Que venha o Novo Ano!

Que o Novo Ano traga o prenúncio de boas-novas. Se preciso for, recalcule a rota, trace novos caminhos, realinhe as estratégias

A vida é feita de ciclos. A própria vida é um ciclo que cuidamos de dividi-lo em outros. Até pouco tempo falávamos em infância, adolescência, idade adulta e velhice. Agora já a infância é dividida em primeira infância e infância propriamente dita. Separamos a adolescência da juventude. E a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o envelhecimento em meia-idade (que vai dos 45 a 59 anos); fase idosa (dos 60 a 74 anos); ancião: (dos 75 a 90 anos); e velhice extrema (dos 90 anos em diante). Cada um desses ciclos nos impõe desafios diferentes, nos exigindo políticas públicas mais eficientes.

Não há como falar em ciclos sem mencionar essa invenção maravilhosa criada pelo ser humano: O tempo. Ah, o tempo! Do tempo objetivo ao subjetivo; seja na ciência, que cria e recria ou na poesia que inspira os poetas, o tempo é motor, é marco.

Uma lenda muito antiga conta que um rei pediu aos sábios de sua corte que fabricassem um anel especial e que nele contivesse uma mensagem para ajudá-lo nos momentos mais difíceis de sua vida. Os sábios do palácio, depois de uma intensa pesquisa, não conseguiram encontrar uma frase tão intensa e ao mesmo tempo que fosse também pequena para caber em um anel.

O rei, no entanto, resolveu consultar um criado órfão que cresceu ao lado de sua família e por quem ele tinha profundo carinho e respeito. Ao que ele respondeu não ser sábio nem erudito, mas escreveu uma frase para ser então guardada no anel do rei, com a advertência de que só fosse consultada no momento de desespero. Assim fez o rei e quando estava em um momento de desesperança, depois de ter perdido uma batalha, tomou o anel e leu a frase do amigo. Ali estava escrito: Isso também passará! Depois de um silêncio profundo e entendendo o significado daquela mensagem o rei recuperou suas forças.

Em novos ciclos conheceu vitórias e celebrou com toda a corte e todo o reino a alegria de suas conquistas. Neste momento, o amigo da vida mais uma vez estava ao seu lado e recomendou que novamente tomasse a mensagem guardada no anel. O rei resistiu, pois não havia encomendado a mensagem para momentos de glória ou de vitórias, mas para momentos de dor, de perdas, de desespero. E o velho amigo lhe disse: “Ela também servirá para este momento. Recomendo que a consulte”. O Rei, pacientemente, tomou a mensagem e leu: Isso também passará!

A lenda não é nova. Talvez você já a tenha ouvido ou lido inúmeras vezes. E nós estamos aqui próximos ao encerramento de mais um ciclo. Logo chegaremos em 2023. Para uns é um renascer de esperanças; para outros pode representar um tempo de trevas. Seja na política ou no trabalho, nos dilemas familiares ou pessoais, cada um de nós pode viver um ou outro tempo, de trevas ou de luz.

Eu não sei qual o seu momento. Não conheço sua dor ou sua alegria. Mas uma coisa é certa, se estamos no grupo da esperança ou da desesperança, o que também aprendemos é que, assim como os ciclos se rompem, eles também se encerram. Que o Novo Ano traga o prenúncio de boas-novas. Se preciso for, recalcule a rota, trace novos caminhos, realinhe as estratégias. Qualquer que seja o seu momento, o seu tempo, o seu ciclo, não se esqueça: Isso também passará! Feliz 2023 com um saboroso Café Coado!
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