Saúde

Injeção semestral previne HIV com quase 100% de eficácia

O lenacapavir, medicamento experimental contra o HIV, mostrou eficácia superior à PrEP em novo ensaio clínico

Por Nayra Teles

A cada novo estudo, o medicamento experimental Lenacapavir demonstra ser uma ferramenta realmente poderosa no combate ao HIV. Um recente ensaio clínico revelou que uma injeção semestral reduz o risco geral de infecção em 96%, superando a eficácia da PrEP, o método preventivo oral mais utilizado atualmente.
Os resultados do teste de fase três, com mais de três mil voluntários, incluindo homens cisgêneros e pessoas de gênero diverso, em 88 locais no Peru, Brasil, Argentina, México, África do Sul, Tailândia e EUA, foram divulgados no New England Journal of Medicine. Apesar da PrEP ser um método eficaz e uma das maiores responsáveis pela queda histórica dos casos de HIV no mundo, metade dos usuários abandona o tratamento após um ano. O principal motivo é a necessidade de tomar o comprimido diariamente.

A injeção Lenacapavir, que pode ser recebida a cada seis meses, surge não apenas como uma alternativa prática nesse contexto, mas também mais flexível para pessoas com dificuldades de acesso à saúde. Segundo a pesquisa, os mesmos grupos sociais que são mais afetados pelo HIV são os que têm menos acesso à PrEP.

Aproximadamente 50% das novas infecções por HIV em todo o mundo, em 2022, ocorreram entre homens gays cisgêneros, e 70% delas afetaram indivíduos negros ou hispânicos. Colleen Kelley, principal autora do estudo, destaca o impacto do Lenacapavir nessas populações.

Não estamos alcançando todos que precisamos com nossas intervenções atuais de prevenção ao HIV. Para pessoas que não conseguem tomar os comprimidos orais diários, os agentes injetáveis podem realmente ter uma eficácia incrível e ser um divisor de águas para ajudá-los a permanecerem HIV negativos”, explica Colleen Kelley, em comunicado da Emory University.

Não deve demorar muito para o Lenacapavir estar disponível em hospitais e farmácias de todo o mundo. Os resultados do ensaio clínico de fase III foram submetidos à Food and Drug Administration (FDA), agência regulatória dos Estados Unidos. A expectativa de Kelley é que o medicamento seja aprovado para uso comercial até 2025. O desafio, agora, será garantir que ele chegue a populações mais afetadas pelo HIV.

Fonte: Olhar Digital

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