Ciência

Cientistas dão início à 1ª pesquisa arqueológica no espaço

Um grupo liderado por dois pesquisadores aqui na Terra vai usar práticas de arqueologia tradicional para entender o que se passou durante os 22 anos da Estação Espacial Internacional (EEI) e suas influências no comportamento social dos astronautas.

“Ao levar perspectivas arqueológicas para um domínio espacial ativo, nós seremos os primeiros a mostrar como as pessoas adaptam seus comportamentos a um ambiente completamente novo”, explicou Justin Walsh, pesquisador da Universidade de Chapman, nos Estados Unidos, e um dos líderes do projeto, em entrevista ao The West Australian.

Utilizando essa abordagem, os pesquisadores explicam no site oficial do projeto que buscam responder a algumas perguntas como quais são os efeitos da microgravidade no desenvolvimento da sociedade e da cultura, como os tripulantes interagem entre si em um espaço originário de outras culturas, como eles mudaram a EEI para atender às próprias necessidades e desejos e como a cultura material reflete gênero, raça, classe e hierarquia na EEI.
Para responder a todos esses questionamentos, os pesquisadores vão analisar áreas de um metro quadrado, tal qual um arqueólogo faria em um sítio arqueológico. Mas, ao invés de fazer escavações na EEI, os pesquisadores receberam a ajuda da astronauta norte-americana Kayla Barron, que fez marcações de um metro quadrado em diversos lugares da estação.
Além dos pedidos dos pesquisadores, os próprios tripulantes também sugeriram locais que podem ser de interesse para o projeto. A análise dos cientistas aqui na Terra será feita por meio de fotos, vídeos e gravações de áudio.

“Ao invés de os escavar para revelar novas camadas de solo representando diferentes momentos da história do local, nós os teremos fotografados [pelos astronautas] diariamente para identificar como eles são usados e como eles se modificam com o tempo”, explicou a pesquisadora Alice Gorman, da Universidade de Flinders, na Austrália.

A dupla de pesquisadores aqui na Terra está animada para o início da pesquisa, mas comenta que também existe determinada apreensãopor se tratar de um projeto inédito.

“Como essa vai ser a primeira coleção de dados arqueológicos […] em um habitat espacial, nós não sabemos ao certo o que vamos encontrar. Na verdade, é um experimento, mas estamos confiantes de que os resultados vão jogar luz em aspectos da vida no espaço que ninguém, nem mesmo a Nasa, nunca antes conheceu”, comentou o time de cientistas.

A ideia
O projeto teve início em 2015, com planejamento inicial de começar em 2020, mas depois foi adiado para 2022. O financiamento do projeto está sendo feito por uma iniciativa do governo australiano, que oferece verbas a projetos de pesquisa voltados para novas descobertas.
Essa iniciativa também vai desenvolver novos métodos dentro da disciplina da arqueologia, o que vai ajudar em futuros estudos de áreas remotas e até mesmo em contextos de perigo. A Estação Espacial Internacional foi inaugurada em novembro de 2000 e de lá para cá participou de projetos com cinco agências espaciais, 25 países, diversas empresas particulares e já recebeu 240 visitantes de 19 países.

Fonte: Sputnik News Brasil

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