesse contexto, vale salientar que os neurotransmissores possuem um papel essencial, sendo os responsáveis por atingir um tipo de neurônio específico. É como se ele fosse uma espécie de mensageiro: diante de uma situação triste, há uma série de neurotransmissores que se comunicam com neurônios no cérebro e transmitem as informações para a glândula lacrimal e ela, por sua vez, produz um excesso de lágrimas.
E, com isso, nós choramos, porque o sistema de drenagem da lágrima não dá conta de absorver tudo que está sendo produzido. O mesmo acontece quando estamos muito felizes e choramos de alegria ou quando estamos depressivos. Mas, lembre-se, se as emoções não forem controladas, a glândula lacrimal continua produzindo lágrimas e nós podemos chorar por horas ou até por dias, de modo intercalado, chorando e parando. Tudo depende do que será transmitido aos nossos neurônios cerebrais.
Por fim, chore quando tiver vontade, independentemente do que os outros vão pensar. Se está triste e deu vontade de chorar, chore. Dessa forma a angústia e a tristeza tendem a se diluírem com mais facilidade. Se está muito feliz e deu vontade de chorar, também chore — o momento será vivido em todo seu potencial, como uma taça de vinho em que você degusta e diferencia todos os sabores. As duas atitudes fazem bem à saúde.
Fonte: UOL