Cultura

Alma curada

O leque multicolorido
Ia e vinha guiado pela
Mão fina que o agitava,
O pequeno artefato
Aberto e estendido ao
Lado do belo rosto,
Fazia um movimento
Frenético e nervoso
Que a todos incomodava

O pequeno objeto sem
Saber, nem se dar conta,
Dava golpes no ar quente
E abafado, denunciando
A ansiedade e a angústia
Da vida fútil de quem
Elegantemente o segurava

Sem qualquer intenção,
O seu movimento trazia
À baia o incomodo, o tédio
E a inquietude de uma alma
Aflita que sofria e que muito
Desejava

O belo objeto raro e antigo
Escondia por entre os dedos
E as palas uma linda face
Atormentada, envolta em
Forte maquiagem, que no
Fundo disfarçava o semblante
Triste de um espírito amargurado

Camuflava um ser sofrido
E solitário envolto em dor
E sofrimento, um ser amargo
E insatisfeito que de nada
Se agradava

Uma mulher triste e
Entediada, cansada das
Peripécias do amor e
Das armadilhas da paixão,
Fatigada pela noite e
Pela corrida louca e
Interminável em busca

De luxúria e de prazer
Uma alma cansada
Que no fundo no fundo,
Por trás da fantasia que
Vestia e da personagem
Que encarnava, só queria
Mesmo ser encontrada,
Amada e curada por um
Amor de verdade

Mário Vieira

Mário Vieira

Capixaba, casado, autor e advogado

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