Ansiedade infantil: os impactos negativos na aprendizagem

Sim, a ansiedade infantil pode prejudicar a aprendizagem, pois tem o potencial de causar dificuldades de concentração e de assimilação de informações. Sabendo que o desenvolvimento cognitivo depende de fatores emocionais, a ansiedade na infância pode resultar em desmotivação escolar e dificuldades de aprendizagem.
A infância é uma fase que todos os seres humanos irão vivenciar, fases essas peculiares de cada um e nas quais a criança desenvolve suas maiores potencialidades. De acordo com o Folhateen, em 2023, a taxa de pacientes com ansiedade entre crianças e jovens no Brasil supera a de adultos: entre crianças de 10 a 14 anos, a taxa é de 125,8 a cada 100 mil; entre adolescentes, a taxa é de 157 a cada 100 mil; entre pessoas com mais de 20 anos, a taxa é de 112,5 a cada 100 mil.
Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais, os transtornos de ansiedade estão associados a perturbações comportamentais, ansiedade e medo em excesso. Cerca de 10 a 15% das crianças experimentam sintomas de transtorno de ansiedade durante a infância, fator que impacta negativamente em seu desenvolvimento e aprendizagem. A respeito da escolarização, o processo educacional e a aprendizagem infantil, estão profundamente arraigadas ao desenvolvimento da criança.
A ansiedade infantil pode apresentar sintomas emocionais, físicos, comportamentais e relacionados ao pensamento. Tristeza, medo, culpa, preocupação e alterações de humor são alguns dos principais sintomas emocionais que podem ser apresentados na criança e no adolescente no ambiente escolar. A criança, quando apresenta o transtorno de ansiedade, demonstra um comportamento retraído e menos motivado diante das atividades escolares e interações sociais.
Com o seu desenvolvimento afetivo e social afetado pela ansiedade, a criança, geralmente, apresenta as dificuldades de aprendizagem, que se caracterizam na dificuldade de concentração da criança, afetando a:
1. Perda do foco: isso quer dizer que, enquanto a nossa mente está ocupada com outras funções que, naquele momento, julga mais importantes, ela não consegue se concentrar bem em outras coisas como no processo de aprendizagem, por exemplo. Quando ocorre uma reação de estresse ou ansiedade no cérebro é porque há algum tipo de perigo iminente. Pode até não ser verdade, mas é assim que a mente reage. E, é claro, é mais urgente cuidar dessa tal “situação perigosa” do que estudar. Assim, boa parte da sua atenção será voltada para resolver essa situação.

2. Redução da capacidade de memória: a capacidade de armazenamento de informações é de grande importância para o estudante. Afinal de contas, ele precisa aprender e lembrar de diversas coisas para aprender coisas novas, fazer provas, discutir sobre alguns assuntos e assim por diante. O estresse e a ansiedade podem promover uma significativa perda da capacidade de memória. Esses sentimentos não só dificultam o armazenamento de novas memórias, como também a manutenção e recuperação das memórias antigas.
3. Desenvolvimento de baixa autoestima: Esse efeito de reação em cadeia, estresse e a ansiedade podem gerar, indiretamente, a redução da autoestima. Uma criança que enfrenta esses sentimentos pode demonstrar resultados ruins na escola. Isso traz uma sensação de incapacidade. Ela percebe que está decepcionando os pais, que esperam que ela seja um aluno brilhante e, quando isso não acontece, vem a sensação de frustração.
E para aqueles que acham que crianças não têm estresse ou ansiedade e que isso é só coisa de adulto, enganam-se. Para saber lidar com esses aspectos, é preciso informações e tratamentos. Antes de mais nada, é importante salientar que o diagnóstico de ansiedade infantil é fornecido por profissionais da área da saúde.
É importante também que os pais ajudem a criança a se desenvolver, por isso é importante ensinar os filhos a lidarem com os próprios sentimentos para que eles possam explorar habilidades essenciais para encarar situações adversas. Dentro do contexto educacional é necessário que exista um trabalho conjunto entre família e escola para identificar quais mudanças podem ser adotadas e os métodos mais eficazes para dar o suporte necessário aos alunos.
É fundamental que o professor, paralelo a suas práxis profissionais, tenha um olhar humano para a criança que chega até sua sala de aula. Compreendemos que no espaço escolar é frequente encontrar crianças com características ansiosas. As práticas docentes são de suma importância no processo de reconhecer e acolher uma possível manifestação da ansiedade, colaborando, assim, de forma positiva, com o especialista apto para o tratamento adequado.
Em uma ação conjunta de atitudes de incentivos a influência familiar é um dos fatores essenciais para a análise do desempenho infantil evitando a sobrecarga para as crianças com muitas atividades; ser mais participativo no processo de aprendizagem da criança; conversar sobre sentimentos e situações de desconforto.