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O empreendedorismo feminino ganha força, mas os desafios continuam

No terceiro trimestre de 2022, 10,3 milhões de mulheres eram donas de negócio, representando 34, 4% dos empreendedores

Nunca se falou tanto em empreendedorismo feminino no Brasil como nos últimos tempos. O chamado ‘sistema S’ tem investido nessa área e estimulado o desenvolvimento de negócios por mulheres. O Sebrae, por exemplo, lançou o SEBRAE DELAS, um programa que tem por finalidade o incentivo, a valorização e a promoção do aceleramento voltados para mulheres empreendedoras ou que desejam empreender.
Estima-se que mais da metade da população brasileira seja composta por mulheres. Segundo o IBGE existem mais mulheres do que homens em nosso País. Em 2021, os homens representavam 48,9% dos brasileiros e as mulheres, 51,1%. São quase cinco milhões de mulheres a mais do que os homens no Brasil.

Em nosso País, a responsabilidade de cuidar dos filhos ainda recai exclusivamente sobre a mãe. É a genitora que leva os filhos ao médico, frequenta as reuniões escolares e ainda é responsável pelo acompanhamento das tarefas escolares. Outro desafio está em conseguir vagas em creches, seja em horário integral ou mesmo por meio período. Com uma população infantil estimada em quase 51 mil crianças numa faixa etária entre zero e seis anos, o município da Serra, por exemplo, registrou apenas 7.964 matrículas em creches no ano de 2022.

As dificuldades das mulheres em encontrarem espaço no mercado de trabalho são diversas. Muitas empresas optam por não contratar mulheres, especialmente as que tem filhos ou estão em idade reprodutiva.
Este cenário acaba empurrando as mulheres para o mercado informal. Ainda que não possuam formação, acabam se tornando empreendedoras informais. Muitas vezes as mulheres se tornam empreendedoras mais por razões de sobrevivência do que por vocação, o que não impede que o sucesso seja alcançado. Por isso, verificamos um grande esforço público e social para levar formação e promover programas de aceleração para as mulheres que empreendem ou querem empreender.

No terceiro trimestre de 2022, 10,3 milhões de mulheres eram donas de negócio, representando 34, 4% dos empreendedores. A maioria dos negócios estavam relacionados à produção e ao comércio de roupas, salão e tratamento de beleza e alimentação. Mais da metade dessas mulheres também são as chefes do domicílio, respondendo com a sua única renda pelas despesas da casa.

Muitas mulheres optam pelo empreendedorismo numa tentativa de conciliar a atividade laborativa com as tarefas de cuidado da casa e o lar. Assim, não sobra tempo para investir na alavancagem de seu negócio. Resultado disso é que muitas empreendedoras não formalizam seu negócio e não têm acesso a créditos de incremento. Outras formalizam, mas acabam desistindo pelo meio do caminho, pois têm que usar sua pequena renda para prover a sua própria vida, a de sua família e, ainda, com custos da formalização.

Apesar de tantos desafios, as notícias são boas. Afinal, o esforço das Organizações das Nações Unidas (ONU), ao eleger como 5º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, a igualdade de gênero, tem valido a pena. Muitas mulheres empreendedoras têm investido em fortalecer outras mulheres, numa corrente de sororidade nunca vista antes. No entanto, apenas 37,4 % ocupam posições de liderança e este é outro desafio que nossa sociedade precisa vencer.

É importante lembrar que ainda muitos negócios no Brasil são fechados em clubes de uísques após o expediente formal. E esses são os horários nos quais as mulheres estão em casa, cuidando do lar e dos filhos. Essas relações informais, a que os homens têm mais acesso que as mulheres, acabam por colocar nossas empreendedoras e líderes em posição de desvantagem em relação aos homens.

Importante salientar que não estamos aqui provocando uma guerra ou mesmo disputa entre os gêneros, mas, apenas promovendo uma reflexão sobre o assunto. É assim que finalizo nosso Café Coado desta semana. Se quisermos uma sociedade realmente justa, onde homens e mulheres consigam ter acesso às reais oportunidades, precisamos nos posicionar.

Homens e Mulheres precisam assumir, conjuntamente, suas responsabilidades em relação aos filhos e às tarefas domésticas. Homens e Mulheres precisam administrar seus tempos para que haja espaço para descanso e lazer. Se não fizermos isso, caminharemos para uma sociedade que cada vez mais tem requerido atenção à saúde mental, com reflexos em seus relacionamentos afetivos. E nesse ponto, vale o alerta: ou mudamos nossa forma de gerir o mundo, ou ninguém, seja homem ou mulher, sairá impune ou imune dessa grande viagem que é a vida no Planeta Terra.
Se você é empreendedor ou empreendedora e quer compartilhar suas experiências conosco, mande um e-mail para colunacafecoado@gmail.com

Gracimeri Gaviorno

Gracimeri Gaviorno

Delegada de polícia; mestre e doutora em direitos fundamentais; professora; Instrutora e mentora profissional para lideranças E-mail: colunacafecoado@gmail.com

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