Ciência

Nasa abre amostra lacrada de 50 anos atrás e pode resolver mistério lunar

Amostras da Lua permaneceram seladas até que pudessem ser estudadas com técnicas e tecnologias mais avançadas

Por Isabela Oliveira

Após mais de 50 anos, a Nasa abriu as amostras da Lua trazidas à Terra pela tripulação da missão Apollo 17, em 1972. Elas permaneceram seladas até que pudessem ser estudadas com técnicas e tecnologias mais avançadas. Agora, ajudarão a compreender um antigo mistério lunar.
Nessa última missão da Nasa à superfície lunar, o piloto e doutor em geologia Harrison Schmitt e o astronauta Eugene Cernan reuniram quase 120 quilos de amostras para estudar as rochas da Lua. Isso porque a missão era coletar amostras para compreender a origem do “Manto Leve”, depósito de material excepcionalmente brilhante com cinco quilômetros de extensão na base da montanha do Maciço Sul. Muitas amostras de regolito e núcleo foram estudadas, mas outras muitas foram retidas.

De acordo com um artigo da equipe da Dra. Giulia Magnarini, do Museu de História Natural de Londres, o incomum “depósito de alto albedo” [capacidade de uma superfície de refletir a luz solar] pode ter três possíveis causas. Uma delas seriam os depósitos ejetados do impacto que causou a cratera Tycho; outra, material do Maciço Sul mobilizado por ejetados de Tycho que impactaram o topo do maciço; e, enfim, depósitos de deslizamentos de terra desencadeados pelo tremor do solo junto com a atividade sísmica da falha Lee-Lincoln no Vale Taurus-Littrow.

Além disso, os cientistas também querem saber como o material que compõe o Manto de Luz conseguiu se espalhar tanto. “Tenho estudado deslizamentos de longa distância na Terra e em Marte, mas o Manto Leve é ​​atualmente o único que conhecemos na Lua”, disse a Dr. Magnarini.

O que as amostras da Lua revelam sobre o Manto Leve?
Na década de 1970, a tecnologia de escaneamento não era tão detalhada. Mas hoje, com a microtomografia computadorizada, exames de nível médico permitem investigar as amostras com grandes detalhes. Observando-as, a equipe conseguiu examinar clastos em seu interior. Esses fragmentos de rocha se desprenderam, possivelmente, da montanha do Maciço Sul, durante um deslizamento.

Os clastos nos dizem muito sobre o processo do deslizamento em si e como o material contido nele foi transportado”, explicou Magnarini. “Vimos que o material mais fino que reveste os clastos no núcleo vem do próprio clasto e não dos detritos circundantes, sugerindo que os clastos se fragmentaram e ajudaram o deslizamento a fluir mais como um fluido.”

A causa inicial do deslizamento permanece desconhecida, embora um impacto de Tycho espalhando rochas no Maciço Sul seja provável. “Sugere-se que parte do material expelido pela criação de Tycho pode ter atingido o Maciço Sul”, disse. “Isso pode ter desencadeado o deslizamento de terra, que acabou formando o Manto Leve”. As descobertas estão disponíveis no Journal of Geophysical Research: Planets.

Fonte: Giz Brasil

Luzimara Fernandes

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

Related Posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

EnglishPortugueseSpanish