“Eu tenho um pai”

“Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda amamenta, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Isaías 49:15)

Em maio de 2013, eu me lembro de ter sido acordada por minha irmã caçula, não me recordo ao certo a que horas da madrugada, mas lembro que ela estava com telefone fixo na mão, sentada na beira da minha cama e, com a voz um pouco trêmula e embargada, ela disse: ‘nosso pai morreu!!’. Uaaau…eu desabei, chorei sem parar e, pra ser sincera, não me recordo por quanto tempo. Sem dúvidas foi uma das piores notícias que já pude receber em toda a minha vida. É bem verdade que já havia alguns anos que não nos víamos, pois meus pais estavam separados desde os meus 12 anos, e nos falávamos muito pouco por telefone, uma vez que, depois da separação, ele havia se mudado para outro estado e, por ser interior, quase não tinha sinal de telefone. No entanto, também me recordo que, nos anos em que passamos em família, apesar de estar sempre em casa, meu pai nem sempre era presente, ele não era um superpai, no entanto, tenho que ressaltar que ele também não estava na lista de piores pais do mundo, se é que isso existe! De uma coisa eu sei, naquele momento, nada importava porque aquela notícia mexeu tanto comigo, que me fez viver e sentir algo que jamais imaginei. Era um misto de saudade, dor e desespero, ao mesmo tempo que também sentia raiva por estar tão longe, a ponto de não podido o ajudar naquele momento. Por dias, eu fiquei me martirizando, e isso eu jamais vou esquecer! Naquele hora, eu pude refletir sobre como seria, se tivéssemos passado mais tempo, não juntos, mas, sim, em família, pois, trago comigo pouquíssimas recordações desses momentos.

É interessante, pois, apesar de não ter tido em minha infância fartura de amor, de comida, de atenção ou de presentes, meu pai cuidou direitinho, para que não nos faltasse fartura de “Deus”. A prioridade dele nunca foi a família, mas Deus, sim. Eu podia estar revoltada com esse Deus, por achar que ele tomou nosso espaço (não que eu ache que ele fez o correto) até porque o próprio Deus vai nos dizer “que há um tempo para todas as coisa debaixo do céu”. No entanto, não, eu não tenho raiva, pelo contrário, hoje sou grata por assim dizer, pois, durante esse período eu me dei conta que minha orfandade era apenas de “pai terreno” porque, meu pai celestial, esse sim sempre esteve aqui, me guardando, me guiando, me dando forças pra continuar e me amparar sempre que preciso!

Embora não nos conheçamos, pode ser que eu esteja falando para alguém que viveu ou vive situações iguais ou parecidas com a minha ou, quem sabe, esteja passando por situações bem piores, de abandonos constantes, quadros de violência, entre outros. Ou quem sabe esteja a amargar toda uma vida, porque não foi teu pai, mas tua mãe quem te abandonou, sei que não tem sido fácil, mas o próprio Deus foi enfático em afirmar que mesmo sendo abandonado (a) pela mãe que te amamentou (e se Ele disse, é porque Ele sabia que iria acontecer) ainda assim, Ele jamais se esqueceria de você. O que está esperando? Vamos, levanta essa cabeça, se ergue, e corra logo para os braços desse pai presente, amoroso, misericordioso! E vai crendo, que a todo momento Ele sempre esteve aqui, tentando atrair sua atenção para Ele, querendo te fazer entender que tanto para os momentos bons quanto para os ruins, o amor dEle lhe será o suficiente!
